sexta-feira, março 26, 2010

Lançamentos celebram 50 anos de Renato Russo

Lançamentos celebram 50 anos de Renato Russo


Se estivesse vivo, cantor faria aniversário neste sábado (27).


Álbum de duetos traz líder da extinta Legião Urbana em 15 encontros.


Henrique Porto

Do G1, no Rio


Se estivesse vivo, Renato Russo, líder do extinto grupo Legião Urbana, completaria 50 anos neste sábado (27). O aniversário será comemorado com novidades, entre eles um CD, um livro e uma produção para o cinema.


Nas livrarias, Renato é relembrado na obra “Como se não houvesse amanhã”. Organizado pelo escritor Henrique Rodrigues, o livro traz 20 histórias inspiradas em músicas da Legião Urbana, como "Tempo perdido" e "Eduardo e Mônica", cada uma escrita por um autor diferente.


O início da trajetória do ídolo morto em outubro de 1996 também será o tema do filme "Somos tão jovens", de Antônio Carlos Fontoura, que começa a ser rodado em Brasília, no segundo semestre.


Além disso, especiais de TV estão programados para este sábado. A MTV reprisa o "Acústico MTV Legião Urbana" e a entrevista feita por Zeca Camargo com Renato Russo, em 1993. Na TV Globo, o programa "Altas Horas", apresentado por Serginho Groisman, receberá Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, ex-companheiros de Renato na Legião, para falar sobre o grupo e tocar sucessos. Junto com Dado e Marcelo participarão os músicos Rogerio Flausino, Dinho Ouro-Preto, André Gonzáles, Fernando Catatau e Toni Platão.


"Duetos"


Na próxima semana, chega às lojas o álbum “Duetos” (EMI) que, entre registros já conhecidos e outros inéditos, traz Russo em 15 encontros em que divide os vocais com artistas como Dorival Caymmi, Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Marisa Monte e Cássia Eller.



Idealizador e produtor executivo do projeto, Marcelo Fróes conta como surgiu a ideia de compilar gravações antigas com novas montagens realizadas a partir de arquivos pessoais do cantor.


“Já existia a vontade de fazer algo assim há bastante tempo. Sempre soube que havia material em quantidade para se montar um álbum. Utilizei 25 fitas, todas muito bem guardadas, que digitalizei e ouvi em um estúdio. Passei alguns dias ouvindo tudo. Selecionei os takes de voz, escolhi as músicas e os artistas que seriam convidados. Tudo com a aprovação da família de Renato”, disse Fróes.



Fita avariada


Mas alguns dos duetos não foram tão simples de resgatar. “Celeste”, demo que Marisa Monte e o cantor gravaram juntos em dezembro de 1993. Na época, Marisa fazia a pré-produção de seu CD “Verde anil amarelo core de rosa e carvão”.


“Foi difícil nem tanto pela qualidade da gravação, mas sim pelo do estado de conservação físico da fita DAT, que é uma mídia bem frágil. A própria Marisa a localizou, e estava amassada. Tive que levar para um estúdio em São Paulo e recuperá-la. Ficamos todos com o coração na mão, sem saber se ia dar certo.


Mas deu. Em cima dessa demo, Marisa e o produtor Carlos Trilha trabalharam o arranjo e inseriram novos instrumentos. Mais tarde, essa canção se transformaria em “Soul parsifal”, lançada pela Legião no álbum ‘A tempestade’, em 1996”, explicou Fróes.


"Uma gata"


A faixa de abertura do CD, “Like a lover” (“O cantador”) permaneceu inédita por 15 anos. De autoria de Dori Caymmi e Nelson Motta — que ganhou uma versão em inglês nos anos 60 — foi finalizada com a voz de Fernanda Takai, da banda mineira Pato Fu.


“Esta é sobra do disco ‘Equilíbrio distante’, de 1995. Já havia sido gravada por Elis Regina na era dos festivais. Renato conhecia a versão em inglês, com o Sergio Mendes & Brasil 66, de um disco que ouvia quando criança. O take que utilizamos para compor este dueto tinha o Renato cantando alguns trechos e cantarolando outros. Então percebi que a voz dela poderia entrar justamente nestes momentos”, disse Fróes, explicando a participação da vocalista do Pato Fu no disco.


“Ele gostava muito do grupo e adorava a Fernanda. Era fã mesmo. Dizia que ela era uma gata, mas de uma forma divertida”, relembrou.


Ainda entre os duetos “virtuais”, em que convidados adicionaram voz posteriormente, a partir de gravações já existentes de Renato Russo, Fróes destaca a participação de Caetano Veloso em “Change partners”. A canção foi gravada por Tom Jobim e Frank Sinatra no álbum clássico lançado pelos dois em 1967.


“Caetano é a única voz masculina entre os duetos póstumos, produzidos por Clemente Magalhães. Em todos os outros tivemos cantoras”, destaca Fróes, listando Leila Pinheiro (“La solitudene”), a italiana Laura Pausini (“Strani amore”), Célia Porto (“Come fa un’onda”), além da supracitada Fernanda Takai.


O repertório de “Duetos” se completa com participações do vocalista da Legião Urbana em discos de outros artistas, como 14 Bis (“Mais uma vez”), Erasmo Carlos (“A carta”), Paulo Ricardo (“A cruz e a espada”), entre outros, além de gravações retiradas de especiais para a TV, caso dos encontros com Herbert Vianna durante “Paralamas & Legião”, produzido pela TV Globo, em 1988; e com a cantora Adriana Calcanhotto no programa “Por acaso”, apresentado por José Maurício Machline.


A parte burocrática do projeto, que envolve licenciamentos e autorizações e poderia atrapalhar na liberação de fonogramas e nas participações de outros cantores, foi bem menos complexa e traumática do que se poderia imaginar. A avaliação é do próprio produtor.


“Dá trabalho, mas a coisa melhorou muito de um tempo pra cá. Antes tudo era ‘não’, até segunda ordem. Porque qualquer coisa envolvia milhões em dinheiro. Hoje as pessoas estão tendo que se unir, porque o mercado acabou. Está enganado quem pensa que este projeto vai render muito dinheiro. Não existe mais isso. Infelizmente já não se vende mais o tanto que vendia antigamente”, lamenta.


"Hipocrisia"


Fróes também se adianta em responder aos críticos, que costumam rotular projetos como este de “caça-níqueis” e “oportunistas”.


“Levo essas porradas porque Renato Russo vende. Isso é uma hipocrisia. Aliás, considero uma grande sacanagem com ele. ‘Duetos’ não foi feito porque vende, e sim porque a família dele me conhece, porque existem fãs interessados em sua obra. E faço porque gosto dele”, desabafa Marcelo, comparando o resgate do espólio do cantor com outros trabalhos.


“Já fiz alguns projetos sobre Jackson do Pandeiro e ninguém nunca falou isso. E Jackson do Pandeiro vende. Aliás, vende muito. Mas nunca se preocuparam em falar mal. Mas é porque não sabem que vende muito ou porque não é famoso no Baixo Gávea”, pontua.


Para a alegria dos fãs, ele adianta que mais material referente ao vocalista da Legião Urbana deve ser editado ainda em 2010.


“Teremos mais coisas sim: sobras, curiosidades... Esse é o ano do Renato, né? Mas as últimas coisas inéditas, que são “Like a lover” e “Celeste”, soltamos no ‘Duetos’. Aguardem”.


Veja o repertório completo de "Duetos":

1 - "Like a lover", com Fernanda Takai

2 - "Celeste", com Marisa Monte

3 - "Vento no litoral", com Cássia Eller

4 - "Mais uma vez", com 14 Bis

5 - "A carta", com Erasmo Carlos"

6 - "A cruz e a espada", com Paulo Ricardo

7 - "Cathedral song/Catedral", com Zélia Duncan

8 - "Change partners", com Caetano Veloso

9 - "Strani amori", com Laura Pausini

10 - "La solitudine", com Leila Pinheiro

11 - "Come fa un'onda", com Célia Porto

12 - "Só louco", com Dorival Caymmi

13 - "Esquadros", com Adriana Calcanhotto

14 - "Nada por mim", com Herbert Vianna

15 - "Summertime", com Cida Moreira



Esta notícia é originária do G1.

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sábado, maio 02, 2009

Um abismo entre a Legião Urbana e os Paralamas do Sucesso e um crítico com jeito de fã

Um abismo entre a Legião Urbana e os Paralamas do Sucesso e um crítico com jeito de fã


A edição desta quarta-feira do jornal Folha de São Paulo, no caderno de cultura, o Ilustrada, traz um artigo de José Flávio Júnior, comentando o lançamento em DVD de um show realizado pelos dois grupos do título para TV Globo em setembro de 1988. O título do artigo dá o tom: “Programa de TV mostra abismo separando Legião e Paralamas”.


Que fique claro que eu não vi o tal show, em 1988, ou se o vi, por algum acaso, esta lembrança foi perdida em algum canto escondido do cérebro. Assim não posso, de fato, analisar a qualidade das performances dos dois grupos brasilienses surgidos na década de 1980.


Mas me espantou um pouco o tom de fã, mais do que de crítico, das palavras do autor. Sim, porque o palavreado é mais afeito aos fãs. O autor confronta o “concerto catastrófico” realizado pela Legião no estádio Mané Garrincha,meses antes, que acabou com 60 presos e 200 feridos, com a “fase mais brilhante” da carreira dos Paralamas na mesma época. Atenção para o tom da reverência.


Dois parágrafos adiante, o autor aponta a “grosseria dos músicos da Legião Urbana”, diz que “as atravessadas do baterista Marcelo Bonfá são especialmente constrangedoras”, e que a voz de Renato Russo é claudicante. Assim os shows da Legião Urbana estariam “sempre à beira do fiasco total”. Uau! Acho que o autor do artigo não tem grande apreço pela Legião Urbana.


Já “Os Paralamas do Sucesso, por seu turno, são matadores quando entram em cena” é a frase que inicia o parágrafo seguinte. E eu já imagino o autor se curvando em veneração ao trio de Alagados. Fala em celebridades globais “soltando a franga” durante a apresentação dos Paralamas, e cita a atriz Cláudia Abreu “comentando a alquimia musical da banda de Herbert Vianna”. Mais genuflexão. A versão dos Paralamas para "Depois que o Ilê Passar", do bloco afro baiano Ilê Aiyê, é outro “sinal de que os Paralamas estavam um passo adiante de seus colegas de rock”. E encerra o texto com o seguinte parágrafo: “Juntas, as bandas tocam "Ainda É Cedo" e "Nada por Mim". Mas isso é praticamente no fim do especial, quando já está mais do que nítido o abismo entre os dois grupos.” Está bom?


Pode ser que eu esteja enganado, e o tal show de fato mostre impressionantes diferença de performances entre os dois grupos. Mas até que possa ver e constatar o meu engano, o que escrevi acima é a minha impressão do autor.


Abaixo o artigo original para que cada leitor possa fazer sua própria avaliação:


Programa de TV mostra abismo separando Legião e Paralamas

Apresentação na Globo de 1988 que reuniu as 2 bandas tem lançamento em DVD

JOSÉ FLÁVIO JÚNIOR
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Muitos fãs da Legião Urbana cresceram com a certeza de que o especial exibido pela Rede Globo em 3 de setembro de 1988, reunindo a trupe de Renato Russo e Os Paralamas do Sucesso, era uma espécie de pedido de desculpa.
Em 18 de junho do mesmo ano, a Legião protagonizara um concerto catastrófico em Brasília, sua cidade natal. Dos 50 mil presentes no estádio Mané Garrincha, 60 terminaram presos e mais de 200, feridos. Renato foi incapaz de controlar a turba. Na cobertura da Globo, aliás, apareceu como o principal responsável pelo caos.
Mas essa era a visão dos fãs. O certo é que, na data de exibição do programa, a revoltada "Que País É Este?" era um dos rocks mais cantados pela juventude. E que os conterrâneos Paralamas viviam talvez a fase mais brilhante de sua carreira, com cinco LPs lançados e a pecha de clone do Police diluída pela influência de música brasileira na equação sonora.
Exibido apenas uma vez na TV, "Legião Urbana e Paralamas Juntos", com direção de Jodele Larcher, chega ao formato DVD na íntegra, com depoimentos de Fernando Gabeira, Bussunda e Tony Ramos intercalando as performances dos dois grupos.
De bônus, apresentações de Legião e Paralamas fazendo playback no "Globo de Ouro", o extinto programa musical da emissora, bem como o videoclipe de "Que País É Este?" feito para o "Fantástico". Um CD do especial acompanha o luxuoso pacote.
A apresentação evidencia a grosseria dos músicos da Legião Urbana -as atravessadas do baterista Marcelo Bonfá são especialmente constrangedoras, seja em "Será", "Tempo Perdido" ou "Tédio (Com um T Bem Grande pra Você)".
Renato Russo, com voz claudicante e um cachecol em volta do pescoço, também não ajuda. O que acaba ilustrando bem o que costumava ser uma apresentação da Legião: algo sempre à beira do fiasco total.

Um passo à frente
Os Paralamas do Sucesso, por seu turno, são matadores quando entram em cena. Na execução de "O Beco", dá para ver bem a audiência do teatro Fênix (no Rio), composta por algumas celebridades globais, "soltando a franga".
Pouco depois de "Alagados", a atriz Cláudia Abreu pinta no vídeo comentando a alquimia musical da banda de Herbert Vianna. Ela aponta, com precisão, que há levadas de lambada no som -e "Alagados" é basicamente isso: uma adaptação de fraseados do guitarrista paraense Mestre Vieira, que inventou a lambada nos anos 70.
Outro sinal de que os Paralamas estavam um passo adiante de seus colegas de rock é a versão de "Depois que o Ilê Passar", do bloco afro baiano Ilê Aiyê. Pena que a edição do programa tenha mutilado o número, deixando apenas 50 segundos para apreciação.
Juntas, as bandas tocam "Ainda É Cedo" e "Nada por Mim". Mas isso é praticamente no fim do especial, quando já está mais do que nítido o abismo entre os dois grupos.


Do caderno Ilustrada, na Folha de São Paulo, de 29 de abril de 2009.


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