quarta-feira, novembro 03, 2010

Arqueologia vira arma política em Israel

Arqueologia vira arma política em Israel

Descobertas questionáveis de relíquias são usadas por nacionalistas para reforçar ocupação de áreas palestinas

Da mesma forma, palestinos negam que tenha havido templos antigos do judaísmo na cidade de Jerusalém

MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM

Com o Velho Testamento numa mão e a réplica de um antigo selo hebreu na outra, o jovem guia israelense incendeia a imaginação do grupo de turistas em Jerusalém.
"Aqui, estão as ruínas do palácio de Davi. Aqui, os profetas Jeremias e Isaías disseram suas palavras eternas", diz ele, diante das escavações na Cidade de Davi, parque multimídia que atrai 400 mil visitantes por ano.
Situado no bairro árabe de Siluan, um dos pontos mais sensíveis do conflito palestino-israelense, o parque também se transformou em foco de intensa polêmica no mundo da arqueologia.
Para muitos estudiosos do assunto em Israel, há abuso político da arqueologia no local para justificar o direito histórico dos judeus sobre a terra e o desalojamento de residentes palestinos.
No centro da polêmica está uma organização privada chamada Elad, também conhecida como Fundação Cidade de Davi, que controla as escavações em Siluan.
Criada por David Beeri, ex-comandante de uma unidade militar de elite, a Elad tem o objetivo declarado de aumentar a presença de judeus em Siluan.
Para isso, conta com doações de judeus milionários do exterior e as bênçãos do governo israelense e da prefeitura de Jerusalém.
O bairro fica na área de Jerusalém ocupada por Israel em 1967 e que os palestinos veem como parte de sua futura capital.
Aumentando a sensibilidade, a poucos passos dali está o ponto nevrálgico da disputa religiosa: Monte do Templo para os judeus, onde teriam sido erguidos e destruídos os dois templos sagrados, Esplanada das Mesquitas para os muçulmanos, onde o profeta Maomé teria subido aos céus.

NACIONALISMO
Com ordens judiciais ou comprando propriedades por meio de terceiros, a organização Elad instalou cerca de 500 colonos, cercados de forte segurança, no meio da população de 45 mil palestinos de Siluan, criando um foco de tensão permanente.
A arqueologia reforça o argumento dos colonos. Para eles, a "Bacia Sagrada", como também é conhecido o vale de Siluan, faz parte inseparável da história judaica.
Foi dali, afirmam, que o rei Davi unificou as tribos e converteu Israel num império, três milênios atrás.
Doron Spielman, porta-voz da Elad, não esconde a ligação entre arqueologia e nacionalismo. Ele explica que soldados israelenses são levados à Cidade de Davi para entender que a fundação de Israel representa a volta do povo judeu a sua origem.
Nos últimos anos, arqueólogos identificados com a direita exibiram descobertas que comprovariam as histórias da Bíblia, principalmente da época de Davi.
O caso mais proeminente é o de Eilat Mazar, da Universidade de Jerusalém. Em 2005, ela anunciou ter achado uma parede do palácio de Davi.
Neste ano, voltou ao noticiário ao encontrar resquícios de uma construção que diz ter sido obra do rei Salomão, no século 10 A.C.
Tais achados são questionados pela maioria dos arqueólogos de Israel, muitos deles frustrados com a inclusão da disciplina na agenda da direita nacionalista.

RELÍQUIAS NO ENTULHO
"Que deixem Abraão, Davi, e Salomão descansar em paz", diz Yoni Mizrahi, diretor do grupo Emek Shaveh, que prega a separação entre arqueologia e política. "A arqueologia não pode ser usada para provar posse".
A disputa pelo passado se estende ao outro lado do conflito. A liderança palestina nega que um dia existiram os templos sagrados do judaísmo em Jerusalém.
Em 1997, o fundo islâmico Waqf, que administra a Esplanada das Mesquitas, causou revolta em Israel ao retirar toneladas de terra do local numa escavação secreta. Mais tarde, foram achadas relíquias arqueológicas no entulho.
"Há absurdos de ambos os lados. Não há santos em Jerusalém", diz Israel Finkelstein, um dos mais respeitados arqueólogos israelenses. "Pelo bem da ciência, é preciso tirar a arqueologia do campo minado da política."

Notícia da Folha de São Paulo, de 1º de novembro de 2010.


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segunda-feira, maio 18, 2009

Bento 16, um papa político no Oriente Médio

Bento 16, um papa político no Oriente Médio

Stéphanie Le Bars

Três destinos sensíveis, quatro assuntos de peso. Durante uma semana e quase trinta discursos na Jordânia, em Israel e nos territórios palestinos ocupados, o papa Bento 16 tinha pelo menos sete boas razões para tropeçar. Não chegou nem perto. Bento 16 dominou de forma geral os aspectos geopolíticos da região, ainda que, ao longo da viagem que terminou na sexta-feira (15), ele não tenha conseguido evitar todos os obstáculos previsíveis em um contexto em que a religião tem parte com a política. Sem deixar de lado sua rigidez e seu registro de teólogo, o papa falou de política e se transformou em defensor do diálogo entre as religiões e as culturas.

Para essa 12ª viagem ao exterior, a agenda era ambiciosa. E o contexto, desfavorável. Bento 16 deveria promover o diálogo interreligioso com os muçulmanos, ainda mais com os judeus; incentivar a paz entre Israel e os territórios palestinos e pressionar pela criação de um Estado palestino; apoiar a presença de cristãos na região.

O diálogo entre islâmicos e cristãos, que se tornou uma grande aposta do pontificado desde a controvérsia suscitada pelo discurso do papa em Regensburgo (Baviera) - no qual os muçulmanos haviam entendido uma crítica ao Islã -, esteve no cerne da etapa jordaniana e da passagem por Jerusalém. Apesar das tentativas de recuperação política por parte de dirigentes muçulmanos, foram dados passos importantes. Só a visita ao Domo da Rocha, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, constitui um sinal significativo da confiança entre uma parte das elites muçulmanas e o Vaticano.

O balanço é menos positivo para as relações entre judeus e cristãos e para a imagem do papa na sociedade israelense. Bento 16, que supostamente deveria sanar um período de tensões com o mundo judeu, perturbado pela retirada da excomunhão do bispo negacionista Richard Williamson, perdeu uma boa chance, do ponto de vista israelense. Para alguns rabinos israelenses, seu discurso em Yad Vashem, distante demais, não chamou atenção o suficiente para o papel da Igreja no antissemitismo.

Esse conflito não questionará as relações que já existem entre judeus e cristãos, mas as declarações de boa vontade não serão o suficiente para remover, como esperava Bento 16 no começo da viagem, "os obstáculos para a reconciliação de cristãos e judeus".

O diálogo interreligioso, seja bilateral ou trilateral, está longe de estar maduro, apesar de uma vontade, bem compartilhada pelos dirigentes religiosos, de defendê-lo. A imagem do papa apertando a mão de um rabino e de um dignitário druso em Nazaré será uma das imagens-símbolo dessa viagem. Na essência, o papa quis chamar a atenção mais para os "valores comuns" às três religiões do que para as diferenças. Ainda que ele continue sem enveredar pelo caminho de um diálogo teológico, trata-se de uma evolução sensível para um papa que, no início de seu pontificado, havia considerado urgente eliminar o dicastério [subdivisão da cúria romana] encarregado do diálogo interreligioso. Ele o restabeleceu após a controvérsia de Regensburgo. Mesmo assim, as tensões e a desconfiança nesse terreno fazem pensar sobre a possibilidade de uma coexistência tranquila e duradoura.

Mas é na questão entre israelenses e palestinos que esse papa, normalmente tão pouco político, surpreendeu. A viagem, feita pouco mais de quatro meses depois da ofensiva israelense em Gaza e algumas semanas após a chegada de um novo governo israelense que está mais para "falcão" do que para "pomba", parecia minada. Os palestinos temiam que essa viagem acabasse constituindo uma carta branca dada à política israelense. O papa tinha "ciência" dessas dificuldades, segundo o porta-voz do Vaticano, e é preciso reconhecer que nada disso aconteceu.

Preocupado em conservar uma posição "equilibrada", Bento 16 evocou "a segurança de Israel" e condenou o "terrorismo", dando ao mesmo tempo sinais fortes de apoio e de compreensão aos palestinos; ele pediu com insistência pela criação de um Estado palestino. Com exceção da espinhosa questão de Jerusalém, classificada como "cidade da paz, lar espiritual para os judeus, cristãos e muçulmanos", e de sua reticência, ressaltada pelos palestinos, em falar de uma "ocupação" israelense, o papa não evitou quase nenhuma questão que seus anfitriões da Cisjordânia pudessem querer que ele levantasse.

Como um diplomata respeitoso das resoluções das Nações Unidas, ele evocou, às vezes com força, a situação em Gaza, as dificuldades causadas pelo muro de separação, a questão dos refugiados, o acesso aos lugares santos, os prisioneiros políticos... "Os muros podem ser derrubados", proclamou em Belém o papa alemão, surpreso com a descoberta do dispositivo construído por Israel a alguns meses do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Ainda que a palavra papal não tenha o peso da de um Barack Obama, essa esperança continuará sendo uma das frases-chave de sua viagem.

Em compensação, o encontro entre o papa e os cristãos do Oriente constitui um dos pontos fracos da viagem. Sua presença nas diversas missas, em Amã, Jerusalém ou Nazaré, muitas vezes foi ofuscada pela de milhares de peregrinos estrangeiros. O pedido que o papa lhes fez, de serem os vetores de paz e dos "construtores de pontes" pode parecer fora de sincronia em um contexto marcado por uma constante diminuição de seu número no local e das tensões entre as comunidades.

Tradução: Lana Lim

Notícia do Le Monde, reproduzida no UOL.

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Papa conclui delicada peregrinação à Terra Santa

Papa conclui delicada peregrinação à Terra Santa

JERUSALÉM, Israel (AFP) — O Papa Bento XVI concluiu nesta sexta-feira uma peregrinação de oito dias à Terra Santa durante a qual defendeu com firmeza a criação de um Estado palestino, tentou sanar feridas com os judeus e exigiu, em numerosas ocasiões, a paz para o Oriente Médio.

No avião que o levou de volta a Roma, que pousou no início da tarde no aeroporto de Ciampanino, o Papa declarou à imprensa que havia observado um "profundo desejo de paz" no Oriente Médio.

"Existem grandes dificuldades como vimos e ouvimos, mas também notamos um grande desejo de paz por parte de todos", acrescentou.

O Papa pediu durante a viagem a reconciliação entre palestinos e israelenses e, de forma clara, defendeu, sem hesitação, a criação de "dois Estados" como única saída para o conflito, durante a viagem mais política das 12 que realizou em quatro anos de pontificado, e que começou na Jordânia, prosseguindo por Israel e Cisjordânia.

"Que a solução de dois Estados seja uma realidade, que não seja um sonho", afirmou o Papa ao despedir-se do presidente israelense Shimon Peres e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, firme opositor dessa opção, nesta sexta-feira, no aeroporto Ben Gurión de Tel Aviv.

O Sumo Pontífice, que acabava de visitar o lugar onde Cristo nasceu e foi sepultado, reiterou, como "amigo de palestinos e israelenses", seu pedido de solução negociada.

"Apelo a todos os povos destas terras para que não se derrame mais sangue: Não mais combates, não mais terrorismo, não mais guerra!", clamou o Papa.

"Que se reconheça universalmente o direito à existência do Estado de Israel, para que viva em paz e seguro dentro de fronteiras internacionalmente aceitas", acrescentou.

Peres, por sua vez, convidou o Papa a "ajudá-lo a despojar o terrorismo de uma dimensão religiosa", enquanto que na véspera Netanyahu havia solicitado que "denunciasse com firmeza as ameaças do Irã de destruir Israel".

Sua comovente visita a um campo de refugiados palestinos, às portas de Belém, na Cisjordânia, durante a qual denunciou o embargo israelense a Gaza assim como o "trágico" muro de separação construído por Israel, perto de onde estava, foi considerado um dos momentos de mais emoção de sua viagem.

A visita do pontífice, de origem alemã, gerou também polêmica entre os judeus, que consideraram muito tímido seu discurso pronunciado no Memorial Yad Vashem, de recordação dos seis milhões de judeus vítimas do genocídio nazista.

No entanto, o Papa reiterou claramente sua condenação ao holocausto, para no dar lugar a dúvidas, depois da denúncia da imprensa israelense de que tivesse sido membro das Juventudes Hitlerianas, o que foi oficialmente desmentido pelo Vaticano.

O Papa recordou sua visita ao Memorial como "um dos momentos mais solenes" de sua estada de cinco dias a Israel e a comparou à realizada há três anos ao campo de extermínio de Auschwitz.

Bento XVI, que tirou os sapatos em Jerusalém, para entrar na Mesquita da Rocha - um dos lugares mais sagrados do Islã- e apertou as mãos de sobreviventes do Holocausto, deixou mensagem no Muro de Lamentações e se reuniu com os dois grandes rabinos.

Bento XVI teve palavras de aproximação com as outras religiões, em particular a muçulmana, e fez um apelo à unidade dos cristãos ante o patriarca greco-ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III.

Notícia da AFP, via Google.


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Papa lamenta na Galileia tensões entre cristãos e muçulmanos

Papa lamenta na Galileia tensões entre cristãos e muçulmanos

Bento XVI reafirma conceito de doutrina tradicional da Igreja sobre a família

As melopeias em baixo profundo das igrejas orientais, a voz grave por baixo da melodia que é cantada pelos chantres, marcou o final da missa presidida pelo Papa Bento XVI em Nazaré (Galileia, norte de Israel). Uma ocasião que o Papa encontrou para, perante cerca de 50 mil pessoas, deplorar as tensões dos últimos anos na região, entre cristãos e muçulmanos.

Nazaré é o lugar de referência maior para os cristãos da Terra Santa. Aqui viveu Jesus (para poucos investigadores, o Nazareno nasceu mesmo em Nazaré e não em Belém). Na Galileia ele viveu a maior parte dos seus dois a três anos de vida pública, antes de ir para Jerusalém, onde seria crucificado.

Por isso, os cristãos desta região norte de Israel sentem-se especialmente motivados com a presença do Papa em Nazaré. “Estamos muito contentes que o Papa nos venha visitar. Ele lembra-nos os tempos antigos em que vivemos com o homem Jesus Cristo de Nazaré: os discípulos, os apóstolos, eram todos desta região”, diz ao PÚBLICO o arcebispo da Igreja Católica Melquita, Elias Chacour.

Responsável máximo, na Galileia, da maior comunidade católica de Israel, com cerca de 76 mil crentes, Chacour saudou esta manhã o Papa no início da missa. “O santo padre vem como peregrino visitar os lugares santos e vem como pastor para visitar os cristãos e para os encorajar a ficar; uma palavra do Papa vale todos os discursos que os políticos possam fazer”, acrescenta o arcebispo.

Celebrada num grande anfiteatro ao ar livre, a missa foi, até agora, o maior momento de festa dos cristãos que vivem em Israel, na Palestina e em países vizinhos. Em Belém, ontem, Bento XVI já experimentara esse sentimento, mas a multidão de Nazaré suplantou os cerca de quatro ou cinco mil crentes que ontem estiveram no lugar onde a tradição diz que Jesus nasceu.

“Nos últimos anos, infelizmente, Nazaré conheceu tensões que feriram as relações entre cristãos e muçulmanos”, afirmou o Papa na homilia. “Que cada um rejeite o poder destruidor do ódio e os preconceitos, que levam a morte à alma das pessoas antes de matar os corpos.”

O Papa referiu-se ainda à família – a missa assinalava o encerramento do Ano da Família, proclamado pelos católicos da Galileia. Tomando o exemplo da família de Nazaré, Bento XVI referiu-se à doutrina tradicional da Igreja sobre o tema: a família está “fundada sobre a fidelidade de um homem e de uma mulher unidos para toda a vida na aliança do matrimónio”. Esta “verdade fundamental” deve ser redescoberta como “base da sociedade”, acrescentou.


Notícia de Publico, Portugal.


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Na Cisjordânia, papa defende criação de Estado Palestino

Na Cisjordânia, papa defende criação de Estado Palestino

O papa Bento 16 defendeu nesta quarta-feira a criação de um estado Palestino durante uma visita a Belém, na Cisjordânia, parte do giro de uma semana que realiza pelo Oriente Médio.

"A Santa Sé apoia o direito do seu povo a um território palestino soberano na terra de seus antepassados, em paz com seus vizinhos e dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente", disse o pontífice durante uma coletiva de imprensa na casa do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

O governo de Israel, comandado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, até agora vem se recusando a endossar a proposta para a criação de um Estado palestino.

O papa disse ainda que os palestinos deveriam resistir "à tentação de lançar mão de atos de violência".

Após a visita à casa do presidente palestino, o pontífice celebrou uma missa na Praça da Manjedoura, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo teria nascido.

Oração pelo fim do embargo

Durante a homilia, Bento 16 disse que seu coração "estava com aqueles atingidos pelo conflito em Gaza", e acrescentou "estar rezando pelo fim do embargo ao território palestino".

Apesar de a população cristã de Belém ter reduzido significativamente nos últimos anos, o papa teve uma recepção calorosa por parte de milhares de cristãos locais e peregrinos vindos de outros lugares do mundo.

Apesar do pesado esquema de segurança, o ambiente na Praça da Manjedoura era de tranquilidade, segundo o correspondente da BBC que acompanha a viagem do papa, David Willey.

O papa vai passar o seu terceiro dia de visita à Terra Santa em território palestino. Ainda nesta quarta-feira ele visita um campo de refugiados palestino em Belém, ao lado do muro construído por Israel na Cisjordânia.

O pontífice ainda deverá se reunir com representantes da pequena comunidade católica em Gaza, que obtiveram permissão especial pelas autoridades israelenses para viajar a Belém.

Texto da BBC Brasil.


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Prece em Belém

Muhammed Muheisen/Associated Press

PRECE
Meninas cristãs palestinas rezam na Igreja da Natividade, em Belém, Cisjordânia, erguida onde se acredita ter sido o local de nascimento de Jesus Cristo; o papa Bento 16, que ficará no Oriente Médio ao longo desta semana e visitou ontem a Jordânia, pediu aos cristãos da região que contribuam com a paz

Da Folha de São Paulo, em 11 de maio de 2009.

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quinta-feira, maio 14, 2009

Papa celebra missa para 40 mil em Nazaré

O papa Bento 16 chegou na manhã desta quinta-feira à cidade de Nazaré, no norte de Israel, e celebrou uma missa com a participação de cerca de 40 mil pessoas, perto do Monte do Precipício, de onde segundo a tradição cristã, Jesus foi atirado após um sermão.

Durante a missa, o papa usou o tema da Anunciação, pois Nazaré é considerada a cidade onde Maria foi informada do futuro nascimento de Jesus, para defender a "família tradicional, seguindo o exemplo da Sagrada Família".

A cidade de Nazaré investiu esforços significativos para se preparar para a visita de Bento 16. O anfiteatro no Monte do Precipício foi construído em menos de dois meses.

Árabes israelenses

Na visita à Nazaré, o papa se encontra com um segmento da população desta região que ainda não havia encontrado - os cidadãos árabes israelenses.

Nazaré é uma das maiores cidades árabes de Israel. Os árabes israelenses constituem cerca de 20% da população do país. Aproximadamente 10% deles são cristãos.

Os árabes israelenses têm uma identidade ambígua. A maioria se define como palestino. Muitos dos cidadãos árabes israelenses se dizem "palestinos de 48", ou seja, aqueles que permaneceram em Israel depois da guerra árabe-israelense de 1948, quando grande parte da população palestina foi expulsa ou fugiu, gerando o problema dos refugiados palestinos.

Durante a missa no Monte do Precipício, o bispo Elias Shakur falou dos problemas dos árabes cristãos em Israel e destacou o caso das aldeias cristãs de Birim e Ikrit, que foram destruídas pelas tropas israelenses em 1948.

Os moradores tornaram-se cidadãos israelenses depois da criação do Estado de Israel e exigem a devolução de suas terras.

Ainda nesta quinta-feira, o papa deverá se encontrar em Nazaré com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

Esse será o primeiro encontro mais longo dos dois líderes desde a chegada do pontífice à região, quando Netanyahu o recebeu no aeroporto internacional Ben Gurion.

Durante sua visita, o papa manifestou opiniões contrárias às posições do atual governo israelense em relação à solução do conflito com os palestinos.

Bento 16 defendeu a criação de um Estado Palestino independente e soberano, posição que o premiê Netanyahu não aceita.

Durante sua passagem pela cidade palestina de Belém, na terça-feira, o papa também criticou a barreira construída por Israel na Cisjordânia e solidarizou-se com os refugiados palestinos no campo de refugiados de Aida.

Notícia da BBC Brasil.

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terça-feira, maio 12, 2009

Xeque palestino interrompe discurso do Papa em Jerusalém

JERUSALÉM - O Papa Bento XVI teve seu discurso nesta segunda-feira interrompido por um xeque palestino durante um encontro para promover o diálogo entre muçulmanos, cristãos e judeus em Jerusalém. Sob os olhos espantados de representantes do Vaticano, do Patriarca Latino de Jerusalém, Fuad Twal e de membros do rabinato de Israel, o xeque palestino Taisir al-Tamimi, chefe das cortes islâmicas da Autoridade Nacional Palestina, interrompeu as palavras do Pontífice pedindo que Bento XVI atuasse por uma paz justa no Oriente Médio.

- Peço que veja uma paz justa. Uma paz justa significa um Estado Palestino em que Israel não mate mulheres e crianças e onde não se destruam mesquitas como em Gaza - gritou o xeque.

Diante do constrangimento, os convidados da platéia tentaram calá-lo, sem sucesso.

- Israel destrói cidades Palestinas e constrói assentamentos em terras Palestinas. Jerusalém vai ser sempre a capital do povo palestino. Espero que líderes de outras religiões defendam os palestinos e suas terras - bradou Tamimi, em árabe.

O Papa se limitou a observar a demonstração de fúria em silêncio e se retirou antes mesmo do fim da cerimônia oficial e da troca de presentes entre os participantes.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, tentou minimizar o incidente. Em nota divulgada à imprensa, ele criticou a postura do líder muçulmano e reiterou que a intervenção não fazia parte do cerimonial. Segundo ele, a atitude foi um revés ao objetivo do encontro e da promoção do diálogo.

- Esperamos que o incidente não manche a missão do Papa em promover a paz e o diálogo interreligioso, como já afirmara em diversas ocasiões. Esperamos ainda que o diálogo não seja prejudicado por este incidente - afirmou Lombardi.

Notícia de O Globo online.

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segunda-feira, maio 11, 2009

Católicos de Gaza esperam apoio de Bento XVI

Contentes com visita, católicos de Gaza esperam apoio de Bento 16

DO "FINANCIAL TIMES", NA CIDADE DE GAZA


Para a pequena comunidade católica da faixa de Gaza, a chegada do papa Bento 16 a Israel e à Cisjordânia, na semana que vem, oferece uma rara oportunidade de escapar, nem que por apenas um dia, à miséria de um território assolado pela guerra.
Como a maioria dos 286 católicos que vivem na faixa de Gaza, Jabrah al-Najjar, 61, solicitou permissão às autoridades israelenses para assistir à missa que o papa celebrará em Belém na quarta-feira. O governo israelense indicou que, para a ocasião, suspenderá as restrições de viagem severas que incidem sobre os moradores de Gaza, mas os líderes católicos antecipam que um máximo de 250 autorizações será concedido, e nem todas para católicos. Para Najjar, a espera pela autorização é atormentadora. Mas ele disse: "Estou extremamente feliz com a visita do papa. Para mim, significa amor, paz e irmandade".
A visita do papa oferece um raro momento de alegria para as pequenas e decrescentes comunidades católicas que restam em Israel e nos territórios palestinos. A menor delas é a de Gaza, onde 50 famílias católicas formam uma minoria dentro da minoria, já que respondem por apenas uma fração da comunidade cristã de 3.000 habitantes, dominada por membros da Igreja Ortodoxa Grega.
A recente ofensiva israelense contra Gaza significa que alguns cristãos esperam do papa palavras de condenação e protesto. A expectativa é que Bento 16 no mínimo coloque em destaque a situação desesperadora que os cristãos e os muçulmanos de Gaza enfrentam. O pequeno grupo de católicos de Gaza, que vive em meio a uma comunidade de 1,5 milhão de muçulmanos, governada pelo grupo islâmico Hamas, insiste em que as duas comunidades hoje vivem lado a lado em larga medida sem tensões, a despeito de ataques extremistas esporádicos a instituições cristãs.
Najjar aponta que os cristãos de Gaza não precisam trabalhar nas manhãs de domingo para que possam ir à missa. A comunidade pode importar vinho, a fim de celebrar a comunhão, e as mulheres cristãs podem andar na rua sem véus. "Nós [cristãos e muçulmanos] compartilhamos tudo, temos uma história comum, um futuro comum e uma luta comum contra a ocupação", diz Hussam al Taweel, líder da comunidade ortodoxa grega.
Para a decepção de muitos dos cristãos de Gaza, o papa não visitará em pessoa a sua pequena e problemática comunidade. Mas no mínimo, diz Taweel, os cidadãos de Gaza esperam que ele faça "um forte discurso político em defesa de nosso [palestino] direito à independência". Entre todos os lugares, este pequeno território, acrescenta, "precisa especialmente de seu cuidado e de sua proteção".


Tradução de PAULO MIGLIACCI

Texto da Folha de São Paulo, de 9 de maio de 2009.

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Papa chega a Tel Aviv em meio a tensão entre Vaticano e Israel

Papa chega a Tel Aviv em meio a tensão entre Vaticano e Israel

O papa Bento 16 desembarcou em Tel-Aviv na manhã desta segunda-feira, iniciando uma visita de cinco dias a Israel e aos territórios palestinos, definida pelo Vaticano como "peregrinação pela paz".

A visita, a primeira de Bento 16 à região, ocorre sob forte esquema de segurança e em um momento de tensão nas relações entre o Vaticano e Israel, por causa da recente suspensão da excomunhão do bispo católico britânico Richard Williamson, que negou o Holocausto.

Para garantir a segurança do papa, tanto Israel como a Autoridade Palestina prepararam fortes esquemas de segurança.

Em Israel, cerca de 80 mil policiais e agentes de segurança deverão participar da "Operação Batina Branca".

Durante a visita à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, a Guarda Presidencial, considerada a principal unidade de elite da Autoridade Palestina, será responsável pela segurança do papa.

'Caminho para a paz'

Ao receber o papa no aeroporto internacional Bem Gurion, em Tel Aviv, o presidente de Israel, Shimon Peres, disse esperar que a visita ajude a "pavimentar o caminho para a paz".

Em seu discurso na chegada, o papa mencionou a questão da criação do Estado palestino.

"Peço a todos os responsáveis que explorem todas as avenidas de possibilidades em busca de uma solução justa para as dificuldades pendentes", afirmou. "Para que ambos os povos possam viver em paz em uma terra própria dentro de fronteiras seguras e reconhecidas internacionalmente."

Bento 16 afirmou que Israel e o Vaticano têm muitos valores em comum, incluindo o desejo de colocar a religião em seu devido lugar na sociedade.

Ele disse ainda que rezaria pelos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto e prometeu combater o anti-semitismo em todo o mundo.

"Eu terei a oportunidade de honrar a memória dos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto", afirmou. "Infelizmente, o anti-semitismo continua a elevar sua feia cabeça em muitas partes do mundo. Isso é totalmente inaceitável", disse.

Holocausto

Em seu primeiro dia de peregrinação à Terra Santa, Bento 16 visita a cidade de Jerusalém, onde se reunirá com o presidente de Israel, Shimon Peres, visitará o Museu do Holocausto Yad Vashem e participará de um encontro inter-religioso.

A visita ao Museu do Holocausto deverá ser um momento particularmente delicado, por causa de atitudes recentes do papa ligadas ao Holocausto e que despertaram indignação em Israel.

A decisão de Bento 16 de suspender a excomunhão do bispo Richard Williamson gerou fortes protestos por parte de líderes políticos e religiosos do país.

Outra decisão polêmica foi a de aprovar a beatificação do papa Pio 12, acusado por vários historiadores de ser omisso em relação ao extermínio de seis milhões de judeus, pelo regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.

O diretor do Museu do Holocausto, Avner Shalev, afirmou esperar que, durante a visita, o papa "destaque a importância da memória do Holocausto no presente e também no futuro".

De acordo com Shalev, antes da visita o Vaticano tinha se comprometido a abrir, dentro de cinco anos, seus arquivos relativos ao período da Segunda Guerra Mundial, o que permitirá que pesquisadores esclareçam dúvidas sobre o Pio 12 e seu comportamento em relação ao Holocausto.

No segundo dia da visita, nesta terça-feira, o papa deverá se encontrar, em Jerusalém, com os principais líderes das religiões judaica e muçulmana.

Bento 16 irá à Cúpula da Rocha, na Esplanada das Mesquitas, considerado o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos e se encontrará com o Grão Mufti de Jerusalém , Akram A-Sabri.

Esse encontro também deverá ser particularmente sensível, por causa da grande indignação causada no mundo muçulmano pelo discurso do papa na Alemanha em 2006, em que estabeleceu uma correlação entre o Islamismo e a violência.

No discurso, Bento 16 citou um imperador bizantino que disse que Maomé só trouxe "coisas más e desumanas para o mundo".

O Movimento Islâmico em Israel, um dos principais grupos políticos da comunidade árabe que vive em Israel, convocou a população árabe a boicotar a visita do papa.

Equilíbrio

Na terça-feira o papa também deverá visitar o Muro das Lamentações, considerado o lugar mais sagrado da religião judaica, e depois se reunirá com os Rabinos Chefes de Israel.

O Patriarca Latino de Jerusalém e principal autoridade da Igreja Católica na região, Dom Fouad Twal, expressou preocupação com a visita do Bento 16.

"O que mais me preocupa é o discurso que o papa fará aqui", disse Twal ao jornal Haaretz. "Se ele disser uma palavra a mais em favor dos muçulmanos, terei problemas, ou uma palavra a mais em favor do judeus, também terei problemas. No final da visita ele voltará para Roma e eu ficarei aqui para arcar com as consequências".

"A Guerra de Gaza deixou uma tensão que dificulta muito a coordenação da visita entre israelenses e palestinos", acrescentou o patriarca.

Dom Fouad Twal também disse esperar que a visita do papa ajude a comunidade cristã na região.


Twal, que é responsável pela comunidade cristã na Terra Santa, incluindo Israel, os territórios palestinos e a Jordânia, disse que o problema concreto mais urgente que a Igreja Católica enfrenta nesta região são as restrições impostas pelo Exército israelense à liberdade de movimentação dos representantes da igreja.

"Nos pontos de checagem do Exército israelense na Cisjordânia nem a batina ajuda", afirmou.

"As barreiras e pontos de checagem dificultam a vida dos palestinos em geral e também de nossos padres e freiras. É difícil chegar aos hospitais, aos funerais, aos casamentos, todo o funcionamento da igreja é prejudicado".

Na quarta-feira o papa deverá visitar Belém, na Cisjordânia, onde fará uma missa na Praça da Manjedoura e se encontrará com o presidente palestino Mahmoud Abbas.

A quinta-feira será dedicada a uma visita à Basilica da Anunciação, em Nazaré e uma missa no Monte do Precipício.

A Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, será o último lugar que o papa visitará, na sexta-feira, antes de retornar a Roma.


A notícia é da BBC Brasil.

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