quarta-feira, outubro 15, 2008

Dia do Professor 2008: Que tal aprender bons motivos para comemorar esse dia?

Que tal aprender bons motivos para comemorar esse dia?

Heidi Strecker*
Especial para Página 3 Pedagogia & comunicação

· Quando eu era pequena, eu tinha um professor, no lugar de uma professora, como a maioria das crianças. Puxa, eu admirava meu professor. Parecia que ele sabia tudo! E o mais incrível, eu pensava, é que ele fazia uma força danada para a gente ficar sabendo aquelas coisas todas que ele já sabia.

Meu professor parecia muito grande, mas quem sabe fosse eu muito pequena.

Acontece que fui crescendo e continuei achando meus professores e professoras grandes. Por que será? A gente pensa que o professor nasce sabendo. Mas isso não é verdade. Ele tem que estudar anos e anos para poder ensinar aquelas coisas pra gente. Dizem também que professor tem muita paciência, paciência de Jó. Todo mundo admira o jeito que ele tem pra lidar com os alunos. O que muita gente não sabe é que é que ele estuda - e muito - o que deve fazer para prender a atenção da turma toda.

Tem professor que faz rir. A turma gargalha só de ver o jeito dele. Em compensação, tem professor tão sério que dá até medo de chegar perto. Fui descobrindo aos poucos que o professor também é como todo mundo, também fica chateado, tem preocupação, perde a paciência.

Você sabia que essa profissão é uma das mais antigas que existe? O filósofo grego Sócrates era professor de Platão, veja só. E isso foi há 25 séculos atrás! Sócrates não ensinava numa escola, mas em locais públicos, como praças e ginásios. Ele conversava com as pessoas, fazendo perguntas e provocando seus discípulos, o que os obrigava a pensar. E como!

No Brasil, antes da chegada dos portugueses, os índios também eram instruídos por meio de conversas e do exemplo de pessoas da família ou dos chefes da tribo. Quando chegaram os jesuítas, há quase 500 anos, fundaram as primeiras escolas brasileiras. Os mestres ensinavam os filhos dos índios a ler, escrever, contar e falar português, já pensou? Um dos primeiro professores no Brasil foi o padre jesuíta José de Anchieta.

Sem o professor, fica difícil imaginar como a cultura poderia se desenvolver e se disseminar. É o professor que revolve os valores e o conhecimento, passa os valores de uma geração para outra e ainda constrói novos conhecimentos com os seus alunos.

E como surgiu o dia do professor? Bem, um decreto de D. Pedro 1º, em 15 de outubro de 1827, definiu como deveriam ser as Escolas de Primeiras Letras em todo o Brasil. Essa lei dizia, entre outras coisas, o que deveria ser ensinado para meninos e meninas. Em 1963, um decreto do presidente João Goulart instituiu o dia 15 de outubro como dia do professor. Uma homenagem muito justa.

Sabe quantos professores tem o Brasil? Cerca de 2,4 milhões de professores, só na educação básica. Quase 80% trabalham na escola pública. Ensinam crianças pequenas nas creches e nas salas de alfabetização, ensinam nos programas de educação de jovens e adultos e também no ensino fundamental e médio. Tem professor que não acaba mais!

Além disso, temos também os outros professores. Professor de violino, professor de judô, professora de capoeira, professor de alemão, professora de faculdade, de pós-graduação. E tenha certeza: todo professor é também aluno, a vida inteira. Está sempre se aperfeiçoando, estudando, lendo e fazendo mais cursos. Não acaba nunca a formação do professor.

Mesmo assim, no Brasil o professor, em geral, não ganha aquilo que merece. É um grande problema, ele fica sem tempo, dá muitas aulas seguidas, não consegue se capacitar. O Brasil precisa cuidar bem do professor, você não acha?

*Heidi Strecker é filósofa e educadora.

Texto no UOL Educação.


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Mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados

Brasília - Mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados pela sociedade. O cenário não muda dentro da escola, onde 75% acha que a administração do colégio ou mesmo da secretaria de educação de sua cidade não reconhecem a importância da categoria. A constatação é da pesquisa "A Qualidade da Educação sob o Olhar do Professor", da Fundação SM e da Organização dos Estados Ibero-americanos. Mais de 8 mil professores em 19 Estados participaram do estudo.

"O fato de não serem valorizados [professores] como profissionais, sem perspectiva de bons salários ou de uma carreira, leva a um processo de desvalorização. Os jovens não procuram o magistério o que cria um efeito dominó", comenta o presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Roberto Leão.

Apesar da avaliação negativa sobre o reconhecimento da profissão, 67% dos professores disseram que não mudariam de profissão. "Esse percentual é muito bom. É mesmo uma profissão que envolve. Você está sempre em contato com o que tem de novo no mundo, que são as crianças e os jovens. Isso é importante, é gostoso", conta Leão.

Grau de satisfação
Outro tema avaliado pela pesquisa foi o grau de satisfação dos professores referente aos diferentes aspectos da escola, desde a infra-estrutura até o relacionamento com as famílias dos estudantes. Para 81,3% dos entrevistados, a relação do professor com seus alunos é o que traz mais satisfação.

Em todos os pontos avaliados, o nível de contentamento dos professores da rede particular é sempre maior do que os da pública. Sobre as instalações, equipamentos e materiais que a escola dispõe para otimizar as aulas, 84,1% dos professores da rede privada dizem estar satisfeitos, contra 47,3% da rede pública.

A professora Margarete Lopes vive as duas realidades. Ela dá aula de artes visuais em uma escola pública de Taguatinga - cidade do Distrito do Federal, distante 20 quilômetros de Brasília - e em um colégio particular da cidade. Projetores, DVD, televisão e Internet são alguns dos recursos que ela dispõe para dinamizar o ensino na instituição privada.

"Os recursos digitais influenciam muito no processo de aprendizado, porque hoje, em qualquer nível social, o estudante tem acesso a essas tecnologias. Se a escola também oferece esses meios, o resultado é mais positivo, atrai o aluno", avalia a professora. Na escola de Taguatinga, os recursos são mais limitados. "A gente tem projetor, TV, laboratório de informática, mas é um aparelho e eu não sou a única querendo usar", explica.

Além da questão estrutural, Margarete acredita que para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas é preciso que toda a sociedade se comprometa com a causa, além da vontade do governo. "A escola pública pode melhorar bastante a partir do momento em que as políticas educacionais sejam verdadeiramente compromissadas", acredita.

Texto do UOL Educação.

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sexta-feira, novembro 23, 2007

OS PROFESSORES LONGE DA SALA DE AULA

Editorial


OS PROFESSORES LONGE DA SALA DE AULA


Um estudo inédito elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que, com exceção das disciplinas de Física e de Química, há mais professores habilitados para ministrar aulas do que a demanda por esses profissionais de 5ª a 8ª série e no ensino médio. Nos últimos 25 anos, cerca de 1,2 milhão de professores se formaram e o aumento do número desses profissionais foi de 66% desde 2001. O problema é que a sala de aula não está nos planos desses licenciados, que acabam por encontrar em outras atividades seu reconhecimento profissional. Segundo o MEC, seriam necessários 725.991 novos professores para serem somados ao contingente atual, de 1,4 milhão em exercício. Mais de 70% dos formados trabalham em outra atividade.

Um exemplo do desequilíbrio na área é o curso de Educação Física. Somente 32 mil dos 63 mil que ministram aulas fizeram Licenciatura na área. Todavia, há um total de 195 mil graduados nessa disciplina nos últimos anos que optaram por trabalhar longe da sala de aula, em outras atividades nas quais percebem melhores salários e encontram melhores condições em seu ofício.

No RS, a situação não é diferente. Apesar do grande número de inscritos a cada concurso, muitos acabam por desistir assim que surge uma melhor oportunidade de emprego. Isso sem falar do uso dos chamados contratos emergenciais, que acabam por reproduzir relações precárias de trabalho e de renda.

Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, os potenciais professores não querem trabalhar num lugar que é um fracasso. Afirma que a revalorização da profissão é um dos pontos básicos do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em 2007.

Realmente, o cotidiano de um professor lhe exige uma dedicação ímpar, o que implicaria que ele tivesse bem mais condições para exercer sua imprescindível atividade. Infelizmente, a educação é a primeira a ser lembrada nos discursos eleitorais e a primeira a ser esquecida após as eleições. Não é demais lembrar que só com mais investimentos em educação o país terá um futuro mais digno para seu povo.

Editorial do Correio do Povo (para assinantes), de 21 de outubro de 2007.

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