quinta-feira, novembro 25, 2010

A solidão no Facebook

Solidão no Facebook

As redes sociais mascaram a ausência de comunicação entre as pessoas, diz o sociólogo francês Dominique Wolton

MARCOS FLAMÍNIO PERES
DE SÃO PAULO

Agora que o Facebook virou filme e as redes sociais parecem ter liberado o homem para toda forma possível de comunicação, vem um intelectual francês dizer que vivemos sob a ameaça da "solidão interativa".
Dominique Wolton, 63, que esteve no Brasil há duas semanas, bate ainda mais pesado. Para ele, a internet não serve para a constituição da democracia: "Só funciona para formar comunidades" -em que todos partilham interesses comuns-, "e não sociedades" -onde é preciso conviver com as diferenças.
Sociólogo da comunicação e diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica (Paris), ele defende na entrevista abaixo que, depois do ambiente, a "comunicação será a grande questão do século 21". Em tempo: "A Rede Social", de David Fincher, estreia nos cinemas brasileiros no início de dezembro.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif


Folha - Como vê a internet?
Dominique Wolton -
Faço parte de uma minoria que não é fascinada por ela. Claro, é formidável para a comunicação entre pessoas e grupos que se interessam pela mesma coisa e, do ponto de vista pessoal, é melhor do que o rádio, a TV ou o jornal.
Mas, do ponto de vista da coesão social, é uma forma de comunicação muito frágil. A grandeza da imprensa, do rádio e da TV é justamente a de fazer a ligação entre meios sociais que são fundamentalmente diferentes. Nesse sentido, a internet não é uma mídia, mas um sistema de comunicação comunitário.

Mas e as redes sociais?
Elas retomam uma questão social muita antiga, que é a de procurar pessoas, amigos, amor. São um progresso técnico, sem dúvida, mas a comunicação humana não é algo tão simples.
Porque em algum momento será preciso que as pessoas se encontrem fisicamente -e aí reside toda a grandeza e dificuldade da comunicação para o ser humano.

Então a solidão é um risco nessas redes?
Sem dúvida: a "solidão interativa". Podemos passar horas, dias na internet e sermos incapazes de ter uma verdadeira relação humana com quer que seja.

Isso tem a ver com o conceito que criou -o de "sociedade individualista de massa"?
Sim, porque na comunicação ocidental procuramos duas coisas inteiramente contraditórias: a liberdade individual -modelo herdado do século 18- e a igualdade por meio da inserção na sociedade de massa -que é o modelo do socialismo.
Usamos a internet porque ela é a liberdade individual. Na internet, todo mundo tem o direito de dar sua opinião, mas emitir uma opinião não significa comunicar-se.
Porque, se a expressão é uma fase da comunicação, a outra é o retorno por parte de um receptor e a negociação que implica -e isso toma tempo!
Há um fascínio pela rapidez da internet e por sua falta de controle.
Mas essa falta de controle é demagógica, porque a democracia não é a ausência de leis, mas a existência de leis utilizadas por todos.

A internet foi decisiva para a eleição de Barack Obama?
Acho que se projetou um sonho que não correspondeu à realidade. Obama sempre foi ligado às questões sociais e sabia de sua importância. O que fez foi usar a internet para multiplicar a eficácia dessas relações. Usou a internet de modo bastante clássico.

O Google está nos tornando estúpidos?
Ele está se tornando a primeira indústria do conhecimento, concentrando de forma gigantesca a informação e o saber -o que é um perigo.
Se um grupo de mídia quisesse concentrar toda a distribuição de informação, alguém diria: "Atenção, monopólio!". Mas não se faz isso em relação à internet, tamanho é o fascínio pela técnica na sociedade atual.

O papel está condenado?
Ao contrário! Porque internet é rapidez, livros e jornais são lentidão e legitimidade -informação organizada. A abundância de informações não suprime a questão prévia de que educação é formação.

Texto e entrevista da Folha de São Paulo, de 8 de novembro de 2010.

Marcadores: , ,

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Amigos falsos no Facebook

Procura por amigos falsos aumentou no Natal, informa executivo do uSocial

Parece que a empresa uSocial resolveu beneficiar mais alguns usuários das redes sociais no final do ano e registrou um aumento em sua atividade.

Segundo matéria do Telegraph, Leon Hill, executivo do site, afirmou que, durante o Natal, houve um aumento no pedido de novos amigos para sites como o Facebook, por exemplo.

Os usuários gastam cerca de 125 libras esterlinas para terem um bloco de 1000 amigos falsos nas redes sociais.

“As pessoas estão comprando amigos para não se sentirem sozinhas na frente do computador”, disse Hill.

No entanto, o uSocial enfrenta oposição. Um site chamado leanbhill chegou a ser criado para criticar os serviços da empresa, que usa contas falsas para promover os clientes.

Advogados do próprio Facebook chegaram a tomar medidas sem sucesso com o objetivo de encerrar as atividades do uSocial.

Visto no Gigablog UOL Tecnologia.

Marcadores: , , ,

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Ratzinger fala sobre o Inferno

Não tenho especial apreço pelo papa e pela instituição medieval mais longeva do mundo, a mais duradoura monarquia por direito divino. Mais do que isto: dirigida ao empíreo pelo próprio Deus. O preâmbulo é necessário ao dizer que li ontem no Corriere della Sera, o melhor diário em circulação (embora mirrada) no País, um texto assinado por Joseph Ratzinger em março de 1968. Faz parte de um livro recém-lançado na Itália pela Editora Rizzoli, intitulado Porque estamos ainda na Igreja. Reúne discursos e aulas do papa atual, pronunciados e ministradas ao longo de quarenta anos na Academia católica da Baviera. E agora confesso: trata-se de um texto magistral, na forma e no conteúdo. Tese central: o Inferno é a solidão. O homem teme a morte porque ela é o momento extremo da vida, aventura irremediavelmente solitária. Até na cruz, o próprio Jesus desce ao Hades, aos Ínferos, com seu grito de morte: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. “Deus – escreve Ratzinger, – não é somente a palavra compreensível, ele é também a causa silenciada e inacessível, incompreendida e incompreensível”. E mais adiante: “Ao conhecermos Deus como silêncio, poderemos esperar ouvir a fala que emana do seu silêncio”.O teólogo não desdenha citar Sartre e Ernst Kasermann, na referência à “aparente ausência de Deus", revelada pela realidade terrena. E vem a pergunta: “Que é realmente a mortre e que acontece depois, quando alguém morre e entra portanto no destino da morte?”. E volta ao apelo desesperado de Cristo crucificado. “O núcleo mais profundo da sua paixão não é a dor física, e sim a radical solidão, o abandono completo”. O autor recomenda então dilatar o alcance da pergunta, para concluir: Inferno significa “uma solidão na qual não mais se ouve a palavra do amor, significa a verdadeira suspensão de existência”. De fato, algo é certo: “Há uma noite em cujo abandono não chega voz alguma”. Por isso um único vocábulo quer dizer ao mesmo tempo inferno e morte no Antigo Testamento: scheol. Enfim a palavra da esperança, que ao teólogo não poderia faltar: ao viver a morte como qualquer mortal, Cristo está “onde voz alguma pode alcançar”. No “coração da morte fica a vida, fica o amor”. Acho que crentes e não crentes haverão de concordar: o texto desvenda uma alma poética e um pensamento filosófico atilado.

Do blog do Mino Carta.

Marcadores: , , , , , , , ,