quarta-feira, dezembro 23, 2009

José Simão vê o Natal em 2009

E sabe o que um Papai Noel de shopping pediu pro Papai Noel? Um emprego fixo. Rarará!”

Na coluna dele (José Simão), na Folha de São Paulo. Detalhe importante nas colunas do José Simão é este “Rarará”, a onomatopeia da risada :) .

Marcadores: , , , , ,

quarta-feira, dezembro 24, 2008

José Simão e o Papai Noel

Natal 2008! Estudo sociológico do ser humano no Natal. O ser humano se divide em quatro estágios. 1) Você acredita em Papai Noel. 2) Você não acredita mais em Papai Noel. 3) Você é o Papai Noel, se fantasia e anima a festa da família. 4) Você PARECE o Papai Noel!

Trecho da coluna de José Simão, o Macaco Simão, na Folha de São Paulo, de 19 de dezembro de 2008. É possível que isso já tenha sido publicado aqui no passado...

Marcadores: , , , , ,

Lévi-Strauss e Papai Noel

"Papai Noel vem em socorro de adultos"

Ensaio de Lévi-Strauss sobre o Natal, agora lançado, é exemplo de seu método e antecipa desenvolvimentos atuais da antropologia

RAFAEL CARIELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

A Cosac Naify acaba de publicar, oportunamente para as festas de fim de ano, um ensaio inédito em português do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss sobre o significado de Papai Noel e do Natal.
A empreitada pode parecer simpática, porém prosaica, à primeira vista. Trata-se, no entanto, de um lance de enorme pretensão de um dos maiores pensadores do século 20.
Publicado em 1952, "O Suplício do Papai Noel" procura aplicar os princípios metodológicos da antropologia estrutural, criada e testada na lida com outras sociedades, a uma prática moderna e ocidental.
Lévi-Strauss antecipava-se assim, em décadas, ao projeto de pensar as sociedades industrias a partir de suas relações e diferenças com as chamadas sociedades "primitivas" ou "tradicionais", projeto que tem sido levado à frente, mais recentemente, por figuras de ponta da disciplina, como o norte-americano Roy Wagner e a britânica Marilyn Strathern.
Papai Noel surge no início do ensaio, em notícia de jornal, com as barbas e o resto do corpo queimados. A Igreja Católica francesa, pouco depois do final da Segunda Guerra e incomodada com o crescimento em importância desta figura ao mesmo tempo pagã e norte-americana, andou promovendo umas cerimônias curiosas, em que ateava fogo ao barbudo, dentro de igrejas e diante de criancinhas órfãs.

Importância
A igreja, com sua experiência no assunto, não costuma errar ao atribuir valores significativos a manifestações sociais, diz o antropólogo francês. E o significado de Papai Noel e do Natal moderno são capitais, ele diz. Como compreendê-lo?
Primeira operação: nas festas natalinas, desde os tempos das comemorações pagãs em celebração do solstício de inverno e da "volta" gradual da vida após o auge da escuridão, as sociedades costumam perder, ao menos simbolicamente, a divisão tradicional que as caracteriza -em classes ou grupos sociais hierarquicamente diferenciados. Trata-se, afinal, de uma festa de "reunião e comunhão".
Lévi-Strauss faz aqui, explicitamente, uma aproximação entre o Natal e o Carnaval, no abandono temporário, ainda que simbólico e parcial, das distinções "verticais" de uma sociedade, o que pode em princípio causar alguma estranheza. É interessante, por isso mesmo, encontrar aproximação semelhante num artigo de 1940 escrito por Graciliano Ramos, recolhido no livro "Viventes das Alagoas" (Record).
"No interior, tudo é diferente", ele escreve. "Nem francês de barbas, nem árvore com frutos enrolados em papel de seda, poucas mesas fartas, ausência de piedade". Após chamar o Natal sertanejo de "festa profana", o escritor alagoano a descreve assim: "Uma grande feira, tem muito do carnaval e dos torneios artísticos".

Troca de distinções
Pois bem, em lugar da divisão socioeconômica e hierárquica, continua Lévi-Strauss, lança-se mão temporariamente de uma nova divisão simbólica: desta vez entre crianças, que receberão os presentes, e adultos, que trabalharão para a manutenção do segredo que cerca a não-existência de Papai Noel.
Cumpre ao velhinho, portanto, ao mesmo tempo separar (uns, adultos, conhecem a sua não-existência; outros, crianças, nele acreditam) e unir esses dois grupos (os presentes passarão de uns a outros por suas mãos).
Segunda operação: encontrar outras relações, diferentes da divisão original promovida por Papai Noel, que com ela se relacionarão, que darão sentido a essa divisão entre crianças e adultos. É isso, uma analogia, de certo modo a forma geral de qualquer significado, para Lévi-Strauss. Na troca de presentes, crianças e adultos estão em relação com o quê?
Com a morte e com a vida, para dizer de uma vez. Trata-se de uma questão desta magnitude, segundo o antropólogo. O trabalho do artigo será mostrar que as crianças podem justamente significar a morte (usando exemplos de outros costumes e festas, mas também apoiado na lógica de que ambos são figuras de um "outro", de uma alteridade em relação aos adultos, passando pela representação, mais fácil, de pequenos anjinhos), e que há um sentido em lhes dar presentes.
Colocando-as nesse "lugar simbólico", lugar que fica no além, garantimos, ainda que precariamente, nossa vaga do lado de cá, e reforçamos, digamos assim, nossa relação com a vida, esse valor constantemente ameaçado.
"Sem dúvida, há uma grande distância entre a prece aos mortos e a prece repleta de conjurações que, todos os anos e cada vez mais, dirigimos às crianças -encarnação tradicional dos mortos- para que, acreditando no Papai Noel, elas consintam em nos ajudar a acreditar na vida", escreve o antropólogo.
"A crença que inculcamos em nossos filhos de que os brinquedos vêm do além oferece um álibi ao movimento secreto que nos leva a ofertá-los ao além, sob o pretexto de dá-los às crianças. Dessa maneira, os presentes de Natal continuam a ser um verdadeiro sacrifício à doçura de viver, que consiste, em primeiro lugar, em não morrer."
Que lição se pode ainda extrair desse estranho conto de Natal? Lévi-Strauss nos apresenta, aqui e em toda a sua obra, uma dialética que não comporta síntese. O significado sempre une sem igualar, e distingue sem cindir. O encontro final entre termos, idéias e grupos relacionados -ou seja, o fim da diferença entre eles- representaria o fim da possibilidade de sentido ou, dito de forma mais dramática, a morte.
Gente que leu Lévi-Strauss a sério nos oferece hoje, tantos anos depois desse ensaio, as mais interessantes propostas interpretativas das sociedades industriais.
Leituras que conseguem evitar a pulsão de morte de certas dialéticas -de direita ou de esquerda- que buscam ou, pior, já encontraram, algum fim para a história.


O SUPLÍCIO DO PAPAI NOEL
Autor: Claude Lévi-Strauss
Tradução: Denise Bottmann
Editora: Cosac Naify
Quanto: R$ 25 (56 págs.)
Avaliação: ótimo

Texto da Folha de São Paulo, de 22 de dezembro de 2008.

Marcadores: , , , ,

quinta-feira, novembro 27, 2008

Fernando Gonsales, em tempos de Natal...

terça-feira, maio 29, 2007

Papai Noel

Hoje, quando saí para o almoço, e ia subindo a Caldas Júnior em direção à Riachuelo, eu vi o Papai Noel.
É estranho ver o Papai Noel em maio, mas se pensarmos no frio que estamos enfrentando por estes dias faz todo o sentido.
Apesar do frio, ele não estava usando sua roupa tradicional, vermelha com botas. Estava disfarçado. Olhando à primeira vista, parecia qualquer um. Vestia uma calça jeans, e uma jaqueta de couro tapando até o pescoço. Estava calçando um par daqueles tênis preto, que diziam antigamente que era para jogar futebol. Não consegui ver a marca. Quem olhasse para ele, veria um velhinho como qualquer outro. Mas aqueles cabelo e barba brancos não deixaram que ele me enganasse.
O Papai Noel estava usando uma muleta. Claro, esse negócio de entrar e sair das casas pela chaminé, só podia dar em acidente de trabalho. Garanto que se eu resolvesse perguntar, ele ia tentar me enganar com uns papinhos tipo "fui atropelado", ou "tô me recuperando de um derrame". Ah é... Vai nessa...
Como estava muito frio, com muito vento, passei por ele rapidamente sem puxar papo, apenas com os olhos fixos naqueles cabelo e barba inconfundíveis. E me perguntando - onde será que ele escondeu o trenó?

Marcadores: , ,