quarta-feira, novembro 03, 2010

Arqueologia vira arma política em Israel

Arqueologia vira arma política em Israel

Descobertas questionáveis de relíquias são usadas por nacionalistas para reforçar ocupação de áreas palestinas

Da mesma forma, palestinos negam que tenha havido templos antigos do judaísmo na cidade de Jerusalém

MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM

Com o Velho Testamento numa mão e a réplica de um antigo selo hebreu na outra, o jovem guia israelense incendeia a imaginação do grupo de turistas em Jerusalém.
"Aqui, estão as ruínas do palácio de Davi. Aqui, os profetas Jeremias e Isaías disseram suas palavras eternas", diz ele, diante das escavações na Cidade de Davi, parque multimídia que atrai 400 mil visitantes por ano.
Situado no bairro árabe de Siluan, um dos pontos mais sensíveis do conflito palestino-israelense, o parque também se transformou em foco de intensa polêmica no mundo da arqueologia.
Para muitos estudiosos do assunto em Israel, há abuso político da arqueologia no local para justificar o direito histórico dos judeus sobre a terra e o desalojamento de residentes palestinos.
No centro da polêmica está uma organização privada chamada Elad, também conhecida como Fundação Cidade de Davi, que controla as escavações em Siluan.
Criada por David Beeri, ex-comandante de uma unidade militar de elite, a Elad tem o objetivo declarado de aumentar a presença de judeus em Siluan.
Para isso, conta com doações de judeus milionários do exterior e as bênçãos do governo israelense e da prefeitura de Jerusalém.
O bairro fica na área de Jerusalém ocupada por Israel em 1967 e que os palestinos veem como parte de sua futura capital.
Aumentando a sensibilidade, a poucos passos dali está o ponto nevrálgico da disputa religiosa: Monte do Templo para os judeus, onde teriam sido erguidos e destruídos os dois templos sagrados, Esplanada das Mesquitas para os muçulmanos, onde o profeta Maomé teria subido aos céus.

NACIONALISMO
Com ordens judiciais ou comprando propriedades por meio de terceiros, a organização Elad instalou cerca de 500 colonos, cercados de forte segurança, no meio da população de 45 mil palestinos de Siluan, criando um foco de tensão permanente.
A arqueologia reforça o argumento dos colonos. Para eles, a "Bacia Sagrada", como também é conhecido o vale de Siluan, faz parte inseparável da história judaica.
Foi dali, afirmam, que o rei Davi unificou as tribos e converteu Israel num império, três milênios atrás.
Doron Spielman, porta-voz da Elad, não esconde a ligação entre arqueologia e nacionalismo. Ele explica que soldados israelenses são levados à Cidade de Davi para entender que a fundação de Israel representa a volta do povo judeu a sua origem.
Nos últimos anos, arqueólogos identificados com a direita exibiram descobertas que comprovariam as histórias da Bíblia, principalmente da época de Davi.
O caso mais proeminente é o de Eilat Mazar, da Universidade de Jerusalém. Em 2005, ela anunciou ter achado uma parede do palácio de Davi.
Neste ano, voltou ao noticiário ao encontrar resquícios de uma construção que diz ter sido obra do rei Salomão, no século 10 A.C.
Tais achados são questionados pela maioria dos arqueólogos de Israel, muitos deles frustrados com a inclusão da disciplina na agenda da direita nacionalista.

RELÍQUIAS NO ENTULHO
"Que deixem Abraão, Davi, e Salomão descansar em paz", diz Yoni Mizrahi, diretor do grupo Emek Shaveh, que prega a separação entre arqueologia e política. "A arqueologia não pode ser usada para provar posse".
A disputa pelo passado se estende ao outro lado do conflito. A liderança palestina nega que um dia existiram os templos sagrados do judaísmo em Jerusalém.
Em 1997, o fundo islâmico Waqf, que administra a Esplanada das Mesquitas, causou revolta em Israel ao retirar toneladas de terra do local numa escavação secreta. Mais tarde, foram achadas relíquias arqueológicas no entulho.
"Há absurdos de ambos os lados. Não há santos em Jerusalém", diz Israel Finkelstein, um dos mais respeitados arqueólogos israelenses. "Pelo bem da ciência, é preciso tirar a arqueologia do campo minado da política."

Notícia da Folha de São Paulo, de 1º de novembro de 2010.


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quinta-feira, outubro 21, 2010

Israel e Google publicarão na internet manuscritos do mar Morto com textos bíblicos

O departamento israelense de Antiguidades e o gigante americano da internet Google anunciaram nesta terça-feira o lançamento de um projeto para divulgar, na internet, os manuscritos do mar Morto, que contêm alguns dos mais antigos textos bíblicos.

Este plano, com um custo de US$ 3,5 milhões (2,5 milhões de euros), tem por objetivo disponibilizar gratuitamente esses documentos, que possuem cerca de 2.000 anos.

"É a descoberta mais importante do século 20 e vamos compartilhá-la com a tecnologia mais avançada do século 21", afirmou a responsável pelo projeto do departamento israelense de Antiguidades, Pnina Shor, em uma coletiva de imprensa em Jerusalém.

A administração israelense captará imagens em alta definição utilizando uma tecnologia multiespectral desenvolvida pela Nasa, a agência espacial americana.

As imagens serão, posteriormente, publicadas na internet pelo Google em uma base de dados e traduções dos textos colocadas à disposição.

"Todos os que possuem uma conexão à internet poderão acessar algumas das obras mais importantes da humanidade", disse o diretor do centro de pesquisa e desenvolvimento do Google em Israel, Yossi Mattias.

Shor afirmou que as primeiras imagens estarão disponíveis nos próximos meses e o projeto terminará em cinco anos.

Acredita-se que os 900 manuscritos encontrados entre 1947 e 1956 nas grutas de Qumran, no Mar Morto, constituem uma das descobertas arqueológicas mais importantes de todos os tempos. No material encontrado, há pergaminhos e papiros com textos religiosos em hebraico, aramaico e grego, assim como o Antigo Testamento mais velho que se conhece.


Notícia da Folha.com .

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sexta-feira, julho 17, 2009

Judeus convertidos do Peru fazem êxodo para Israel

Judeus convertidos do Peru fazem êxodo para Israel

Simom Romero
Em Iquitos (Peru)

Se algum dia Ronald Reategui Levy tornar-se o último judeu de Iquitos, isso poderá ser culpa dele próprio.

O sonho que ele procurou vigorosamente concretizar era persuadir os descendentes de mercadores sefardins que instalaram-se nesta região remota da Amazônia peruana há mais de um século a reafirmarem os seus vínculos com o judaísmo e emigrarem para Israel.

"Este lugar está ficando muito solitário", afirma Reategui Levy, 52, que é inspetor da companhia nacional de petróleo do Peru, referindo-se aos mais de 400 descendentes de pioneiros judeus que converteram-se formalmente ao judaísmo nesta década, incluindo 160 membros da sua família. Atualmente quase todos eles moram em Israel.

Até recentemente, um tal renascimento do judaísmo parecia algo improvável. A história dos judeus de Iquitos, que remonta ao boom da borracha do século 19 que transformou esta distante localidade amazônica em uma cidade que já foi próspera - famosa pelo mármore importado e por um teatro projetado por Gustave Eiffel - acabou quase esquecida.

Mas Reategui Levy e alguns outros indivíduos passaram a organizar os descendentes de dezenas de judeus oriundos de locais tão diversos como Marrocos, Gibraltar, Malta, Inglaterra e França, que instalaram-se aqui nas profundezas da selva, abrindo casas comerciais e seguindo a sorte em busca de riquezas e aventuras.

O comércio da borracha entrou em colapso, e as fortunas daqui e da cidade brasileira de Manaus, a jusante do rio, desapareceram. Alguns imigrantes judeus morreram novos, sucumbindo devido a doenças como a cólera. Alguns ficaram, casaram-se com mulheres da região e constituíram família. Outros voltaram para os locais de origem, deixando atrás descendentes que apegaram-se a uma crença de que eram judeus.

"Fiquei surpreso ao descobrir que em Iquitos havia esse grupo de pessoas desesperadas por restabelecerem contato com as suas raízes e com o mundo judaico mais amplo", diz Lorry Salcedo Mitrani, diretor de um novo documentário, "The Fire Within" ("O Fogo Interior"), sobre os judeus da Amazônia peruana.

Os estudiosos comparam os judeus daqui com grupos como os cripto-judeus hispânicos do sudoeste dos Estados Unidos e do norte do México, os lembas do sul da África ou os bene israels da Índia, que de várias maneiras procuraram retomar a sua identidade judaica que parecia ter ficado enfraquecida com o passar do tempo.

"Nós ficamos isolados durante muitas décadas, vivendo nas bordas da selva em uma sociedade católica sem rabinos nem sinagogas, na qual tudo o que tínhamos eram algumas ideias vagas sobre o que significava ser judeu", explica Reategui Levy. "Mas quando eu era criança, a minha mãe me disse algo que ficou queimando para sempre na minha mente: 'Você é judeu, e jamais esquecerá isso'".

Iquitos fica quatro graus de latitude ao sul da linha do Equador, e o acesso à cidade só é possível por barco ou avião. O isolamento, os casamentos mistos e a assimilação quase acabaram com todos os vestígios do judaísmo aqui. Fachadas de lojas com nomes judeus gravados em pedra como Foinquinos e Cohen, e um cemitério depredado por vândalos são alguns dos poucos sinais da comunidade que no passado prosperou aqui.

Mas no final da década de 1990, alguns desses descendentes, incluindo Reategui Levy, foram reunidos por Victor Edery, uma figura patriarcal que organizava cerimônias religiosas na sua própria casa, mantendo alguns costumes vivos, mesmo que isso fosse feito com a mistura de crenças judaicas e cristãs.

Entretanto, a existência dos judeus de Iquitos representou certos desafios filosóficos para alguns judeus de outras regiões. Como quase todos os judeus que estabeleceram-se originalmente aqui eram homens, os seus descendentes não podiam comprovar que tinham mães judias, um fato que os descartava como judeus segundo às interpretações estritas da lei judaica.

Além do mais, segundo alguns estudiosos, a comunidade judaica de cerca de 3.000 pessoas em Lima, a capital do Equador, preferiu ignorar os judeus de Iquitos, em parte devido às questões delicadas que os judeus daqui representavam no que diz respeito a raça e origens. Afinal, este é um país no qual uma pequena elite de pela clara ainda conta com um considerável poder econômico e político - e os judeus de Lima são muitas vezes vistos como uma elite dentro de uma elite.

"A ideia de um judeu que tem fisionomia indígena e que mora em uma casa pobre em uma cidade pequena no meio da selva é, na melhor das hipóteses, uma nota exótica de rodapé na história oficial dos judeus do Peru, da forma como essa história é vista em Lima", afirma Ariel Segal, um historiador israelense nascido na Venezuela, cuja chegada aqui na década de 1990 para estudar a comunidade foi um dos catalisadores que contribuiu para que os judeus de Iquitos se organizassem.

No início desta década, os judeus daqui estavam se reunindo para observar o sabá a cada sexta-feira e durante os dias sagrados na casa do patriarca, Edery. Depois que este morreu, eles passaram a reunir-se na Rua Próspero, na casa de Jorge Abramovitz, 60, cujo pai, um judeu polonês, mudou-se para cá bem depois do colapso do ciclo da borracha.

Embora não contassem com um rabino, eles realizavam os cultos em hebraico que aprenderam com fitas cassete. Eles limparam o cemitério e começaram a enterrar novamente os seus mortos lá. Eles persistiram na sua campanha para serem reconhecidos como judeus e receberem permissão para emigrar para Israel.

Finalmente, eles persuadiram Guillermo Bronstein, o principal rabino da maior sinagoga asquenaze de Lima, a supervisionar duas grandes iniciativas de conversão, abrindo desta forma o caminho para que centenas de indivíduos se mudassem para Israel. O êxodo incluiu quase todo o clã Levy, formado pelos descendentes de Joseph Levy, um aventureiro que estabeleceu-se aqui no século 19.

Reategui Levy, o inspetor de campos petrolíferos, mudou em 2005 com a mulher e seis filhos para Ramla, uma cidade poeirenta no sudeste de Tel Aviv. Mas, apesar de ter sonhado com a mudança durante décadas, ele diz que enfrentou problemas para adaptar-se à vida israelense.

Levy conta que passou a sentir saudade da casa com pés de cacau e de maracujá, bem como do status conferido pelo cargo de gerente da PetroPeru. Ele murmura algo, em uma voz que mal pode ser ouvida devido ao barulho das motocicletas da cidade, a respeito da perda da "chama do amor" com a sua mulher.

Portanto, ao contrário de quase todos os moradores de Iquitos que mudaram-se para Israel, Reategui Levy acabou retornando ao Peru, sozinho.

Ele ainda participa do sabá na casa de Abramovitz todas as semanas, juntamente com os cerca de 40 outros indivíduos que sonham em converter-se formalmente e mudar-se para Israel. Embora o número dessas pessoas tenha diminuído, ele as encoraja e conta-lhes histórias sobre a terra fértil das Colinas de Golã e a coragem do filho mais velho, Uri, que está no exército israelense.

Mas algo mantém Reategui Levy aqui em Iquitos, a mesma cidade decadente da selva que atraiu o seu tataravô de Tangier tantas décadas atrás. "A minha família, o meu coração e a minha alma, tudo o que prezo está em Israel", diz ele. "Talvez haja um motivo para eu ter voltado para cá".

Tradução: UOL

Texto do The New York Times, republicado no UOL.


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segunda-feira, maio 18, 2009

Bento 16, um papa político no Oriente Médio

Bento 16, um papa político no Oriente Médio

Stéphanie Le Bars

Três destinos sensíveis, quatro assuntos de peso. Durante uma semana e quase trinta discursos na Jordânia, em Israel e nos territórios palestinos ocupados, o papa Bento 16 tinha pelo menos sete boas razões para tropeçar. Não chegou nem perto. Bento 16 dominou de forma geral os aspectos geopolíticos da região, ainda que, ao longo da viagem que terminou na sexta-feira (15), ele não tenha conseguido evitar todos os obstáculos previsíveis em um contexto em que a religião tem parte com a política. Sem deixar de lado sua rigidez e seu registro de teólogo, o papa falou de política e se transformou em defensor do diálogo entre as religiões e as culturas.

Para essa 12ª viagem ao exterior, a agenda era ambiciosa. E o contexto, desfavorável. Bento 16 deveria promover o diálogo interreligioso com os muçulmanos, ainda mais com os judeus; incentivar a paz entre Israel e os territórios palestinos e pressionar pela criação de um Estado palestino; apoiar a presença de cristãos na região.

O diálogo entre islâmicos e cristãos, que se tornou uma grande aposta do pontificado desde a controvérsia suscitada pelo discurso do papa em Regensburgo (Baviera) - no qual os muçulmanos haviam entendido uma crítica ao Islã -, esteve no cerne da etapa jordaniana e da passagem por Jerusalém. Apesar das tentativas de recuperação política por parte de dirigentes muçulmanos, foram dados passos importantes. Só a visita ao Domo da Rocha, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, constitui um sinal significativo da confiança entre uma parte das elites muçulmanas e o Vaticano.

O balanço é menos positivo para as relações entre judeus e cristãos e para a imagem do papa na sociedade israelense. Bento 16, que supostamente deveria sanar um período de tensões com o mundo judeu, perturbado pela retirada da excomunhão do bispo negacionista Richard Williamson, perdeu uma boa chance, do ponto de vista israelense. Para alguns rabinos israelenses, seu discurso em Yad Vashem, distante demais, não chamou atenção o suficiente para o papel da Igreja no antissemitismo.

Esse conflito não questionará as relações que já existem entre judeus e cristãos, mas as declarações de boa vontade não serão o suficiente para remover, como esperava Bento 16 no começo da viagem, "os obstáculos para a reconciliação de cristãos e judeus".

O diálogo interreligioso, seja bilateral ou trilateral, está longe de estar maduro, apesar de uma vontade, bem compartilhada pelos dirigentes religiosos, de defendê-lo. A imagem do papa apertando a mão de um rabino e de um dignitário druso em Nazaré será uma das imagens-símbolo dessa viagem. Na essência, o papa quis chamar a atenção mais para os "valores comuns" às três religiões do que para as diferenças. Ainda que ele continue sem enveredar pelo caminho de um diálogo teológico, trata-se de uma evolução sensível para um papa que, no início de seu pontificado, havia considerado urgente eliminar o dicastério [subdivisão da cúria romana] encarregado do diálogo interreligioso. Ele o restabeleceu após a controvérsia de Regensburgo. Mesmo assim, as tensões e a desconfiança nesse terreno fazem pensar sobre a possibilidade de uma coexistência tranquila e duradoura.

Mas é na questão entre israelenses e palestinos que esse papa, normalmente tão pouco político, surpreendeu. A viagem, feita pouco mais de quatro meses depois da ofensiva israelense em Gaza e algumas semanas após a chegada de um novo governo israelense que está mais para "falcão" do que para "pomba", parecia minada. Os palestinos temiam que essa viagem acabasse constituindo uma carta branca dada à política israelense. O papa tinha "ciência" dessas dificuldades, segundo o porta-voz do Vaticano, e é preciso reconhecer que nada disso aconteceu.

Preocupado em conservar uma posição "equilibrada", Bento 16 evocou "a segurança de Israel" e condenou o "terrorismo", dando ao mesmo tempo sinais fortes de apoio e de compreensão aos palestinos; ele pediu com insistência pela criação de um Estado palestino. Com exceção da espinhosa questão de Jerusalém, classificada como "cidade da paz, lar espiritual para os judeus, cristãos e muçulmanos", e de sua reticência, ressaltada pelos palestinos, em falar de uma "ocupação" israelense, o papa não evitou quase nenhuma questão que seus anfitriões da Cisjordânia pudessem querer que ele levantasse.

Como um diplomata respeitoso das resoluções das Nações Unidas, ele evocou, às vezes com força, a situação em Gaza, as dificuldades causadas pelo muro de separação, a questão dos refugiados, o acesso aos lugares santos, os prisioneiros políticos... "Os muros podem ser derrubados", proclamou em Belém o papa alemão, surpreso com a descoberta do dispositivo construído por Israel a alguns meses do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Ainda que a palavra papal não tenha o peso da de um Barack Obama, essa esperança continuará sendo uma das frases-chave de sua viagem.

Em compensação, o encontro entre o papa e os cristãos do Oriente constitui um dos pontos fracos da viagem. Sua presença nas diversas missas, em Amã, Jerusalém ou Nazaré, muitas vezes foi ofuscada pela de milhares de peregrinos estrangeiros. O pedido que o papa lhes fez, de serem os vetores de paz e dos "construtores de pontes" pode parecer fora de sincronia em um contexto marcado por uma constante diminuição de seu número no local e das tensões entre as comunidades.

Tradução: Lana Lim

Notícia do Le Monde, reproduzida no UOL.

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Papa conclui delicada peregrinação à Terra Santa

Papa conclui delicada peregrinação à Terra Santa

JERUSALÉM, Israel (AFP) — O Papa Bento XVI concluiu nesta sexta-feira uma peregrinação de oito dias à Terra Santa durante a qual defendeu com firmeza a criação de um Estado palestino, tentou sanar feridas com os judeus e exigiu, em numerosas ocasiões, a paz para o Oriente Médio.

No avião que o levou de volta a Roma, que pousou no início da tarde no aeroporto de Ciampanino, o Papa declarou à imprensa que havia observado um "profundo desejo de paz" no Oriente Médio.

"Existem grandes dificuldades como vimos e ouvimos, mas também notamos um grande desejo de paz por parte de todos", acrescentou.

O Papa pediu durante a viagem a reconciliação entre palestinos e israelenses e, de forma clara, defendeu, sem hesitação, a criação de "dois Estados" como única saída para o conflito, durante a viagem mais política das 12 que realizou em quatro anos de pontificado, e que começou na Jordânia, prosseguindo por Israel e Cisjordânia.

"Que a solução de dois Estados seja uma realidade, que não seja um sonho", afirmou o Papa ao despedir-se do presidente israelense Shimon Peres e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, firme opositor dessa opção, nesta sexta-feira, no aeroporto Ben Gurión de Tel Aviv.

O Sumo Pontífice, que acabava de visitar o lugar onde Cristo nasceu e foi sepultado, reiterou, como "amigo de palestinos e israelenses", seu pedido de solução negociada.

"Apelo a todos os povos destas terras para que não se derrame mais sangue: Não mais combates, não mais terrorismo, não mais guerra!", clamou o Papa.

"Que se reconheça universalmente o direito à existência do Estado de Israel, para que viva em paz e seguro dentro de fronteiras internacionalmente aceitas", acrescentou.

Peres, por sua vez, convidou o Papa a "ajudá-lo a despojar o terrorismo de uma dimensão religiosa", enquanto que na véspera Netanyahu havia solicitado que "denunciasse com firmeza as ameaças do Irã de destruir Israel".

Sua comovente visita a um campo de refugiados palestinos, às portas de Belém, na Cisjordânia, durante a qual denunciou o embargo israelense a Gaza assim como o "trágico" muro de separação construído por Israel, perto de onde estava, foi considerado um dos momentos de mais emoção de sua viagem.

A visita do pontífice, de origem alemã, gerou também polêmica entre os judeus, que consideraram muito tímido seu discurso pronunciado no Memorial Yad Vashem, de recordação dos seis milhões de judeus vítimas do genocídio nazista.

No entanto, o Papa reiterou claramente sua condenação ao holocausto, para no dar lugar a dúvidas, depois da denúncia da imprensa israelense de que tivesse sido membro das Juventudes Hitlerianas, o que foi oficialmente desmentido pelo Vaticano.

O Papa recordou sua visita ao Memorial como "um dos momentos mais solenes" de sua estada de cinco dias a Israel e a comparou à realizada há três anos ao campo de extermínio de Auschwitz.

Bento XVI, que tirou os sapatos em Jerusalém, para entrar na Mesquita da Rocha - um dos lugares mais sagrados do Islã- e apertou as mãos de sobreviventes do Holocausto, deixou mensagem no Muro de Lamentações e se reuniu com os dois grandes rabinos.

Bento XVI teve palavras de aproximação com as outras religiões, em particular a muçulmana, e fez um apelo à unidade dos cristãos ante o patriarca greco-ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III.

Notícia da AFP, via Google.


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Na Cisjordânia, papa defende criação de Estado Palestino

Na Cisjordânia, papa defende criação de Estado Palestino

O papa Bento 16 defendeu nesta quarta-feira a criação de um estado Palestino durante uma visita a Belém, na Cisjordânia, parte do giro de uma semana que realiza pelo Oriente Médio.

"A Santa Sé apoia o direito do seu povo a um território palestino soberano na terra de seus antepassados, em paz com seus vizinhos e dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente", disse o pontífice durante uma coletiva de imprensa na casa do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

O governo de Israel, comandado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, até agora vem se recusando a endossar a proposta para a criação de um Estado palestino.

O papa disse ainda que os palestinos deveriam resistir "à tentação de lançar mão de atos de violência".

Após a visita à casa do presidente palestino, o pontífice celebrou uma missa na Praça da Manjedoura, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo teria nascido.

Oração pelo fim do embargo

Durante a homilia, Bento 16 disse que seu coração "estava com aqueles atingidos pelo conflito em Gaza", e acrescentou "estar rezando pelo fim do embargo ao território palestino".

Apesar de a população cristã de Belém ter reduzido significativamente nos últimos anos, o papa teve uma recepção calorosa por parte de milhares de cristãos locais e peregrinos vindos de outros lugares do mundo.

Apesar do pesado esquema de segurança, o ambiente na Praça da Manjedoura era de tranquilidade, segundo o correspondente da BBC que acompanha a viagem do papa, David Willey.

O papa vai passar o seu terceiro dia de visita à Terra Santa em território palestino. Ainda nesta quarta-feira ele visita um campo de refugiados palestino em Belém, ao lado do muro construído por Israel na Cisjordânia.

O pontífice ainda deverá se reunir com representantes da pequena comunidade católica em Gaza, que obtiveram permissão especial pelas autoridades israelenses para viajar a Belém.

Texto da BBC Brasil.


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sábado, maio 16, 2009

Papa diz desejar que muro na Cisjordânia "caia logo"

Papa diz desejar que muro na Cisjordânia "caia logo"

Em visita a Belém, Bento 16 também criticou embargo israelense à faixa de Gaza

Pontífice disse entender a preocupação de Israel com própria segurança e exortou jovens palestinos a não usar de violência e terrorismo


DA REDAÇÃO

Em visita a Belém (Cisjordânia), cidade administrada pela Autoridade Nacional Palestina, o papa Bento 16 defendeu ontem vários temas caros aos palestinos em seu enfrentamento político com Israel.
Pela segunda vez em sua viagem de uma semana à Terra Santa, Bento 16 apoiou a existência do Estado palestino.
O pontífice também se referiu especificamente ao muro erguido na região, para controlar o acesso de palestinos a Jerusalém e outras partes de Israel, condenando a construção "que invade seus territórios, separando vizinhos e dividindo famílias".
Em sua escala na cidade em que, segundo a Bíblia, Jesus Cristo nasceu, o papa disse que "embora muros possam ser facilmente construídos, sabemos que não duram para sempre".
"Muros podem ser derrubados. Antes, no entanto, é preciso desfazer os muros que construímos ao redor de nossos corações", afirmou. "Meu desejo para vocês, povo da Palestina, é de que isso aconteça logo."
No discurso feito em uma escola num campo de refugiados, Bento 16 disse que o muro, logo ao lado, era o símbolo do impasse nas relações entre israelenses e palestinos.
Completando o pacote de declarações caras aos palestinos, o papa afirmou que rezava para que o embargo que Israel impõe à faixa de Gaza, governada pelo grupo radical Hamas, "fosse suspenso em breve". Em janeiro, cerca de 1.400 pessoas foram mortas ali em ofensiva do Exército israelense.

"Frieza"
Embora sem tomar partido nas disputas locais e tendo lembrado que é preciso abrir mão do uso de violência, a mensagem do líder católico na peregrinação que se iniciou na última sexta-feira foi muito mais bem recebida entre muçulmanos do que entre judeus.
Desde segunda-feira Bento 16 tem sido criticado em Israel pelo que muitos viram como uma atitude de "frieza" ao visitar o Memorial do Holocausto e por não ter pedido desculpas explícitas por atos da Igreja Católica e pela responsabilidade da Alemanha nazista no assassinato em massa de judeus.
Sua defesa do Estado palestino também desagrada ao governo do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que se opõem à solução encampada pela ONU.
Falando aos palestinos, Bento 16 disse compreender que eles se sintam frequentemente "frustrados": "Suas aspirações legítimas por um lar permanente, por um Estado palestino independente, continuam insatisfeitas". No entanto, reconheceu que há razões para as preocupações com segurança de Israel e pediu que a população local não lance mão de "atos de violência ou de terrorismo" como consequência de seu sentimento de frustração.
"Nos dois lados do muro, é necessária uma grande coragem para que se possa superar o medo e a desconfiança."

Com agências internacionais

Notícia publicada na Folha de São Paulo, de 14 de maio de 2009.

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sexta-feira, maio 15, 2009

Filmes de Israel contrastam com realidade beligerante

Filmes de Israel contrastam com realidade beligerante

"Valsa com Bashir" é exibido em um momento crucial do conflito no país

NEWTON CARLOS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Filmes recentes de Israel contrastam com a beligerância da sociedade israelense, como ficou claro nas últimas eleições. Pacifismo, chamados à convivência, oposição ao confronto, já muitas vezes com emprego de força militar, são traços comuns a esses filmes, pelo menos aos que têm chegado por aqui.
Ao mesmo tempo se informa que foram fabricadas, por encomenda do Exército de Israel, camisetas com os dizeres "Um tiro e dois mortos". Como espécie de legenda gráfica, foi impresso, embaixo, o desenho de uma muçulmana grávida.
Outros dizeres são "Confirmar a morte". Trocando em miúdos, disparar à queima-roupa nas cabeças de feridos. "Minha maior preocupação é a perda de humanidade em guerras prolongadas", disse o chefe do Estado-Maior do Exército de Israel. A informação é a de que as camisetas são usadas unicamente nos quartéis, não nas ruas, à vista da população.
Também ficou confinado aos quartéis outro fato com igual gravidade. A presença de rabinos, junto aos soldados, no limiar da invasão de Gaza, pregando uma guerra religiosa e não de segurança nacional, de reação aos foguetes disparados pelo Hamas, na versão oficial.
O que se vê em filmes como "Lemon Tree" e "A Banda", recém-exibidos em SP, e "Valsa com Bashir", em cartaz nos cinemas, é como se fora o outro lado de uma mesma moeda.
No primeiro, uma plantação de limões de uma palestina, junto à casa do ministro da Defesa de Israel, deve ser derrubada, porque é fichada como ameaça terrorista. Mas as trocas de olhares entre a dona dos limões e a mulher da alta autoridade refletem uma comunhão de angústias diante de tamanho absurdo. Por que não conviver em paz? É a pergunta da própria mulher do ministro.
O arrazoado belicista do marido se limita a uma única e fatigada linha de pensamento, a de uma impossibilidade milenar. A tonalidade forte é a troca de olhares entre elas, como se não pudessem falar entre si.

Demônios
Exorcizar demônios, foi como um crítico tratou "Bashir". O diretor Ari Folman estaria prestando um serviço ao seu país, e essa seria sua convicção, mostrando a responsabilidade de Israel no massacre num campo de refugiados palestinos no Líbano em 1982. Bashir foi um cruzado cristão eleito presidente libanês e assassinado.
Seus falangistas, com a complacência do Exército invasor, o de Israel, executaram a matança. Não faltou a figura de Ariel Sharon, comandante da invasão, mais tarde primeiro-ministro, hoje em vida vegetativa.
Cálculos variando entre 328 e 3.500 assassinados. Os depoentes e o que eles dizem são superpostos por desenhos, casando palavras e as ações correspondentes. O que é visto como redefinição do gênero documentário. É exibido numa hora crucial. Ou Israel, acusado pela ONU e pela Human Rights Watch de crimes de guerra, aceita a criação de um Estado palestino ou nada feito.

Texto publicado na Folha de São Paulo, de 6 de maio de 2009.


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terça-feira, maio 12, 2009

Xeque palestino interrompe discurso do Papa em Jerusalém

JERUSALÉM - O Papa Bento XVI teve seu discurso nesta segunda-feira interrompido por um xeque palestino durante um encontro para promover o diálogo entre muçulmanos, cristãos e judeus em Jerusalém. Sob os olhos espantados de representantes do Vaticano, do Patriarca Latino de Jerusalém, Fuad Twal e de membros do rabinato de Israel, o xeque palestino Taisir al-Tamimi, chefe das cortes islâmicas da Autoridade Nacional Palestina, interrompeu as palavras do Pontífice pedindo que Bento XVI atuasse por uma paz justa no Oriente Médio.

- Peço que veja uma paz justa. Uma paz justa significa um Estado Palestino em que Israel não mate mulheres e crianças e onde não se destruam mesquitas como em Gaza - gritou o xeque.

Diante do constrangimento, os convidados da platéia tentaram calá-lo, sem sucesso.

- Israel destrói cidades Palestinas e constrói assentamentos em terras Palestinas. Jerusalém vai ser sempre a capital do povo palestino. Espero que líderes de outras religiões defendam os palestinos e suas terras - bradou Tamimi, em árabe.

O Papa se limitou a observar a demonstração de fúria em silêncio e se retirou antes mesmo do fim da cerimônia oficial e da troca de presentes entre os participantes.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, tentou minimizar o incidente. Em nota divulgada à imprensa, ele criticou a postura do líder muçulmano e reiterou que a intervenção não fazia parte do cerimonial. Segundo ele, a atitude foi um revés ao objetivo do encontro e da promoção do diálogo.

- Esperamos que o incidente não manche a missão do Papa em promover a paz e o diálogo interreligioso, como já afirmara em diversas ocasiões. Esperamos ainda que o diálogo não seja prejudicado por este incidente - afirmou Lombardi.

Notícia de O Globo online.

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segunda-feira, maio 11, 2009

Católicos de Gaza esperam apoio de Bento XVI

Contentes com visita, católicos de Gaza esperam apoio de Bento 16

DO "FINANCIAL TIMES", NA CIDADE DE GAZA


Para a pequena comunidade católica da faixa de Gaza, a chegada do papa Bento 16 a Israel e à Cisjordânia, na semana que vem, oferece uma rara oportunidade de escapar, nem que por apenas um dia, à miséria de um território assolado pela guerra.
Como a maioria dos 286 católicos que vivem na faixa de Gaza, Jabrah al-Najjar, 61, solicitou permissão às autoridades israelenses para assistir à missa que o papa celebrará em Belém na quarta-feira. O governo israelense indicou que, para a ocasião, suspenderá as restrições de viagem severas que incidem sobre os moradores de Gaza, mas os líderes católicos antecipam que um máximo de 250 autorizações será concedido, e nem todas para católicos. Para Najjar, a espera pela autorização é atormentadora. Mas ele disse: "Estou extremamente feliz com a visita do papa. Para mim, significa amor, paz e irmandade".
A visita do papa oferece um raro momento de alegria para as pequenas e decrescentes comunidades católicas que restam em Israel e nos territórios palestinos. A menor delas é a de Gaza, onde 50 famílias católicas formam uma minoria dentro da minoria, já que respondem por apenas uma fração da comunidade cristã de 3.000 habitantes, dominada por membros da Igreja Ortodoxa Grega.
A recente ofensiva israelense contra Gaza significa que alguns cristãos esperam do papa palavras de condenação e protesto. A expectativa é que Bento 16 no mínimo coloque em destaque a situação desesperadora que os cristãos e os muçulmanos de Gaza enfrentam. O pequeno grupo de católicos de Gaza, que vive em meio a uma comunidade de 1,5 milhão de muçulmanos, governada pelo grupo islâmico Hamas, insiste em que as duas comunidades hoje vivem lado a lado em larga medida sem tensões, a despeito de ataques extremistas esporádicos a instituições cristãs.
Najjar aponta que os cristãos de Gaza não precisam trabalhar nas manhãs de domingo para que possam ir à missa. A comunidade pode importar vinho, a fim de celebrar a comunhão, e as mulheres cristãs podem andar na rua sem véus. "Nós [cristãos e muçulmanos] compartilhamos tudo, temos uma história comum, um futuro comum e uma luta comum contra a ocupação", diz Hussam al Taweel, líder da comunidade ortodoxa grega.
Para a decepção de muitos dos cristãos de Gaza, o papa não visitará em pessoa a sua pequena e problemática comunidade. Mas no mínimo, diz Taweel, os cidadãos de Gaza esperam que ele faça "um forte discurso político em defesa de nosso [palestino] direito à independência". Entre todos os lugares, este pequeno território, acrescenta, "precisa especialmente de seu cuidado e de sua proteção".


Tradução de PAULO MIGLIACCI

Texto da Folha de São Paulo, de 9 de maio de 2009.

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Papa chega a Tel Aviv em meio a tensão entre Vaticano e Israel

Papa chega a Tel Aviv em meio a tensão entre Vaticano e Israel

O papa Bento 16 desembarcou em Tel-Aviv na manhã desta segunda-feira, iniciando uma visita de cinco dias a Israel e aos territórios palestinos, definida pelo Vaticano como "peregrinação pela paz".

A visita, a primeira de Bento 16 à região, ocorre sob forte esquema de segurança e em um momento de tensão nas relações entre o Vaticano e Israel, por causa da recente suspensão da excomunhão do bispo católico britânico Richard Williamson, que negou o Holocausto.

Para garantir a segurança do papa, tanto Israel como a Autoridade Palestina prepararam fortes esquemas de segurança.

Em Israel, cerca de 80 mil policiais e agentes de segurança deverão participar da "Operação Batina Branca".

Durante a visita à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, a Guarda Presidencial, considerada a principal unidade de elite da Autoridade Palestina, será responsável pela segurança do papa.

'Caminho para a paz'

Ao receber o papa no aeroporto internacional Bem Gurion, em Tel Aviv, o presidente de Israel, Shimon Peres, disse esperar que a visita ajude a "pavimentar o caminho para a paz".

Em seu discurso na chegada, o papa mencionou a questão da criação do Estado palestino.

"Peço a todos os responsáveis que explorem todas as avenidas de possibilidades em busca de uma solução justa para as dificuldades pendentes", afirmou. "Para que ambos os povos possam viver em paz em uma terra própria dentro de fronteiras seguras e reconhecidas internacionalmente."

Bento 16 afirmou que Israel e o Vaticano têm muitos valores em comum, incluindo o desejo de colocar a religião em seu devido lugar na sociedade.

Ele disse ainda que rezaria pelos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto e prometeu combater o anti-semitismo em todo o mundo.

"Eu terei a oportunidade de honrar a memória dos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto", afirmou. "Infelizmente, o anti-semitismo continua a elevar sua feia cabeça em muitas partes do mundo. Isso é totalmente inaceitável", disse.

Holocausto

Em seu primeiro dia de peregrinação à Terra Santa, Bento 16 visita a cidade de Jerusalém, onde se reunirá com o presidente de Israel, Shimon Peres, visitará o Museu do Holocausto Yad Vashem e participará de um encontro inter-religioso.

A visita ao Museu do Holocausto deverá ser um momento particularmente delicado, por causa de atitudes recentes do papa ligadas ao Holocausto e que despertaram indignação em Israel.

A decisão de Bento 16 de suspender a excomunhão do bispo Richard Williamson gerou fortes protestos por parte de líderes políticos e religiosos do país.

Outra decisão polêmica foi a de aprovar a beatificação do papa Pio 12, acusado por vários historiadores de ser omisso em relação ao extermínio de seis milhões de judeus, pelo regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.

O diretor do Museu do Holocausto, Avner Shalev, afirmou esperar que, durante a visita, o papa "destaque a importância da memória do Holocausto no presente e também no futuro".

De acordo com Shalev, antes da visita o Vaticano tinha se comprometido a abrir, dentro de cinco anos, seus arquivos relativos ao período da Segunda Guerra Mundial, o que permitirá que pesquisadores esclareçam dúvidas sobre o Pio 12 e seu comportamento em relação ao Holocausto.

No segundo dia da visita, nesta terça-feira, o papa deverá se encontrar, em Jerusalém, com os principais líderes das religiões judaica e muçulmana.

Bento 16 irá à Cúpula da Rocha, na Esplanada das Mesquitas, considerado o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos e se encontrará com o Grão Mufti de Jerusalém , Akram A-Sabri.

Esse encontro também deverá ser particularmente sensível, por causa da grande indignação causada no mundo muçulmano pelo discurso do papa na Alemanha em 2006, em que estabeleceu uma correlação entre o Islamismo e a violência.

No discurso, Bento 16 citou um imperador bizantino que disse que Maomé só trouxe "coisas más e desumanas para o mundo".

O Movimento Islâmico em Israel, um dos principais grupos políticos da comunidade árabe que vive em Israel, convocou a população árabe a boicotar a visita do papa.

Equilíbrio

Na terça-feira o papa também deverá visitar o Muro das Lamentações, considerado o lugar mais sagrado da religião judaica, e depois se reunirá com os Rabinos Chefes de Israel.

O Patriarca Latino de Jerusalém e principal autoridade da Igreja Católica na região, Dom Fouad Twal, expressou preocupação com a visita do Bento 16.

"O que mais me preocupa é o discurso que o papa fará aqui", disse Twal ao jornal Haaretz. "Se ele disser uma palavra a mais em favor dos muçulmanos, terei problemas, ou uma palavra a mais em favor do judeus, também terei problemas. No final da visita ele voltará para Roma e eu ficarei aqui para arcar com as consequências".

"A Guerra de Gaza deixou uma tensão que dificulta muito a coordenação da visita entre israelenses e palestinos", acrescentou o patriarca.

Dom Fouad Twal também disse esperar que a visita do papa ajude a comunidade cristã na região.


Twal, que é responsável pela comunidade cristã na Terra Santa, incluindo Israel, os territórios palestinos e a Jordânia, disse que o problema concreto mais urgente que a Igreja Católica enfrenta nesta região são as restrições impostas pelo Exército israelense à liberdade de movimentação dos representantes da igreja.

"Nos pontos de checagem do Exército israelense na Cisjordânia nem a batina ajuda", afirmou.

"As barreiras e pontos de checagem dificultam a vida dos palestinos em geral e também de nossos padres e freiras. É difícil chegar aos hospitais, aos funerais, aos casamentos, todo o funcionamento da igreja é prejudicado".

Na quarta-feira o papa deverá visitar Belém, na Cisjordânia, onde fará uma missa na Praça da Manjedoura e se encontrará com o presidente palestino Mahmoud Abbas.

A quinta-feira será dedicada a uma visita à Basilica da Anunciação, em Nazaré e uma missa no Monte do Precipício.

A Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, será o último lugar que o papa visitará, na sexta-feira, antes de retornar a Roma.


A notícia é da BBC Brasil.

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sexta-feira, agosto 29, 2008

Israel prepara exibição online dos Manuscritos do Mar Morto

Usando fotografia digital, cientistas também estão desvendando setores antes ilegíveis dos pergaminhos

Ethan Bronner - The New York Times

JERUSALÉM - Em um laboratório lotado e pintado de cinza, frio como uma caverna, meia dúzia de especialistas embarcaram, nesta semana, em um ato histórico: fotografar digitalmente cada um dos milhares de fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto com o objetivo de tornar o arquivo completo - um dos documentos mais examinados do mundo - disponível para download na internet.

Equipados com poderosas câmeras que produzem imagens de grande resolução e lâmpadas que não emitem nem calor nem raios ultravioleta, os cientistas e técnicos estão desvendando setores antes ilegíveis, descobertas que podem ter um impacto significativo.

Os manuscritos de dois mil anos, encontrados na década de 1940 nas cavernas próximas ao Mar Morto em Jerusalém, contêm as cópias mais antigas já encontradas de todos os livros da Torá (exceto do Livro de Esther), assim como textos apócrifos e descrições de rituais dos judeus na época de Jesus Cristo. Os textos, a maior parte em peles mas alguns, em papiros, datam do terceiro século antes de Cristo ao primeiro século depois de Cristo.

Apenas uma pequena parte dos manuscritos existe em pedaços grandes, diversos deles em exibição permanente no Museus de Israel. A maior parte deles foi encontrada em 15 mil pedaços que totalizam 900 documentos, gerando diversas discussões sobre como ordenar as partes de maneira correta, assim como sobre a origem e significado do que está escrito neles.

A história contemporânea dos manuscritos também é tortuosa, porque eles estão entre as fontes mais importantes de informação sobre os judeus e o início da cristandade. Após sua descoberta inicial eles foram mantidos em um pequeno círculo de acadêmicos. Nos últimos 20 anos o acesso aos documentos aumentou significativamente, e em 2001 eles foram publicados na íntegra. Mas o debate ao seu redor apenas aumentou.

Acadêmicos pedem continuamente à Autoridade Israelense de Antiguidades, mantenedora dos manuscritos, acesso aos documentos, e museus de todo o mundo querem usá-los em suas exposições. No próximo mês, o Museu Judaico de Nova York vai iniciar uma exposição com seis dos manuscritos.

Os detentores dos manuscritos, pessoas como Pnina Shor, chefe do departamento de conservação de antiguidades, estão satisfeitos com tamanho interesse, mas argumentam que cada vez que os manuscritos são expostos à luz, umidade ou calor, eles se deterioram. Ela diz que mesmo sem essa exposição eles estão se deteriorando porque a tinta usada em alguns dos manuscritos, assim como as fitas adesivas usadas por acadêmicos na década de 1950, estão grudando os pedaços.

A coleção inteira foi fotografada apenas uma vez até agora - em 1950, usando infravermelho - e essas fotografias estão guardadas em uma sala de temperatura controlada porque mostram coisa que já se perderam dos manuscritos. Essas fotos também serão digitalizadas.

Esse processo levará de um a dois anos - ainda mais até chegar na web - e está sendo liderado por Greg Bearman, cientista aposentado do Jet Propulsion Laboratory da Nasa.


A notícia foi vista no Estadão.com.br .

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