terça-feira, dezembro 28, 2010

Blake Edwards

Blake Edwards


O tempo é assim. A gente pensa consigo mesmo “daqui a pouco eu faço”, e lá se vão quase 15 dias.

O diretor de cinema Blake Edwards faleceu no dia 15 de dezembro passado.

Pouco sei da vida dele, fora que era diretor de cinema e casado com a atriz Julie Andrews.

Mas o que me levou a escrever, foi os poucos filmes que vi dirigidos por ele. E que também me fizeram rir. Em especial os da série da Pantera Cor-de-Rosa, da década de 1970, estrelados pelo também já falecido Peter Sellers. Foram (são) filmes muito engraçados.

Outro filme foi o engraçado e singular “Victor ou Vitória”, estrelado por Julie Andrews, onde ela fazia o papel de uma atriz que se fazia passar por homem, para alcançar o sucesso nos cabarés da Paris dos anos 1930, o que acaba por gerar uma tremenda confusão na cabeça do personagem vivido pelo ator James Garner.

Blake Edwards tinha 88 anos, e uma penca de filmes no currículo.

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Tenente Frank Derbin

Tenente Frank Derbin


O tempo é assim. A gente pensa consigo mesmo “daqui a pouco eu faço”, e lá se foi um mês.

Um mês já se foi desde a notícia do falecimento do ator Leslie Nielsen. Dizem os necrológios que ele faleceu em decorrência de pneumonia, aos 84 anos.

E então nós descobrimos que Nielsen tinha uma longa carreira em Hollywood, onde começou como ator “sério”, na década de 1950, onde atuou, por exemplo, num filme de ficção científica chamado “Planeta Proibido”.

Mas a verdade é que eu só me lembro dele, de filmes muito mais recentes, como “Apertem os cintos, o piloto sumiu”, da década de 1980, que é possível que eu tenha visto em fita de vídeo-cassete.

Com Mr. Magoo, que deve ter tido diversas reprises na TV aberta, ele protagonizou uma bela e engraçada adaptação do personagem de desenho animado com graves limitações visuais. Lá em casa virou bordão, uma frase onde um dos personagens pergunta “O Peru, está no Brasil?”, brincando com a anedótica ignorância dos norte-americanos de geografia (e do resto do mundo, também, ou você sabe a capital de Níger ou a do Lesoto). Em tempo: no filme se perguntava se o bandido Ortega Peru estava escondido no Brasil. Pois é, o Brasil como refúgio de criminosos também é lugar comum em filmes de Hollywood. Talvez, com razão?

Mas certamente minhas melhores memórias de Leslie, são as da série “Corra, que a polícia vem aí”, onde ele interpretava o tenente Frank Derbin. Foram muitas gargalhadas. Em especial, não me lembro em qual dos três filmes, uma cena em que Derbin / Nielsen se atrapalha com um criminoso disfarçado de cientista, preso a uma cadeira de rodas. Sempre sorrio, quando penso nela. A cena termina com uma “homenagem” ao filme “E.T., o Extraterrestre”, de Spielberg, no final.

O humor de Nielsen vai me deixar com saudades...

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Relembrando o grande tsunami de 2004...

MEMÓRIA
Mulheres vertem leite no mar na Índia em homenagem aos 230 mil mortos no tsunami de 2004.


Foto de Nathan G., para a EFE. Visto na Folha de São Paulo, 27/12/2010.

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Diretor Blake Edwards morre aos 88 anos

O cineasta Blake Edwards, famoso por comédias como "A Pantera Cor-de-Rosa", morreu na manhã desta quinta-feira. Ele tinha 88 anos e era casado desde 1969 com a atriz Julie Andrews, estrela de vários de seus filmes. Segundo seu agente, Gene Schwam, Edwards foi vítima de complicações provocadas por uma pneumonia. Andrews estava a seu lado no momento de sua morte.
break-->AserA série "A Pantera Cor-de-Rosa", cujo primeiro filme foi lançado em 1964, é o maior sucesso da carreira de Edwards. O longa ficou famoso pela música-tema, composta por Henry Mancini (outro parceiro constante do diretor), e pelo desastrado personagem principal, o inspetor Clouseau vivido por Peter Sellers. 
Nascido em 26 de julho de 1922, Edwards começou no cinema como roteirista e tornou-se conhecido primeiro na televisão, com a série "Peter Gunn". Seu primeiro grande sucesso na telona foi "Bonequinha de Luxo", estrelado por Audrey Hepburn. Ele foi contratado para dirigir o filme depois que o cineasta original, John Frankenheimer, foi demitido.
Além de "A Pantera Cor-de-Rosa", outros sucessos do diretor foram as comédias "Mulher Nota 10" (1979), "Vitor ou Vitória" (1982) e "Um Convidado Bem Trapalhão" (1968). Também dirigiu alguns dramas bem-sucedidos, como "Vício Maldito" (1962), com Jack Lemmon.
Seu último trabalho para o cinema foi "O Filho da Pantera Cor-de-Rosa", de 1993, com o italiano Roberto Benigni (de "A Vida É Bela") assumindo o papel que foi de Peter Sellers. O personagem foi revivido por Steve Martin mais duas vezes, em 2006 e 2009, filmes nos quais Edwards não teve qualquer participação. "Blake Edwards foi uma das pessoas que me fez amar comédia", escreveu Martin no Twitter, pouco depois de saber da morte.
Em 2004, ele ganhou um Oscar especial pelo conjunto de sua obra. Ao receber a estatueta, fez jus a seu título de gênio da comédia: apareceu no palco em uma cadeira de rodas em alta velocidade e simulou um acidente.


Esta notícia no IG Notícias, foi vista no blog do Luís Nassif

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quarta-feira, dezembro 22, 2010

A tirania da contingência

A tirania da contingência


SEMPRE QUE acontece uma tragédia nas nossas vidas -um fracasso amoroso, uma doença súbita, a perda de alguém que amamos- a velha pergunta regressa para nos assombrar: "Por que eu?" "Por que a mim?".
A pergunta certa não é essa, naturalmente. A pergunta certa seria: "E por que não eu?", "E por que não a mim?".
Mas a nossa "forma mentis" está programada para recusar "a tirania da contingência", para usar a expressão primorosa do narrador de Philip Roth no seu último romance, "Nemesis" (Jonathan Cape, 280 págs.). Aceitar a "tirania da contingência", tema fulcral das obras tardias de Roth, seria destruir a crença basilar da nossa civilização racionalista: a de que tudo depende dos nossos esforços racionais rumo a um fim perfeito. E racional.
Essa crença é cultivada por Bucky Cantor, o personagem central de "Nemesis". Bucky começou mal na vida: a mãe morreu no parto; o pai apodreceu no cárcere. Bucky foi educado pelos avós. Melhor: pelo avô, que incutiu nele uma inabalável crença nas suas forças e capacidades.
O resultado não poderia ser mais brilhante: física e mentalmente forte, Bucky é um Super-Homem em Newark, o território eletivo de Roth.
Claro que, para sermos rigorosos, a "tirania da contingência" sempre esteve presente na vida de Bucky.
Perder a mãe e o pai, mas ter avós disponíveis para uma educação de excelência, não é para qualquer um. É, digamos, uma "sorte". A "contingência" não significa necessariamente um mal; a contingência significa apenas que existe uma margem de imponderabilidade nas condutas humanas onde o mal e o bem acontecem.
E acontece com Bucky. Depois de ter sido salvo pelos avós na infância, Bucky será novamente salvo. Dessa vez, salvo na juventude e uma vez mais por um infortúnio pessoal.
A Segunda Guerra Mundial rebenta para os Estados Unidos depois de Pearl Harbor. Mas Bucky não marcha para o Pacífico como os rapazes da sua idade. Uma visão deficiente e um excesso de dioptrias obrigam-no a ficar em casa. Um destino que Bucky aceita, resignado, embora com um sentimento de culpa que já denuncia a sua incapacidade para aceitar que nem tudo obedece à nossa exclusiva vontade. Pela segunda vez, Bucky é salvo pela "tirania da contingência".
Não haverá terceira vez. Porque, se Bucky não foi à guerra, a guerra vem até ele. Não uma guerra tangível, feita de armas ou bombas; mas uma guerra imaterial, silenciosa e pestífera.
Estamos em 1944 e Newark estremece com uma epidemia de poliomielite. Falar da pólio, hoje, é o mesmo que falar de um dinossauro: uma doença de museu, não mais, depois da descoberta da vacina na década de 50.
Mas a pólio não era uma doença de museu em 1944. Era um vírus furtivo que roubava vidas e destroçava infâncias com violência inaudita.
Philip Roth é primoroso na descrição dessa peste: na descrição do medo que contamina a comunidade; do pânico que se apodera dela; da morte que se abate sobre os mais frágeis; da raiva que é cultivada pelas famílias enlutadas; e, sobretudo, da impotência dos homens para travar um castigo de Deus.
Pelo menos, Bucky acredita que sim. Faz parte da mentalidade racionalista atribuir ao divino a natureza do imponderável. Só um Deus louco, injusto e cruel pode enviar um castigo tão louco, tão injusto e tão cruel.
Mas é justificativa que dura pouco. A educação de Bucky conspira contra ele e a sua consciência exige um culpado mais terreno, mais humano. A pólio pode vir do patrão lá de cima. Mas é preciso alguém que a transporte e dissemine cá por baixo.
Esse alguém só pode ser Bucky, professor de ginástica que convive diariamente com os rapazes. E que, ao vê-los tombar, um por um, como soldados numa batalha invisível, assume em si a responsabilidade do massacre.
Lendo "Nemesis", narrativa magistral de um Roth crepuscular, entendemos como a contingência só é destrutiva quando existe em nós "um sentido deslocado de responsabilidade", para usar as sábias palavras do médico da história.
Ou, trocando em miúdos, só somos verdadeiramente destruídos por aquilo que não controlamos quando alimentamos em nós a ilusão de que tudo controlamos.
Agora que 2010 caminha para o fim, está encontrado o livro do ano.

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segunda-feira, dezembro 13, 2010

Tragédia silenciosa (sobre suicídio no Brasil)


Tragédia silenciosa 
NEURY JOSÉ BOTEGA

Diariamente, 25 pessoas põem fim a suas vidas no Brasil. Foram 9.090 suicídios oficialmente registrados em 2008. Para cada óbito, no mínimo cinco ou seis pessoas próximas ao falecido foram profundamente afetadas. O impacto do suicídio na vida das pessoas e da nação é silenciado pela sociedade.
Nos meios de comunicação há orientação, discutível quando adotada em termos absolutos, de não se noticiar suicídio. Silencioso, ele resta à margem das tragédias nacionais. Mas é possível evitar uma parcela dessas mortes.
Numa escala mundial, nosso coeficiente de mortalidade por suicídio é relativamente baixo: 5,4 mortes em cada 100 mil habitantes, ao longo de um ano. Esse índice cresceu 30% nos últimos 25 anos.
O coeficiente é uma média nacional e esconde importantes contrastes. Em algumas cidades, os índices equiparam-se aos de países do Leste Europeu. Ademais, como somos um país populoso, atingimos o décimo lugar mundial em número total de suicídios, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No espectro do comportamento autoagressivo, o suicídio é a ponta de um iceberg. Estima-se que o número de tentativas supere o de mortes em pelo menos dez vezes. Um inquérito populacional elaborado pela OMS e levado a cabo por pesquisadores da Unicamp apurou que, em cada cem habitantes da cidade de Campinas, 17 já haviam pensado seriamente em pôr fim à vida e três efetivamente tentaram o suicídio.
A causa de um suicídio é invariavelmente mais complexa do que um acontecimento recente que salta à vista e que é tomado como explicação rápida para o ocorrido.
A perda do emprego ou o rompimento de um relacionamento amoroso geralmente são os fatores precipitantes. Na maioria das vezes, pessoas que põem fim à vida sofrem de um transtorno mental subjacente (fator predisponente) que aumenta a vulnerabilidade para o suicídio. Depressão e dependência de álcool são os mais frequentes.
Recentemente, nossa sociedade vem-se abrindo para discutir o tema-tabu. O suicídio passou a ser enfrentado na arena da saúde pública. Um exemplo disso é a parceria firmada entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e a Rede Globo, a partir da qual inserções de 30 segundos entram na programação da televisão.
Há, hoje, considerável informação a respeito do que, em vários países, deu certo em prevenção.
Exemplo recente foi um estudo realizado em serviços médicos de vários países, entre os quais o Hospital de Clínicas da Unicamp, que acompanhou, desde o atendimento em um pronto-socorro, 1.867 pessoas que tentaram o suicídio.
Metade delas, após sorteio, foi acompanhada por meio de telefonemas periódicos. Após 18 meses, o número de suicídios nesse grupo foi, comparativamente, dez vezes menor. Com os telefonemas, a tentativa de suicídio deixou, assim, de ser um pedaço de história a ser esquecido ou silenciado.
Em agosto de 2006, o Ministério da Saúde publicou as diretrizes que orientariam um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. O plano ainda não saiu. É preciso transformar as diretrizes em ações assistenciais baseadas em evidências científicas, as quais, por sua vez, poderão orientar novas políticas de prevenção e estratégias de atendimento.
Na área da saúde, isso constitui um desejado círculo virtuoso entre política, assistência e pesquisa, que não é simples de ser alcançado.


NEURY JOSÉ BOTEGA é professor titular do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), representante nacional na Associação Internacional de Prevenção do Suicídio e coordenador da Comissão de Prevenção de Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria.

E-mail: botega@fcm.unicamp.br .

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terça-feira, novembro 30, 2010

Hans Hoekendijk

Hans Hoekendijk

SEU NOME ERA Hans Hoekendijk que se pronuncia "rukendaik". Teria, aproximadamente, 60 anos. Com uma vasta cabeleira de cabelos grisalhos abundantes, seu rosto inspirava tranquilidade, seus olhos azuis eram tristes, sua voz em sussurro revelava mansidão e o cachimbo era, talvez, seu amigo mais íntimo.
 
De um cachimbo pode-se dizer "meu cachimbo". Mas nunca dizer "o meu cigarro". Lembrando-me dele tenho saudades do tempo em que eu fumava cachimbo. O cachimbo é uma amizade fiel e vagarosa. Ele era meu colega na instituição em que ensinávamos. Holandês, lutara na resistência contra os alemães durante a Segunda Guerra Mundial e estivera preso num campo de concentração nazista. Reuníamos-nos à sua volta para ouvir suas histórias.
 
Essa foi a que mais me impressionou. "Tínhamos um rádio clandestino", ele falou. "De noite acompanhávamos as notícias do "front" de batalha. As forças aliadas haviam desembarcado na Normandia e avançavam rapidamente na direção do campo em que estávamos presos. Fazíamos os cálculos. Avançando naquele ritmo dentro de poucos dias estaríamos livres!
 

Foi quando o comandante do campo nos reuniu a todos no pátio. "Sei que todos estão se alegrando, pensando que dentro de poucos dias estarão livres. Estão enganados. Antes que cheguem as tropas todos vocês serão enforcados!'"
 
Ele fez uma pausa no seu relato, comprimiu o fumo de seu cachimbo, deu umas baforadas perfumadas -a fumaça fazendo suas espirais-, e, então, continuou: "Um grito de horror saiu da boca de todos. Tão próxima a liberdade e tão longe."
 

"Aí", ele continuou, "passada a experiência de medo e horror, eu tive a maior experiência de liberdade de toda a minha vida. Se vou morrer dentro de dois dias e não há nada que eu possa fazer para evitar a morte, eu sou completamente livre para fazer e dizer o que quiser pois nada pior que a morte poderá me acontecer.
 
O medo se foi... Olhei então para aquele guarda alemão, metralhadora a tiracolo, bruto e sem compaixão, que sempre me amedrontara. Agora eu posso ir até ele e dizer tudo o que penso e sinto a seu respeito. Que me pode fazer? Dar-me uma rajada de metralhadora? Melhor morrer assim que morrer enforcado.
E aquela mulher -eu sempre a amei de longe, só com meus olhos. Ah! Os olhos... Os prisioneiros também amam e sonham... Eu nunca havia me aproximado dela. Ela era casada. Mas, agora, nós três -eu, ela e o marido- tínhamos um mesmo destino. Iríamos morrer. Senti que podia me aproximar dela e, na presença do marido, confessar meus sentimentos.
 
Não, não se tratava de um convite à infidelidade. Diante da morte a infidelidade não existe. Era apenas uma revelação de amor. E nos abraçamos..."
 
Ele se calou, limpou o cachimbo, enfiou-o no bolso, ficou mudo por alguns segundos e então terminou seu relato. "Mas aí nós não fomos enforcados. As tropas aliadas nos libertaram. Voltei, então, à vida normal, voltei a ter medo e perdi minha liberdade..."


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quarta-feira, outubro 27, 2010

De repente, a morte - Romeu Tuma, Nestor Kirchner

Nestes últimos dois dias fomos surpreendidos pela morte de dois personagens ilustres.

Ontem faleceu o senador e ex-delegado Romeu Tuma. No caso de Tuma, a morte não chega tão repentinamente assim. O senador estava internado faz algum tempo, e um portal de notícias havia divulgado sua morte tempos atrás numa barriga que não chegou a ser desmentida com o mesmo destaque da então falsa notícia de morte. O senador tinha 79 anos, e se notabilizou por ser chefe do Dops de São Paulo, no final da década de 1970, o que lançou uma certa sombra de dúvida sobre o senador nestes últimos dias. Também desempenhou o cargo de chefe da Polícia Federal no governo Sarney, e de secretário da Receita Federal. Exercia o mandato de senador desde 1994.

Mais do que o falecimento do senador Romeu Tuma, foi a notícia hoje, no final da manhã do falecimento do ex-presidente argentino, e atual secretário da Unasul, Nestor Kirchner. Kirchner foi o presidente que veio restabelecer certo equilíbrio sobre a Argentina, após o caos que se abateu sobre o país vizinho após o governo Menem. De La Rua foi eleito, mas renunciou diante de grave crise econômica decorrente da conversibilidade peso-dólar que vigorara no governo anterior. Em seguida, três presidentes se sucederam rapidamente tentando achar uma solução. A coisa mais próxima de uma solução no caso da Argentina acabou por ser a eleição de Kirchner em 2003. Kirchner acabou por renegociar uma dívida externa, que até hoje é contestada por alguns credores. E sua esposa, Cristina Fernandez, acabou por sucedê-lo. Após passar mal, foi levado ao hospital, onde veio a falecer, em El Calafate, no sul da Argentina. A notícia do IG, dá contas de lamentações por parte de praticamente todos os dirigentes dos países da América do Sul.


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quarta-feira, outubro 13, 2010

Se passam os dias: John Lennon, Renato Russo e os mineiros chilenos

No dia 9 de outubro passado, o cantor e compositor John Lennon teria completado 70 anos. Foi inclusive homenageado pelo Google na data.

No dia 11, se completaram 14 anos que estamos sem o também cantor e compositor Renato Russo, vocalista da Legião Urbana.

E hoje, o governo chileno está conseguindo resgatar um grupo de mineiros que estava preso há cerca de dois meses, após um acidente na mina em que trabalhavam, no deserto de Atacama, norte do país. Estes mineiros tiveram a felicidade de sobreviver ao acidente, pois muitas das notícias que recebemos sobre problemas em minas resultam nas mortes dos mineiros. Em tempos recentes houve mortes em minas na China e na Rússia, por exemplo. Por conta do acidente chileno, a imprensa brasileira relembrou até um acidente que gerou a morte de mineiros no estado de Santa Catarina, com posterior abandono da mina sinistrada. São 33 os mineiros a serem resgatados. Por volta de 16 h, 20 deles já haviam voltado à superfície. O resgate se desenvolve em ritmo de “reality show”, com intensa cobertura da imprensa de todo o mundo.


Atualização: cerca de 22 h, e os 33 mineiros chilenos foram resgatados.


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quinta-feira, setembro 30, 2010

Tony Curtis morre aos 85 anos



O ator americano Tony Curtis morreu aos 85 anos, informou nesta quinta-feira sua filha, a atriz Jamie Lee Curtis, ao site "Entertaiment Tonight".

Protagonista de várias comédias de Hollywood das décadas de 50 e 60, como "Quanto Mais Quente Melhor" (1959), Curtis foi hospitalizado em julho em Las Vegas (EUA) por conta de problemas respiratórios. Segundo o jornal "New York Times", Curtis morreu de parada cardiorespiratória. Ele estava em sua casa em Las Vegas ao lado da mulher e morreu em sua cama, à meia-noite, segundo o administrador de seus negócios e porta-voz da família, Preston Ahearn.

Bonito e talentoso, Curtis foi um dos grandes astros de Hollywood nos anos 1950 e também um conhecido playboy naquela época. Ele se tornou famoso em grandes sucessos de bilheteria, como "A Embriaguez do Sucesso".

Curtis desempenhou um papel memorável no clássico "Spartacus", em 1960, e foi indicado para o Oscar em 1958, por sua atuação em "Acorrentados". Atuou em mais de 140 filmes, mas parte de sua carreira foi prejudicada por problemas com cocaína e álcool.

Curtis foi casado seis vezes. Seu primeiro casamento foi com a atriz Janet Leigh, com quem teve dois filhos -- incluindo a atriz Jamie Lee Curtis.

Ele teve mais dois filhos de seu casamento com Leslie Allen. Um dos filhos de Curtis e Allen, Nicholas, morreu de overdose de heroína em 1994.

Seu último casamento foi com Jill Vandenberg, 42 anos mais jovem. Eles estavam casados desde 1998.


Notícia da Folha.com . A foto tem crédito apenas para a AP - Associated Press.

Num outro texto, a manchete é "Vida de Tony Curtis parece ter saído de um roteiro de Hollywood".

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terça-feira, junho 01, 2010

O homem que estava lá

O homem que estava lá

Morto anteontem, o ator e diretor norte-americano Dennis Hopper participou de grandes momentos do cinema

MÁRIO BORTOLOTTO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Anteontem, perdemos Dennis Hopper. Ele estava com 74 anos e foi vítima de um câncer de próstata.
Hopper jamais morreria de tédio. Assim como o poeta russo Vladimir Maiakóvski (1893-1930), o excêntrico e intenso ator e diretor americano, imortalizado em trabalhos como "Sem Destino" e "O Selvagem da Motocicleta", estaria disposto a morrer de vodca -jamais de tédio.
No cinema, colecionou encrencas, amigos e inimigos leais, além de elogios e críticas destruidoras. E sempre esteve em todos os lugares onde sua presença parecia se fazer necessária.
Foi dos últimos grandes anti-heróis do cinema. Dessa linhagem, ainda temos Jack Nicholson, que estava com Hopper recentemente, quando o ator teve inaugurada sua estrela na calçada da fama de Hollywood.
Nossos heróis definitivamente estão nos deixando.

Texto da Folha de São Paulo, de 31 de maio de 2010.

Figura difícil, Hopper se confundia com personagens

Em grandes filmes ou em "bombas", o ator construiu tipos inesquecíveis

Com o sucesso de "Sem Destino", virou um megalômano insuportável, brigou de porrada com suas mulheres e foi ridicularizado

ESPECIAL PARA A FOLHA

No programa "Fishing With John" (disponível no YouTube), o músico John Lurie levava alguns amigos para pescar com ele. Com Dennis Hopper, foram necessários dois programas.
E não era uma pesca comum. Hopper não aceitaria sair de casa para sentar com uma vara na beira de um rio. O que eles queriam era pescar a lula gigante.
É claro que não conseguiram, mas o programa se tornou um tratado sobre como transformar o tédio em uma experiência fascinante.
Hopper sempre esteve na cena -não exatamente no centro da cena. Mas estava lá, atento e imprescindível, mesmo como coadjuvante.
Com James Dean em "Juventude Transviada" (1955), lendo Stanislavski enquanto aguardava para filmar. Com Peter Fonda e Jack Nicholson no mítico "Sem Destino" (69). Chapado com Marlon Brando em "Apocalypse Now" (79).
Vivendo o pai bêbado e filósofo de Matt Dillon e Mickey Rourke em "O Selvagem da Motocicleta" (83), ou o barman insidioso de "Indian Runner" (91), do amigo Sean Penn. Interpretando o psicopata mais estranho dos anos 1980 em "Veludo Azul" (86).

MEGALÔMANO
Hopper nunca foi uma figura fácil. Enlouqueceu durante as filmagens de "Sem Destino" e, como um relâmpago, passou de louco a gênio após o sucesso do filme.
Virou um megalômano egoico e insuportável, brigou de porrada com suas mulheres e foi ridicularizado por aqueles que o haviam idolatrado. Tudo muito rápido, quase meteórico.
Hopper se confundia propositalmente com os personagens que interpretava. Não tinha medo de colocar sua personalidade na frente do trabalho de ator e, com isso, construiu uma galeria de personagens inesquecíveis, com sua marca indiscutível e facilmente reconhecível.
Em "O Selvagem da Motocicleta", ele diz que seu filho nasceu do lado errado do rio. Me parece a definição exata para Hopper. O cara que aparentemente fazia tudo errado e do jeito mais torto possível.
Mas, quando interpretava, fazíamos questão de prestar atenção até para tentar identificar onde começava e terminava o trabalho de ator.
E era sempre muito difícil conseguir identificar, porque ele sempre fez questão de confundir, mesmo atuando nas piores bombas.
Como esquecer, em "Waterworld" (95), o vilão Deacon líder dos Smokers por exemplo? Sua risada característica, seu olhar alucinado, tudo estava lá, de novo a serviço de sua aparentemente desgovernada atuação.

ATOR PROBLEMA
Hopper sabia onde queria chegar, só que sempre pegava a estrada mais acidentada. Parece que ele tinha que fazer jus à fama de "ator problema". Levava a sério a fama de mau.
E se era isso que Hollywood estava precisando, já sabia para que lado olhar, desde o dia que subiu naquela Harley em direção a Nova Orleans, em "Sem Destino".
Quando aquele caipira o derrubou de sua moto com um tiro fatal, a história não estava acabando. Para Dennis Hopper e toda um legião de sujeitos inquietos e propositalmente desgovernados e inclassificáveis, a história estava só começando.
(MÁRIO BORTOLOTTO)

MÁRIO BORTOLOTTO é ator, diretor e dramaturgo.

Também da Folha de São Paulo, de 31 de maio de 2010.

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segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Mais Martinez: Eloy Martinez e o Voo da Rainha

Por cid cancer

nassif, creio que o belo post do jornalista evaldo novelini em seu blog “alfarrábios” (www.evaldonovelini.com.br) sobre a morte do escritor argentino tomás eloy martínez e o silêncio corporativista da mídia em relação a seu livro “o voo da rainha”, que trata, obliquamente, do assassinato de sandra gomide pelo jornalista antonio pimenta neves, poderia ser compartilhado pelos leitores.

Soberba

10/02/2010 – 12:27:45
A morte de qualquer pessoa deixa a humanidade mais pobre.

Quando ela ceifa bons escritores, ao menos, consola o fato de terem deixado uma obra como legado.

É o caso do argentino Tomás Eloy Martínez, que morreu em 31 de janeiro último, aos 75 anos.

Extremamente culto e arguto, teve uma carreira literária profícua. E brilhante.

Natural de Tucumán, conta a história que começou a escrever aos dez anos de idade.

Posto de castigo por haver fugido, foi privado da leitura. Enquanto cumpria a punição imposta pelos pais, resolveu escrever o conto de um garoto que resolve viajar o mundo escondido em um selo postal. Foi seu primeiro livro.

Daí em diante não parou mais. Familiares contaram a jornalistas que, mesmo perdendo a luta vital contra o tumor cerebral, Martínez sentava-se diariamente diante de um computador para concluir seu último romance, El Olimpo.

Morto, Martínez ganhou necrológios justos de praticamente toda a imprensa mundial, desde The New York Times até El País. Menos no Brasil, para variar.

Os jornalões brasileiros mais uma vez erraram. Não que tenham deixado de recontar a história do escritor argentino, mas falharam por conta do corporativismo que assola a imprensa tupiniquim e empobrece o debate, até mesmo o literário.

Quem conhece a obra de Martínez percebeu na hora, ao término da leitura dos obituários dedicados a um dos mestres da escrita latino-americana, que a chamada grande imprensa não aprendeu uma das lições do escritor: a busca incansável pela verdade.

Não houve erros, mas omissão.

É fato que, “como jornalista, [Martínez] fundou diários, foi correspondente internacional, dirigiu e colaborou com diversas publicações”, conforme se leu na Folha de S. Paulo.

O argentino, como também lembrou como exatidão O Estado de S. Paulo, fez do peronismo o tema de algumas de suas obras mais vendidas e era “um escritor aferrado à palavra e à verdade”.

Sim, o livro mais famoso do escritor argentino é mesmo Santa Evita (1995), que relata o desaparecimento do corpo embalsamado de Eva Duarte Perón (1919-1952) por 16 anos, de 1955 a 1971. Consta que foi traduzido em 30 países.

Mas, no Brasil, a obra mais comentada de Martínez é outra. Trata-se de O voo da rainha, de 2002. Só quem conhece o conteúdo do volume e o quanto a imprensa nativa é parcial e omissa quando convém a seus interesses pôde entender por que as menções ao livro em todos os jornais de grande circulação, sem exceção, limitaram-se a dizer que foi o ganhador do prêmio Alfaguara, “uma das principais distinções a autores de língua espanhola”, segundo a Folha.

Sobre o quê falava o tal livro, porém? Nenhuma linha.

O voo da rainha é um romance com chaves, ou roman à clef, na expressão francesa. Trata-se de um recurso literário empregado por alguns escritores para ocultar sob pseudônimos pessoas e acontecimentos reais. O leitor com o mínimo de argúcia, no entanto, junta as peças e facilmente descobre a realidade disfarçada.

Pois O voo da rainha, escrito dessa forma, reconta em suas 279 páginas a história de um crime passional e covarde perpetrado pelo jornalista Antonio Pimenta Neves em 20 de agosto de 2000. Então diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, e não se conformando com o término de um romance com a colega Sandra Gomide, resolve assassinar a ex-namorada com dois tiros pelas costas, em um haras localizado em Ibiúna (SP).

- Não Pimenta, não!, teriam sido as últimas palavras dela.

- A Folha está informando sobre o caso com mais rigor e detalhe que O Estado. Será que eu preciso estar aí para que saibam o que deve ser feito? Você não tem ninguém que saiba contar direito uma história de amor e traição?, teria reclamando Neves a seu imediato na redação do jornal no dia seguinte, quando, ainda na condição de foragido da justiça, cotejou a cobertura do crime feita pelos dois principais veículos de São Paulo.

A presunção do assassino que, ainda com as mãos sujas de sangue, preocupara-se em humilhar e dar aulas de jornalismo a seus subordinados serviu de mote para Martínez escrever o belo O voo da rainha.

Gregório Magno Pontífice Camargo é Pimenta Neves. Reina Remis é Sandra Gomide. El Heraldo é a Folha de S. Paulo; El Diario, O Estado.

O livro foi lançado pela Objetiva na coleção Plenos Pecados. Convidados, sete autores escolheram um dos pecados capitais para sustentar um romance.

Zuenir Ventura, em Mal secreto, tratou da inveja.

José Roberto Torero, em Xadrez, truco e outras guerras, da ira.

Luis Fernando Verissimo, em O clube dos anjos, da gula.

João Ubaldo Ribeiro, em A casa dos budas ditosos, da luxúria.

João Gilberto Noll, em Canoas e marolas, da preguiça.

Ariel Dorfman, em Terapia, da avareza.

Com O voo da rainha, Tomás Eloy Martínez fechou a série abordando a soberba.

E que personagem mais adequado para explorar orgulho, arrogância e presunção do que um jornalista brasileiro?

Ao falar do amigo Martínez, em artigo para O Estado de S. Paulo, Ariel Dorfman relembrou uma lição deixada pelo colega, que foi destacada no título do texto, em letras garrafais:

- Se algo não é contado, não vale a pena existir.

Por isso os jornais brasileiros omitiram o roteiro de O voo da rainha?

Porque, para eles, o assassinato de Sandra Gomide por Pimenta Neves, por constrangedor, não vale a pena existir?

Talvez essa seja a chave.

Também visto no blog do Luís Nassif.

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terça-feira, novembro 17, 2009

Francesa se casa com namorado morto há um ano

Francesa se casa com namorado morto há um ano

Uma francesa se casou, no último sábado, com o namorado morto há um ano em um acidente de carro.

Em novembro de 2008, Magali Jaskiewicz e Jonathan Goerge moravam juntos havia seis anos e já tinham duas filhas quando deram entrada nos papéis e marcaram o casamento para janeiro deste ano.

Mas dois dias depois, Goerge sofreu um acidente fatal.

Jaskiewicz, no entanto, fez uso de um artigo do código civil francês que permite o casamento com uma pessoa falecida se ela já havia oficialmente dado início ao processo formal para realizar a união.

Cavalete

Apesar da lei, o casamento póstumo é raro na França, com apenas dezenas de casos registrados por ano no país.

Mas para conseguir realizar a sua união com Goerge, Jaskiewicz teve de esperar o processo passar por várias instâncias, até chegar às mãos da Presidência, que a acabou autorizando, em setembro passado.

Durante a cerimônia no último sábado, realizada na Prefeitura do vilarejo de Dommary-Baroncourt, no leste da França, Jaskiewicz usou o vestido de noiva comprado há um ano.

A seu lado, estava uma grande foto de Goerge sobre um cavalete.

"Não estou muito animada para festejar", disse a noiva, após a cerimônia. "Vamos tomar um chá e vou agradecer àqueles que me apoiaram."

"Jonathan é meu único amor", afirmou.

Jaskiewicz agora passa a considerada oficialmente como viúva.

Notícia da BBC Brasil.

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quarta-feira, outubro 28, 2009

Status no Facebook: 'descansando em paz'



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O Facebook agora permite que usuários transformem em memoriais as páginas de amigos que já morreram.

Para isso, é necessário enviar um atestado de óbito. Informações de contato da pessoa morta são removidas, e apenas amigos confirmados podem ver e localizar a sua conta, que fica com o login desativado. Acho que é uma boa analogia digital ao que inevitavelmente ocorrerá a todos os usuários do Facebook. [FB via BB]

Visto no Gizmodo Brasil.

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quarta-feira, setembro 16, 2009

Sexta-feira à noite

Sexta-feira à noite

Marina Colasanti

Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.


O poema de Marina Colansanti, veio do blog do Luís Nassif.

Creio que para muitas destas mulheres que tinham entre 15 e 30 anos (ou mais) no final dos anos 1980 e início dos 1990 este príncipe encantado tinha a cara do ator Patrick Swayze, astro de Ritmo Quente ("Dirty Dancing" - 1987) e Ghost, do Outro Lado da Vida (1990).

Pessoalmente eu gostei bastante de Caçadores de Emoção ("Point Break" - 1991), que ele atua junto com Keanu Reeves.

O passamento do ator se deu nesta segunda-feira, dia 14. Há tempos ele lutava contra um câncer no pâncreas.

Ou como o recado que enviei para minha ex-esposa, "Ele morreu, mas eu (ainda) estou aqui.".


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quarta-feira, agosto 19, 2009

O Mundo Monstro de Adão Iturrusgarai: a vida no suspiro final

quarta-feira, julho 29, 2009

Da necessidade dos truques

Da necessidade dos truques

DE UNS tempos para cá, tornou-se comum o camarada morrer e não saber. Evidente, os outros "sabem", menos o próprio, que em tese e na prática devia ser o principal interessado no assunto. Vai daí, de repente descobri que um dos meus truques é fazer justamente ao contrário do que ficou estabelecido pelos atos, posturas, leis, decretos e regulamentos em vigor.
Por isso, decidi que morri no dia 1º de dezembro de 1981. Pode ser que muita gente acredite que morri antes desta feliz data para a humanidade, mas, para efeito pessoal, eu mesmo me decretei morto a partir daquele radioso dia de final de ano, lembro que fazia um sol que o Nelson Rodrigues classificaria como digno de rachar catedrais.
Em linhas gerais, e para fins particulares, estou morto e alguns ainda não sabem: amigos, parentes, credores e candidatos à Academia Brasileira de Letras, que são muitos e têm faro especial para essas coisas.
Pode parecer truque macabro, de péssimo gosto, mas tem lá suas vantagens. Não recebi qualquer tipo de homenagem, dessas que comumente se prestam aos defuntos. Não provoquei nenhuma lágrima pela minha ausência, nenhuma prece pela minha alma (e de nada adiantarão as rezas pela minha salvação), não mereci a módica linha impressa no obituário das folhas.
Aparentemente, tudo continuou como antes, mas eu sei que estou morto. Não tenho mais nada a ver com o que aí está, a vida, o mundo, as mulheres, o inverno, onde enterraram Michael Jackson, a crise no Senado, a faina humana e inglória. Bem verdade que os estabelecimentos bancários não aceitam essa morte de moto próprio, embora aceitem a hipótese de eu me espatifar por aí dirigindo minha própria moto. Moto que por sinal não tenho, justamente para não morrer de moto próprio.
Qual a vantagem de ter um truque? "Quid prodest?" -perguntariam os latinos. Respondo: é uma sensação tranquila essa da gente se saber morto, clandestino morto, insuspeitado morto na tripulação do mundo. Não me sinto mais comprometido com nada -mas continuo como testemunha do espetáculo, não mais cúmplice nem vítima.
Enquanto vivi, evidente que vi eventos extraordinários que se transformaram em ordinários. Um deles foi me tornar cronista de jornal sendo obrigado a dizer coisas quase todos os dias e sem ter nada a dizer em meu interesse ou no interesse dos outros. Isso sem falar no remoto ano em que levei originais mal datilografados a um editor e ele me disse: "Eu topo!".
Bem verdade que então era ainda vivo mas suspeitava que a minha vida entrava na fase vegetativa.
Lembro um episódio da vida de Napoleão. Quando foi coroado na Notre Dame, tendo obrigado o papa a se deslocar para Paris a fim de presidir a solenidade, sua mãe Letícia ocupava um camarote ao lado do altar-mor.
Ela viu aquela pompa toda, aquele absurdo, seu obscuro rebento nascido na distante Ajácio sendo sagrado imperador do mundo.Virou-se para sua filha Paulina e comentou: "Se o pai de vocês visse isso!"
Carlo Buonaparte já havia morrido de fato, não teve vida bastante para assistir às estripulias do filho. Mas se visse?
Taí a chave do truque. Ao contrário do pai de Napoleão, continuo pagando imposto de renda e demais posturas federais, estaduais e municipais, vendo muita coisa interessante sem a obrigação de tomar partido, de gostar ou de desgostar, de sofrer ou de encontrar prazer com a desdita ou a glória dos outros.
Dessa forma, me aproximarei, concretamente, daquele personagem de Gorki que muito gosto de citar. Era um bêbado que falava demais ou ficava calado demais. Um dia explicou: "Eu me aborreço em voz alta e me distraio em silêncio".
Aliás, essa necessidade de ter um truque vem também de Gorki: um personagem que, ao se suicidar, deixou um bilhete para o colega de quarto, um vagabundo tão miserável quanto ele, explicando por que se matava: "Faltou-me um truque".
Sem truque, é difícil, quase impossível aguentar a barra da vida. Com meu truque, não só aguentarei a barra da vida -pesadíssima- como a barra da própria morte -com seu diáfano peso de nada.

Texto de Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo, de 24 de julho de 2009.


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segunda-feira, julho 13, 2009

Morrer

“Aos homens é dado morrer uma única e escassa vez. Aos atores é dada a oportunidade de morrerem inúmeras vezes, cada vez que seu personagem morre.”

Isso ou algo parecido, é dito por uma das diversas versões Carolina, personagem de Marieta Severo, no filme “A Dona da História” (Brasil, 2004).

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quinta-feira, junho 25, 2009

Continua morrendo muita gente em pouco tempo

Dois dias atrás eu comentei aqui que morria muita gente em muito pouco tempo.

Hoje recebi a notícia de que a “pantera” Farrah Fawcett faleceu em decorrência de câncer. Câncer este com o qual lutava há uns dois anos. A notícia de seu falecimento está copiada aí abaixo, da Folha Online, com uma foto da época em que a musa estava no auge de sua beleza, lá por meados dos anos 1970. Com sua participação no seriado As Panteras (ou “Charlie’s Angels” originalmente) ela se tornou muito conhecida aqui no Brasil. O seriado passava na TV Globo, após a novela das oito.

E, agora à noite, vi a notícia, também copiada abaixo que o cantor Michael Jackson faleceu, em circunstâncias ainda não de todo esclarecidas. Confesso que receber a notícia de Michael Jackson foi francamente chocante. O homem tinha apenas 50 anos. É um astro pop desde a infância. E eu imaginaria que ele bem teria ainda uns 20 ou 30 anos de vida pela frente. E o curioso é que eu nem sou um fã tão grande assim de Michael Jackson. Nunca cheguei a comprar um disco dele, embora no final de minha infância tenha pensado em comprar algum disco dos “Jackson Five”, o grupo que o pai de Michael montou com Michael e seus irmãos, que inclusive acabou gerando um desenho animado. Mas de fato, nunca comprei um disco. Minhas lembranças afetuosas são para a música “Ben”, e um hit que mais ou menos estourou por aqui no verão de 1979/1980 acho. Creio que foi do disco que precedeu Thriller, e cujo nome eu não sei.

A vida é curta, eu sei. Mas estou chocado com o desaparecimento precoce de Michael Jackson.


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Atriz Farrah Fawcett morre, aos 62 anos, nos EUA

Atriz Farrah Fawcett morre, aos 62 anos, nos EUA

da Folha Online

A atriz Farrah Fawcett, 62, conhecida por seu papel na série "As Panteras", morreu na manhã desta quinta-feira (25), em um hospital de Los Angeles, informou seu porta-voz Paul Boch.

Fawcett lutava, há cerca de dois anos e meio, contra um câncer retal. A luta da atriz contra a doença se transformou em um documentário, intitulado "Farrah Story", e transmitido recentemente da TV norte-americana.

A atriz se tornou conhecida em 1976 ao integrar o elenco do seriado de TV "As Panteras". Fawcett deixou a série após uma temporada, quando começou a trabalhar no cinema, no filme "Somebody Killed Her Husband".

Nesta quarta-feira, Fawcett havia sido encaminhada a uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) devido à piora no seu quadro clínico, de acordo com o site do jornal americano "Extra".

Ela estava internada desde o começo da semana e estava acompanhada do namorado Ryan O'Neal.

Considerada uma das mulheres mais atraentes de Hollywood nos anos 70, Fawcett concordou recentemente em se casar com o ator Ryan O'Neal, seu parceiro desde os anos 80. O ator, de 68 anos, revelou que ela era o amor de sua vida e, por isso, pediu sua mão em casamento.

Os dois já foram casados em 1979, mas o casamento terminou nos anos 90.

No entanto, eles se reencontraram em um dos momentos mais difíceis na vida da atriz e, segundo confessou O'Neal, depois de várias tentativas, sua companheira de toda a vida finalmente disse o "sim". "Diremos o 'sim' quando ela puder", disse O´Neal nesta semana.

Em recente entrevista concedida à revista "People", O'Neal contou que a atriz passava seus dias confinada em casa, a maior parte do tempo na cama, por causa dos efeitos do tratamento contra o câncer.

Fawcett perdeu o cabelo, estava muito debilitada e só recebia a visita de algumas amigas íntimas, como Jaclyn Smith e Kate Jackson, que foram suas companheiras na popular série de televisão "As Panteras".

com Associated Press e Efe

Texto da Folha Online. Foto da AP, vinda da Folha.


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