quinta-feira, novembro 04, 2010

Primeira mulher rabino em 75 anos é ordenada na Alemanha



Pela primeira vez em 75 anos, uma mulher foi ordenada rabino nesta quinta-feira na Alemanha, marcando a retomada de uma comunidade judaica devastada pela Shoah (Holocausto).

Alina Treiger, 31 anos, originária da Ucrânia, tornou-se sacerdote do culto judaico durante cerimônia emocionante em uma sinagoga do oeste de Berlim, que contou com a presença do presidente, Christian Wulff.

Ela é a segunda mulher ordenada na Alemanha. A primeira, também do mundo, a conseguir o título foi Regina Jonas, em 1935 - assassinada em Auschwitz em 1944, aos 42 anos.

Com cabelos ondulados loiros escuros e um grande sorriso, Alina era o centro das atenções, mesmo que outros dois estudantes rabinos estivessem sendo ordenados ao mesmo tempo.

"Enchamos nossos corações de amor. Estejamos unidos no amor pelo Bem e pela vontade de impedir a violência e o conflito", disse durante uma "oração para a Alemanha" pronunciada ao término de sua ordenação.

No fim de novembro, Alina Treiger deve assumir a direção da comunidade da cidade de Oldenburg, próxima à Holanda.

Ela afirma encarnar "a união de três culturas: judaica, alemã e a da antiga União Soviética". Nascida em Poltava, uma cidade de 300 mil habitantes que hoje pertence à Ucrânia, Alina Treiger estudou no colégio Abraham Geiger de Postdã, próximo a Berlim. Criado em 1999, foi o primeiro seminário rabínico da Europa Continental desde o Holocausto.

A trajetória da jovem mulher é símbolo da comunidade judaica alemã que, das cinzas da Shoah, tornou-se hoje uma das mais dinâmicas do mundo e é 90% composta por membros originários da extinta URSS.

Após a queda do Muro de Berlim, a Alemanha abriu suas portas para os judeus do antigo império soviético, vítimas de um forte antissemitismo, fornecendo a eles a nacionalidade alemã.

"Na Ucrânia, a religião era esquecida pela metade", contou Alina Treiber.Desde 1989, cerca de 220 mil judeus da extinta URSS chegaram à Alemanha que contabilizava, na época, 30 mil judeus, contra cerca de 600 mil antes de Adolf Hitler chegar ao poder em 1933.

Uma boa parte deles partiu, principalmente para Israel. As comunidades judaicas na Alemanha contam hoje com 110 mil membros, quatro vezes mais do que há 20 anos, segundo o Conselho Central de Judeus da Alemanha.

Essa migração em massa permitiu em algumas regiões, principalmente da ex-República Democrática Alemã, a recriação das comunidades aniquiladas pelo Holocausto.

Em Berlim, a comunidade judaica conta 11 mil membros, dois terços derivados da eentão URSS.

No entanto, a integração desses judeus vindos da União Soviética levanta problemas e suscita conflitos. Alguns judeus alemães os acusam de serem "desjudaizados".

A chegada desses refugiados teve fim no dia 31 de dezembro de 2004, quando a Alemanha impôs restrições à migração deles. O número de candidatos começou a cair drasticamente.

A ordenação, chamada semikha, é acessível às mulheres unicamente no judaísmo liberal. As raras mulheres rabinos estudaram, em sua maioria, nos Estados Unidos.

"É um dia extraordinário!", entusiasmou-se o rabino Daniel Freelander, vice-presidente da União do Judaísmo Progressista da América do Norte. As primeiras ordenações de rabinos na Alemanha depois do Holocausto ocorreram em 2006.


Notícia da AFP, no Terra. Foto com crédito para a AFP.


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quinta-feira, janeiro 21, 2010

Hanami – Cerejeiras em Flor

Hanami – Cerejeiras em Flor


Neste final de semana fui assistir ao filme Hanami – Cerejeiras em Flor. É uma produção alemã de 2008, sendo exibida num horário restrito no Unibanco Arteplex: uma sessão por dia, às 19 h 20 min. Resolvi assistir porque é um filme que é ambientado em parte no Japão, e o Japão tem algo de estranho e magnético para mim.


A chamada do filme, no folheto de divulgação da sala de cinema fala de uma mulher madura que fica sabendo da doença terminal do marido através de dois médicos, que supostamente o acompanharam em algum tipo de “check-up”. Eles a questionam se ele teria estrutura psicológica para receber a notícia. Eles também não sabem quando a doença manifestará seus sintomas.


Ela resolve não dizer nada ao marido. Convida-o para viajar. Visitar os filhos em Berlim (eu suponho que o casal viva em algum lugar da Baviera, próximo aos Alpes), fazer aquela viagem há tanto adiada ao Japão.


O casal se dirige a Berlim, onde vivem dois dos três filhos (o terceiro vive em Tóquio). Em Berlim, não como não notar que o casal é tratado pelos filhos como um estorvo. Quem melhor os trata, não é nenhum dos filhos, mas uma nora...


Depois de alguns dias em Berlim, o casal resolve ir à praia, ao Báltico. Há muito tempo não faziam isto.


E mais além disso, não dá para dizer sobre o filme, sob pena de estragar o prazer e as surpresas que os filme reserva aos seus espectadores. E ele reserva de fato algumas surpresas.


Claro que restringir a narrativa apenas até este ponto, torna um pouco este comentário meio sem sentido.


Falar em prazer estético, dizer que o filme é emocionante, que o filme é comovente acabam parecendo meio sem sentido.


Mas, bem, é para isso mesmo que estou escrevendo. Para dizer que o filme é emocionante e comovente. E eu fiquei emocionado. E pude perceber que não fui o único na platéia que ficou emocionado com o filme. Claro que a proposta da diretora, Doris Dorrie, era mexer com nossas emoções, mas fazer o quê?


E, sim, o filme tem locações no Japão. Mostra Tóquio como a megalópole que de fato ela deve ser. E lá estão as cerejeiras, e também o Monte Fuji. Um pouco daqueles estereótipos sobre o Japão, mas tudo me pareceu extremamente no lugar na proposta do filme, exceção talvez à atriz de teatro butô, fluente em inglês (mas este detalhe não tem importância para mim).


Um filme muito marcante.



18/01/2010.

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