terça-feira, janeiro 06, 2009

Um outro dia para morrer



Jinx aparentemente havia assumido o controle do velho Antonov da Força Aérea da Coréia do Norte, e pilotava o cargueiro, onde também estavam Bond e Gustav Graves (ou o coronel Moon). Contudo Miranda Frost veio para acabar com a tranquilidade de uma missão que se encaminhava para o sucesso. Depois de praguejar contra Jinx, reclamando da dificuldade de matá-la, Frost colocou a lâmina da espada que carregava junto à jugular de Jinx, mandou-a colocar o controle do avião no piloto automático, "com muita calma". Com muita calma Jinx colocou o Antonov no piloto automático, mas dirigindo-o para o raio de calor emitido pelo satélite Ícaro, que devastava o maior campo minado do mundo, na fronteira entre as duas Coréias, numa das últimas fronteiras da Guerra Fria.


Com o avião no piloto automático, Miranda Frost cortou a jugular direita de Jinx, que teve apenas alguns segundos, percebendo o jorro inicial de sangue que fluiu de sua garganta, e depois continuou correndo da garganta cortada em direção de deu peito até coagular. Jinx estava morta.


Mais para o fundo do avião um tiro da parte de Bond, causara uma descompressão violenta, jogando para fora da aeronave a maior parte de seus ocupantes. Apenas Bond e Graves permaneceram lutando. A atmosfera do Antonov havia se estabilizado. O dispositivo de eletrocussão e controle do Ícaro, que serviam como uma espécie de armadura para Graves, lhe deram uma vantagem suficiente, de modo que, após intensa luta, Bond estava inconsciente no chão do Antonov. Graves pegou um pistola e disparou duas vezes contra a cabeça do agente secreto britânico. A missão de Bond e Jinx falhara.


Logo Frost e Graves pegaram pára-quedas, e pularam do Antonov que acabou destruído pelo raio do Ícaro.


Em pouco tempo o campo minado estava destruído, bem como uma boa parte dos postos de controle daquela fronteira. A divisão do exército norte-coreana começou a usar sua artilharia contra Seul, e a infantaria começou a se mover para o sul.


Num ato de desespero, e combinado com o governo da Coréia do Sul, um míssil com uma ogiva nuclear é lançado de um submarino americano navegando próximo à costa da península da Coréia contra a área onde antes houvera um campo minado, e para onde se dirigia parte do exército norte-coreano.


Ato contínuo, outro míssil foi lançado pelo mesmo submarino em direção à Pyongyang... Seria o Ícaro capaz de neutralizar um ataque nuclear contra a capital da Coréia do Norte?


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quarta-feira, dezembro 03, 2008

Bond...James Bond. Você viu “Quantum of Solace”?

Eu vi, e já faz algum tempo, cerca de um mês para ser mais exato. Claro que o tempo desvanece algo de nossas lembranças, mas ainda dá para lembrar de algo do filme.


E já que não há mais “Guerra Fria”, a franquia precisa atualizar-se e reinventar-se. Se os últimos episódios protagonizados por Pierce Brosnan ainda se alimentavam dos, digamos, restos da tal Guerra Fria, como os restos, ainda mortais, ou mortíferos, da antiga União Soviética (“Golden Eye”), ou dispositivos moderníssimos e potentíssimos da Coréia do Norte (“Die Another Day”, ou Um Outro Dia para Morrer em português), com o novo ator-protagonista, Daniel Craig, o agente secreto de Sua Majestade, começa a lutar com inimigos mais, huummm, terrestres, e ao mesmo tempo mais insidiosos.


Neste filme 007 precisa lidar com uma organização corporativa-criminosas chamada “Quantum”. E aqui temos uma curiosidade. No Brasil o título não foi traduzido, Quantum of Solace em inglês era, Quantum of Solace nos cinemas do Brasil ficou. Quantum tem origem no latim, que pode significar algo como “pequenininho”, uma partícula. É desta palavra que se originou a “quântica”, a física das partículas elementares da matéria. E como já dissemos acima, Quantum é o nome da corporação criminosa contra a qual o agente britânico precisa lutar. Já “solace” é uma palavra inglesa que significa “consolo” ou “conforto”, e que eu nunca havia visto, que eu me lembre, antes de vê-la no título do filme. Assim, relacionando este filme, com o filme anterior da franquia, Casino Royale, onde ele acaba envolvido numa relação complicada com Vesper Lynden, a agente do governo britânico que deveria ajudá-lo no combate a uma lavanderia de dinheiro de terroristas, “Quantum of Solace” também pode ser traduzido como “Pedaço de Conforto”, pois ele pode resolver as questões sentimentais que ficaram pendentes no filme anterior. Por estas múltiplas possibilidades, é que eu acredito que o título tenha acabado sem tradução para o português do Brasil.


Há coisas bastante interessantes no filme. O vai-vem é uma. O filme começa nos Alpes Italianos, com uma particular cena belíssima da cidade de Siena, passa por Áustria, Caribe, para terminar na Bolívia (uma Bolívia filmada no Chile, mas ainda assim bastante autêntica). No Caribe, há supostas cenas de Porto Príncipe, a capital do Haiti. Mas Porto Príncipe me parece excessivamente limpinha e organizada, em vista das imagens que recebemos periodicamente de lá, haja visto o Brasil participar das forças da ONU estacionadas naquele país do Caribe.


Na Bolívia do filme há um general de opereta pronto a se tornar ditador do país, tão logo a Quantum promova uma campanha para desestabilizar o país, que redunde num golpe de estado. Claro que a produção do filme não lembra que a população boliviana vem elegendo presidentes desde 1982 (sete anos antes do Brasil, portanto), ou seja, faz mais de 20 anos que não há golpes de estado, pelo menos não que tenham sido bem sucedidos, naquele país. Além disso, eu duvido que a polícia boliviana tenha patrulheiros rodoviários que falem um inglês fluente, como acontece no filme. Quanto às nossas polícias, digo, nossas do Brasil, da Bolívia, ou da Argentina, não creio que se possa comprar “a polícia”, porque naqueles elementos delas que se entregam à corrupção, o negócio funciona na base do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Se compra um oficial da lei aqui, outro acolá, mas dificilmente o grupo todo.


Por outro lado ainda, o filme mostra algumas outras coisas interessantes. Por exemplo, interesses comuns entre o governo do Reino Unido e alguns membros da organização criminosa. Ou o MI6 com interesses diferentes dos da CIA, o que poderia significar que o Reino Unido poderia trabalhar a favor de si próprio, e contra os Estados Unidos.


Mas enfim, é diversão, não? É ficção. O crítico do Terra Magazine detestou o filme. Eu achei diversão garantida! Saúde! Se eu fosse um apreciador de coquetéis, brindaria com um martíni seco, agitado, não mexido.





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