quinta-feira, janeiro 29, 2009

Ônibus viram palco de 'guerra religiosa' na Espanha

Os pontos de ônibus de Madri deixaram de ser apenas paradas para quem entra ou sai de transportes públicos e estão se tornando centros de debates entre ateus e cristãos.

A razão disso é uma guerra publicitária entre grupos ateus e religiosos, estampada nos ônibus.

Primeiro foram os ônibus ateus. A campanha publicitária com cartazes mostrando a frase "Deus provavelmente não existe. Deixe de se preocupar e desfrute a vida" iniciada em Londres em 2008 chegou à Espanha em dezembro e teve logo resposta.

Em janeiro a propaganda cristã financiada por católicos e evangélicos, começou a ser divulgada nos ônibus municipais: "Deus existe sim. Desfrute a vida em Cristo".

Depois que a polêmica campanha publicitária religiosa chegou à Espanha, na chamada ‘guerra dos ônibus’, os fiéis entraram na disputa e há quem se recuse a entrar em veículos que neguem a existência de Deus.

Cartaz

A rivalidade saiu dos veículos e alcançou os pontos de ônibus. A católica Dolores Rubio Cospedal, de 69 anos, decidiu se manifestar contra todos os que viajem nos ônibus com propaganda contra Deus.

Com um abrigo de visom ela tem passado as tardes no ponto próximo à catedral de Madri coberta nos ombros e no peito por um cartaz onde se lê: "Deus existe sim".

Cada vez que um dos veículos com a campanha atéia circula por ali, Dolores se levanta, mostra o cartaz e recrimina motoristas e usuários. Como ela, outros passageiros têm levado cartazes às ruas e dizem que não aceitarão entrar em um ônibus que negue a existência de Deus.

"Eu não vou subir nesse ônibus de jeito nenhum. Fico aqui o tempo que for preciso para que vejam que nós cristãos estamos indignados. O que estão fazendo é uma imoralidade, uma blasfêmia. Tenho vergonha de ser espanhola", disse Dolores à BBC Brasil.

Alguns passageiros, fiéis ou não, respondem aos manifestantes cristãos lembrando que prevalece a liberdade de expressão.

"Isso é só publicidade, é uma polêmica estúpida, cada um diz o que quer, é um país livre. A senhora não fala de Deus aqui sem problema? Então por que outros não podem?", rebateu a estudante Rosario Flores, 23 anos, que se define como "católica não praticante".

Explicações

Na tarde da quarta-feira passada o motorista Francisco Gomez Aguilar teve que dar explicações aos manifestantes cristãos para deixar de ouvir reclamações no ponto da catedral.

Explicando que também é católico, o motorista disse que não queria dirigir o ônibus com a propaganda que nega a existência de Deus, mas foi obrigado pela empresa.

"Pedi para mudar de turno para não pegar este veículo, mas não me deixaram. Se fosse por mim, estaria proibido", disse Francisco, completando à BBC Brasil que em uma das viagens alguns passageiros evangélicos distribuíram cartões com a pergunta: "se você morrer esta noite onde passará a eternidade?".

A chamada guerra dos ônibus surgiu depois que a União de Ateus e Livres Pensadores da Espanha iniciou a campanha no país, inspirando-se no exemplo da propaganda britânica.

Os anúncios em duas linhas municipais em Madri custaram 4 mil euros (cerca de R$ 12 mil), mas a União prevê aumentar a campanha em mais cidades e já arrecadou mais de 30 mil euros (aproximadamente R$ 90 mil) por meio de doações.

Em janeiro chegaram os ônibus cristãos. Financiados pela organização católica E-Christians e pela evangélica Centro Cristão de Reunião, foram alugados espaços em três linhas municipais da capital espanhola.

Ao contrário dos manifestantes, ambas as instituições acreditam que não há ofensa, apenas rivalidade.

"Todos podem expressar livremente suas opiniões. Nós também. Respeitamos a todo mundo… opiniões, idéias e crenças. Eles usaram uma plataforma pública e nós também, só que para comunicar ao mundo que a única vida plena é a que segue a Jesus Cristo", disse à BBC Brasil o porta-voz do Centro Cristão de Reunião, Francisco Rubiales.

Sem ofensa

A União de Ateus respondeu à BBC Brasil apenas que "a campanha não é ofensiva, foi aprovada pelo Comitê de Controle da Publicidade dos Municípios Espanhóis" e continuará em Madri, Barcelona, Málaga e La Coruña.

Já a Conferência Episcopal Espanhola, que não participa da campanha nos ônibus, acha que há blasfêmia e que o governo deveria intervir.

Segundo o comunicado oficial emitido no dia 24 de janeiro, "insinuar que Deus é uma invenção e que não deixa as pessoas desfrutarem da vida é uma blasfêmia e uma ofensa aos que acreditam".

A nota recomenda aos católicos "respeitar o direito de expressão de todos" e "às autoridades competentes tutelar o exercício pleno do direito de liberdade religiosa".

Em outras cidades européias como Valencia, Zaragoza, Roma e Milão, os ônibus ateus não foram aprovados pelos governos locais.

O texto é da BBC Brasil. A nova guerra santa da publicidade. Mas, de fato, eu acho que eu me recusaria a andar em um ônibus com publicidade sacrílega.

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terça-feira, janeiro 20, 2009

Ateus imbecis

Imbecis


Notícia da Deutsch Welle diz que alguns ateus resolveram lançar campanha pró-ateísmo em Londres, começando com algumas frases em ônibus. A frase citada no texto, colocada em um dos ônibus é “Provavelmente Deus não existe”.

Minha primeira reação foi de raiva. “Imbecis” tive vontade de dizer a estes ateus militantes, profetas da religião do não-deus, que como diria meu pastor, primeiro você afirma, para então negar “Deus não existe”. E me deu vontade de pixar, depois explodir os tais ônibus.

Nós e nossas emoções. Os ônibus, e seus funcionários, e seus passageiros, não têm culpa de qualquer imbecilidade que seja estampada sobre eles. Melhor pegar o próximo, ou usar outro meio de transporte para evitar o sacrilégio.




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domingo, dezembro 16, 2007

Ateísmo Militante

A capa de CartaCapital desta semana, já nas bancas em São Paulo, me obriga a pensar. Deus existe? O assunto é quente, no Brasil e no mundo. Três livros, dois de autoria de Richard Dawkins, um de Sam Harris, negam a existência do Criador e são best-sellers. O mais contundente é o mais recente de Dawkins, Deus, um Delírio. Confesso que a questão não me tira o sono, embora tenha cursado o primário no Colégio das Marcelinas, em Gênova. Meu pai era anti-clerical, minha mãe era praticante católica e as Marcelinas foram escolhidas por serem anti-fascistas, não me vestiam de soldadinho mussoliano e não me empurravam aos sábados na direção de um evento chamado adunata, que consistia no no penoso desfile de meninos trajados como cretinos. Fui até um bom coroinha, mas enxergava a função como espetáculo, descia os degraus do altar com os pés de Fred Astaire. A partir do ginásio, passei a me apresentar como agnóstico. Há quem confunda o agnóstico com o cético. No meu entendimento é confusão mesmo. Cético é aquele que fica de pé atrás em relação à grandeza do homem, aos sentimentos dos semelhantes. Estar preparado é tudo, dizia Shakespeare. Agnóstico é aquele que, em matéria de crença religiosa, nem acredita nem desacredita, prefere deixar de manifestar-se sobre temas insondáveis. Creio que Immanuel Kant, quem sabe o homem mais inteligente já nascido sobre a bola de argila, fosse agnóstico, afirmava não ter condições de provar que Deus existe, ou não existe. Leio hoje, no Corriere della Sera um pequeno ensaio de John Gray, magistral na minha visão. O que lhe chama a atenção é a granítica convicção, nítida em Deus, um Delírio, alimentada por Dawkins de que acreditar é um entrave à felicidade do homem. “Segundo os evangelistas da descrença, a religião é um escombro do passado que dificulta o caminho do progresso humano”. Este gênero de pensamento, baseado na aposta em um mundo melhor porque livre de Deus é, no entanto, outra forma de fé. Você abandona uma, e adere a outra. Uns pretendem viver o drama cósmico do pecado e da redenção, os outros apresentam-se como gladiadores do progresso. Assim são todos homens de fé, ao que tudo indica insubstituível. Segundo Gray, no entanto, Dawkins e Cia. são incapazes da “dúvida criativa” que inspirou inúmeros pensadores religiosos. E os seus dogmas não são menos pétreos do que aqueles aceitos pelos crentes.

Do Blog do Mino Carta.

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