sábado, outubro 02, 2010

Despedida de Solteiro...

Despedida de solteiro: tradição ou desculpa?

JOVEM DEMAIS ou não, você certamente já pensou em casamento. Talvez como um desejo para o futuro ou como algo a ser evitado de qualquer forma. Eu achava que nunca me casaria, mas aqui estou, feliz e casada.
Recentemente, uma amiga de 19 anos anunciou que iria se casar. Os pais dela gastaram uma fortuna na festa. Na noite anterior, ela postou no Facebook: "O que acontece em uma despedida de solteiro?". A pergunta ingênua vindo de uma menina prestes a se tornar esposa gerou uma discussão de 55 comentários. Um dos amigos do noivo deixou escapar a presença de garotas pagas na festa em São Paulo.
No dia seguinte, todos sabiam da notícia. Depois de ter feito o noivo admitir uma traição durante a bebedeira com os amigos, ela cancelou a cerimônia e postou: "Tradição ou desculpa furada?". Eu apoiei sua decisão. Se algum homem ou mulher entra em um casamento com a mentalidade de que a diversão acabou, então não há motivo para casamento.
Em vez de se lamentar, minha amiga celebrou: "Viva minha intuição, antes cedo do que tarde! Champanhe e bolo para todas as amigas!". O noivo, "muito bolado", parecia não acreditar. "Eu achei que não estava fazendo nada errado!", postou na sua página.
No passado, a tradição tinha uma finalidade específica: mulheres deviam se casar virgens e, até o dia da cerimônia, o noivo podia visitar casas de baixo meretrício, mas não podia brincar com a noiva. Com a data do casamento marcada, ele se despedia da esbórnia com um ritual de passagem.
Hoje em dia, quase ninguém se casa antes de transar. Na minha opinião de casada, além de a tradição ser uma desculpa para causar ou questionar a decisão, deve servir de alerta para qualquer noiva ou noivo a caminho do altar. Afinal, são tempos modernos, e as mulheres têm as mesmas oportunidades que os homens.

Texto de Mayra Dias Gomes, na Folhateen.

Além de um posicionamento indicando que os tempos são outros, que não os de, digamos, 1957, achei muito curioso que toda esta discussão tenha se dado via Facebook, e por aí tenha acabado uma promessa de casamento.

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quinta-feira, setembro 16, 2010

Aborto...

AS DISCUSSÕES sobre o aborto despertam o poeta que há em nós. Uma amiga disse-me hoje que era favorável ao aborto livre porque só existe vida, ser humano, "pessoa", quando existe um nome.
Entendo a metáfora: o feto converte-se em vida quando somos capazes de projetar uma identidade nele. Quando o feto deixa de ser feto e passa a ser, sei lá, Maria ou Manuel. Quando é, no fundo, desejado.
Em silêncio, ainda contemplei as vantagens de uma legislação que consagrasse essa espécie de "validade onomástica": os pais evitavam dar nome ao filho até os 12 ou 13 (anos, não meses) e esperavam para ver.
Se ele fosse um adolescente típico, com maus modos e péssima higiene, seria sempre possível despachar a "coisa", a inominada "coisa", para o outro mundo. E por que não?
Se o feto só é vida quando somos capazes de imaginar uma vida para ele e com ele, a própria noção de "vida humana" deixa de repousar nas mãos do mistério (evitemos referências ao patrão lá de cima) e passa a ser opção de cada um.
Como, na verdade, já é: podemos mascarar a discussão sobre o aborto com quilos de retórica social, feminista, criminal ou sanitária.
Mas a "liberalização do aborto" parte de uma atitude filosófica que consiste em "privatizar" a noção de vida humana.
Para uns, é Maria. Para outros, é um amontoado de células (benignas) que se remove como se removem as malignas. Caso encerrado.

Trecho da coluna de João Pereira Coutinho, na Folha de São Paulo, de 31 de agosto de 2010.

A coluna se chama “Abortos, Canibais e Peregrinos”, e como tal está dividida em três pedaços, o que está acima é sobre o aborto. Sobre canibais há um comentário sobre uma notícia (falsa) de um restaurante brasileiro em Berlim, que serviria carne humana aos clientes que se dispusessem a fazer uma refeição lá. Era “pegadinha”.

Sobre peregrinos ele relembra a comparação feita pelo historiador britânico Paul Johnson de que os fãs de ídolos pop de hoje são semelhantes aos crentes de outrora atrás de uma relíquia de santos e beatos. Ele comenta que um vaso sanitário de John Lennon recebeu oferta de 9.500 dólares em um leilão, e o vaso do escritor J. D. Salinger recebeu oferta de um milhão de dólares. Para Coutinho, isso ainda demonstraria a superioridade da literatura sobre a música pop no imaginário de seus fãs. Talvez, mas não penso que deva ser uma absoluta verdade...


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segunda-feira, outubro 19, 2009

Incêndio em Farmácia em Porto Alegre

Foi hoje, dia 19 de outubro, no final da tarde, no Bom Fim.
Um incêndio destruiu parcialmente a Farmácia Econômica que fica na junção da Av. Protásio Alves com a Osvaldo Aranha, bem em frente ao Hospital de Pronto-Socorro, mobilizando Bombeiros e tumultuando o trânsito nas imediações.



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segunda-feira, agosto 31, 2009

Produtor de "2012" vetou cena de destruição em Meca

Produtor de "2012" vetou cena de destruição em Meca

Para quem gosta de filmes-catástrofe, ver a própria cidade destruída em um blockbuster de Hollywood pode ser bem divertido. Afinal, ninguém aguenta mais ver Nova York indo pelos ares. Em "2012", que será lançado no fim do ano no Brasil e nos EUA, a estátua do Cristo, no Rio de Janeiro, e a Basílica de São Pedro, no Vaticano, se despedaçam enquanto São Francisco é engolida por um enorme cratera. O filme do diretor Roland Emmerich, o mesmo de "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã", se inspira em profecias maias que prevêem o fim do mundo no ano de 2012.

Em entrevista ao UOL Cinema, Harald Kloser, produtor e co-roteirista de "2012", disse que não tinha nenhuma predileção por destruir importantes símbolos católicos. "Queríamos retratar um situação em que as orações não pudessem frear os acontecimentos, porque a natureza é mais forte que a religião", disse Kloser.

"No nosso roteiro original, também prevíamos a destruição da Caaba [a construção mais sagrado para os muçulmanos, localizada no pátio da grande mesquita de Meca, na Arábia Saudita]. Mas eu disse para o Roland: ‘Não, eu não quero acabar sendo morto por causa disso'". Segundo Kloser, o filme mostra apenas orações ao redor do local.

Post do Blog de cinema do UOL.

Estou me tornando um velho intolerante.

Não sei o contexto das colocações deste produtor, mas adorei as duas frases citadas, em que diz que “queríamos retratar um situação em que as orações não pudessem frear os acontecimentos, porque a natureza é mais forte que a religião”, mas que a destruição de Meca foi vetada pois “eu não quero acabar sendo morto por causa disso”. Como sabemos crentes fanáticos e integristas são uma coisa totalmente fora da natureza, não dá nem para dizer que são aliens, teriam que vir de uma outra dimensão, afinal “a natureza é mais forte que a religião”.

Mas quem se importa com o que diz um produtor de cinema. Talvez ele só queira mesmo criar uma celeuma para vender mais entradas de cinema...


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sábado, maio 02, 2009

Um abismo entre a Legião Urbana e os Paralamas do Sucesso e um crítico com jeito de fã

Um abismo entre a Legião Urbana e os Paralamas do Sucesso e um crítico com jeito de fã


A edição desta quarta-feira do jornal Folha de São Paulo, no caderno de cultura, o Ilustrada, traz um artigo de José Flávio Júnior, comentando o lançamento em DVD de um show realizado pelos dois grupos do título para TV Globo em setembro de 1988. O título do artigo dá o tom: “Programa de TV mostra abismo separando Legião e Paralamas”.


Que fique claro que eu não vi o tal show, em 1988, ou se o vi, por algum acaso, esta lembrança foi perdida em algum canto escondido do cérebro. Assim não posso, de fato, analisar a qualidade das performances dos dois grupos brasilienses surgidos na década de 1980.


Mas me espantou um pouco o tom de fã, mais do que de crítico, das palavras do autor. Sim, porque o palavreado é mais afeito aos fãs. O autor confronta o “concerto catastrófico” realizado pela Legião no estádio Mané Garrincha,meses antes, que acabou com 60 presos e 200 feridos, com a “fase mais brilhante” da carreira dos Paralamas na mesma época. Atenção para o tom da reverência.


Dois parágrafos adiante, o autor aponta a “grosseria dos músicos da Legião Urbana”, diz que “as atravessadas do baterista Marcelo Bonfá são especialmente constrangedoras”, e que a voz de Renato Russo é claudicante. Assim os shows da Legião Urbana estariam “sempre à beira do fiasco total”. Uau! Acho que o autor do artigo não tem grande apreço pela Legião Urbana.


Já “Os Paralamas do Sucesso, por seu turno, são matadores quando entram em cena” é a frase que inicia o parágrafo seguinte. E eu já imagino o autor se curvando em veneração ao trio de Alagados. Fala em celebridades globais “soltando a franga” durante a apresentação dos Paralamas, e cita a atriz Cláudia Abreu “comentando a alquimia musical da banda de Herbert Vianna”. Mais genuflexão. A versão dos Paralamas para "Depois que o Ilê Passar", do bloco afro baiano Ilê Aiyê, é outro “sinal de que os Paralamas estavam um passo adiante de seus colegas de rock”. E encerra o texto com o seguinte parágrafo: “Juntas, as bandas tocam "Ainda É Cedo" e "Nada por Mim". Mas isso é praticamente no fim do especial, quando já está mais do que nítido o abismo entre os dois grupos.” Está bom?


Pode ser que eu esteja enganado, e o tal show de fato mostre impressionantes diferença de performances entre os dois grupos. Mas até que possa ver e constatar o meu engano, o que escrevi acima é a minha impressão do autor.


Abaixo o artigo original para que cada leitor possa fazer sua própria avaliação:


Programa de TV mostra abismo separando Legião e Paralamas

Apresentação na Globo de 1988 que reuniu as 2 bandas tem lançamento em DVD

JOSÉ FLÁVIO JÚNIOR
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Muitos fãs da Legião Urbana cresceram com a certeza de que o especial exibido pela Rede Globo em 3 de setembro de 1988, reunindo a trupe de Renato Russo e Os Paralamas do Sucesso, era uma espécie de pedido de desculpa.
Em 18 de junho do mesmo ano, a Legião protagonizara um concerto catastrófico em Brasília, sua cidade natal. Dos 50 mil presentes no estádio Mané Garrincha, 60 terminaram presos e mais de 200, feridos. Renato foi incapaz de controlar a turba. Na cobertura da Globo, aliás, apareceu como o principal responsável pelo caos.
Mas essa era a visão dos fãs. O certo é que, na data de exibição do programa, a revoltada "Que País É Este?" era um dos rocks mais cantados pela juventude. E que os conterrâneos Paralamas viviam talvez a fase mais brilhante de sua carreira, com cinco LPs lançados e a pecha de clone do Police diluída pela influência de música brasileira na equação sonora.
Exibido apenas uma vez na TV, "Legião Urbana e Paralamas Juntos", com direção de Jodele Larcher, chega ao formato DVD na íntegra, com depoimentos de Fernando Gabeira, Bussunda e Tony Ramos intercalando as performances dos dois grupos.
De bônus, apresentações de Legião e Paralamas fazendo playback no "Globo de Ouro", o extinto programa musical da emissora, bem como o videoclipe de "Que País É Este?" feito para o "Fantástico". Um CD do especial acompanha o luxuoso pacote.
A apresentação evidencia a grosseria dos músicos da Legião Urbana -as atravessadas do baterista Marcelo Bonfá são especialmente constrangedoras, seja em "Será", "Tempo Perdido" ou "Tédio (Com um T Bem Grande pra Você)".
Renato Russo, com voz claudicante e um cachecol em volta do pescoço, também não ajuda. O que acaba ilustrando bem o que costumava ser uma apresentação da Legião: algo sempre à beira do fiasco total.

Um passo à frente
Os Paralamas do Sucesso, por seu turno, são matadores quando entram em cena. Na execução de "O Beco", dá para ver bem a audiência do teatro Fênix (no Rio), composta por algumas celebridades globais, "soltando a franga".
Pouco depois de "Alagados", a atriz Cláudia Abreu pinta no vídeo comentando a alquimia musical da banda de Herbert Vianna. Ela aponta, com precisão, que há levadas de lambada no som -e "Alagados" é basicamente isso: uma adaptação de fraseados do guitarrista paraense Mestre Vieira, que inventou a lambada nos anos 70.
Outro sinal de que os Paralamas estavam um passo adiante de seus colegas de rock é a versão de "Depois que o Ilê Passar", do bloco afro baiano Ilê Aiyê. Pena que a edição do programa tenha mutilado o número, deixando apenas 50 segundos para apreciação.
Juntas, as bandas tocam "Ainda É Cedo" e "Nada por Mim". Mas isso é praticamente no fim do especial, quando já está mais do que nítido o abismo entre os dois grupos.


Do caderno Ilustrada, na Folha de São Paulo, de 29 de abril de 2009.


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