terça-feira, novembro 30, 2010

Experimento norte-americano testa como reverter envelhecimento

Uma técnica para manter saudável a estrutura dos cromossomos pode reverter o envelhecimento dos tecidos.

Mariela Jaskelioff e colegas do Instituto de Câncer Dana Farber Cancer, em Massachusetts (EUA), conduziram um experimento com camundongos programados com telômeros curtos e telomerase inativa para ver as consequências dessa combinação.

O resultado é que os animais tiveram um período de vida curto, órgãos atrofiados e cérebros menores que aqueles que não haviam sido programados.

Os telômeros, que ficam nas extremidades dos cromossomos, diminuem a cada divisão celular, mas as células param de se dividir e morrem quando eles ficam abaixo de um certo comprimento.

Cabe à enzima telomerase retardar essa degradação adicionando um novo DNA na ponta dos telômeros.

Quatro semanas depois de os cientistas tornarem a telomerase dos camundongos ativa, eles detectaram que o tecido se regenerou em diversos órgãos, nova células cerebrais se desenvolveram e a vida dos camundongos foi prolongada.

A pesquisa, em fase experimental com animais, é mais uma evidência das relações entre o comprimento dos cromossos e as doenças relacionadas à idade, que pode levar à aplicação em seres humanos no futuro.


Notícia da New Scientist, na Folha.com

Marcadores: , ,

segunda-feira, agosto 09, 2010

O mito da ciência infalível

O mito da ciência infalível

Por meio da ciência, descobrimos não apenas o que não sabíamos, mas o que pensávamos saber, porém desconhecíamos. Algo que durante muito tempo pode ter sido aceito como verdade autoevidente -que a Terra é plana, por exemplo- pode ser exposto como mito.
O que é fácil deixar de levar em conta é que mesmo a ciência nem sempre sabe o que pensa saber. O mito, sob a forma de especulações teóricas, é a argamassa que aglutina muitos dos tijolos das descobertas científicas.
Ou, poderíamos dizer, é a matéria escura que aglutina o universo do conhecimento científico.
É claro que a própria matéria escura constitui um exemplo de "mito" científico. Embora sua existência ainda seja apenas especulada, cada vez mais ela é dada como algo factual.
Mas existe outro mito que se faz passar por fato há tanto tempo e tão bem que a maioria de nós nem sequer pensaria em questioná-lo: a gravidade. Quem pensaria que há dúvidas em relação a algo que parece ser confirmado simplesmente pegando-se uma maçã na mão e deixando-a cair?
Mas, como informou o "New York Times", um respeitado físico holandês declarou que a gravidade é uma ilusão. "A gravidade não existe", disse Erik Verlinde.
É claro que não há dúvida de que os objetos na Terra caem e que ganham velocidade ao longo de sua queda. Mas uma força chamada gravidade não é necessariamente a melhor explicação disso. A explicação oferecida por Verlinde é demasiado complexa até mesmo para outros físicos. Mas ele não é o primeiro a atacar a credibilidade de Newton. Stephen Hawking já tentou fazê-lo e, antes dele, Einstein.
Menos surpreendentes, talvez, sejam os ataques lançados contra a teoria da evolução. Contudo, excetuando setores conservadores que defendem o desígnio inteligente, geralmente se presume que a ideia original de Darwin tenha sido plenamente confirmada.
Uma das demonstrações mais curiosas dessa ideia é a forma surpreendente pela qual certas espécies imitam a forma e coloração de outras. O "Times" noticiou um exemplo disso entre lagartas e crisálidas na Costa Rica.
Mas essa imitação aparentemente mágica se coaduna mal com a ideia de que teria sido produzida, conforme Darwin propôs, por uma série demorada de mutações aleatórias e pequenas que, por mero acaso, auxiliaram a propagação dessas espécies.
O verdadeiro mecanismo que a desencadeou, e como ele se ajusta e aperfeiçoa a imitação, ainda é algo que a ciência pode aparentar saber, mas que, na realidade, ela desconhece.
O fato de a ciência desconhecer uma coisa particular pode causar perplexidade. Quem diria que cientistas não sabem realmente como as aves pequenas migram, como percorrem distâncias tão grandes e a frequência com que precisam parar? Segundo o "Times", pesquisadores que empregaram novas tecnologias para rastrear aves se espantaram ao descobrir que, como a maioria de nós, muitas delas preferem fazer voos sem escalas.
Evidentemente, os cientistas são positivistas. Não gostam de chamar a atenção à "matéria negativa" feita da imensidão das brechas em seu conhecimento. E isso nos permite viver como se a ciência iluminasse nosso caminho mais do que de fato ilumina.
Talvez seja hora de algum Carl Sagan da ignorância científica apresentar-se com um livro sobre o tema dos bilhões e bilhões de coisas que a ciência, surpreendentemente, ainda desconhece.
Seria um projeto que poderia terminar com algo que até mesmo os cientistas concordam que dificilmente chegarão a saber algum dia: o porquê de existir algo em lugar de nada e, é claro, a finalidade ou o significado de tudo isso.
CARLOS CUNHA

Do The New York Times, reproduzido na Folha de São Paulo, de 2 de agosto de 2010.


Marcadores: , ,

quinta-feira, abril 01, 2010

Humanidade não pode salvar o planeta, afirma criador da Teoria de Gaia

Humanidade não pode salvar o planeta, afirma criador da Teoria de Gaia

Mudar os hábitos para tentar salvar o planeta é “uma bobagem”, na opinião de um dos mais conceituados especialistas em meio ambiente no mundo, o britânico James Lovelock, para quem a Terra, se for salva, será salva por ela mesma.

“Tentar salvar o planeta é bobagem, porque não podemos fazer isso. Se for salva, a Terra vai se salvar sozinha, que é o que sempre fez. A coisa mais sensível a se fazer é aproveitar a vida enquanto podemos”, afirmou Lovelock em entrevista à BBC.

O cientista de 90 anos é autor da Teoria de Gaia, que considera o planeta como um superorganismo, no qual todas as reações químicas, físicas e biológicas estão interligadas e não podem ser analisadas separadamente.

Considerado um dos “mentores” do movimento ambientalista em todo o mundo a partir dos anos 1970, Lovelock é também autor de ideias polêmicas como a defesa do uso da energia nuclear como forma de restringir as emissões de carbono na atmosfera e combater as mudanças climáticas.

Gatilho

Para Lovelock, a humanidade não “decidiu aquecer o mundo deliberadamente”, mas “puxou o gatilho”, inadvertidamente, ao desenvolver sua civilização da maneira como conhecemos hoje.

“Com isso, colocamos as coisas em movimento”, diz ele, acrescentando que as reações que ocorrem na Terra em consequência do aquecimento, entre elas a liberação de gases como dióxido de carbono e metano, são mais poderosas para produzir ainda mais aquecimento do que as próprias ações humanas.

Segundo ele, no entanto, o comportamento do clima é mais imprevisível do que pensamos e não segue necessariamente os modelos de previsão formulados pelos cientistas.

“O mundo não muda seu clima convenientemente de acordo com os modelos de previsões. Ele muda em saltos, como vemos. Não houve aumento das temperaturas em nenhum momento neste século. E tivemos agora um dos invernos mais frios em muito tempo em todo o hemisfério norte”, diz Lovelock.

Energias renováveis

Durante a entrevista à BBC, o cientista britânico afirmou ainda não ver sentido na busca de alguns hábitos de consumo diferentes ou no desenvolvimento de energias renováveis como forma de conter as mudanças climáticas.

“Comprar um carro que consome muita gasolina não é bom porque custa muito dinheiro para manter, mas essa motivação é provavelmente mais sensata do que a de tentar salvar o planeta, que é uma bobagem”, diz.

Para Lovelock, a busca por formas de energia renováveis é “uma mistura de ideologia e negócios”, mas sem “uma boa engenharia prática por trás”.

“A Europa tem essas enormes exigências sobre energias renováveis e subsídios para energia renovável. É um bom negócio, e não vai ser fácil parar com isso, mas não funciona de verdade”, afirma.


Esta entrevista veio da BBC Brasil.

Marcadores: , , , ,

quarta-feira, julho 08, 2009

Milagre, conforme Miguel Nicolelis

"Em um cérebro com bilhões de neurônios, registrar cem e descobrir algo é como olhar para o Universo, apontar para a estrela certa e achar um planeta com vida (...) Se a palavra "milagre" não tivesse sido apropriada e patenteada por outra indústria, nós teríamos de usá-la todos os dias"

Na Folha de São Paulo, de 10 de junho de 2009.

Marcadores: , ,

Opiniões: Miguel Nicolelis

SABATINA FOLHA
MIGUEL NICOLELIS


União com máquinas vai libertar o cérebro do corpo

Neurocientista brasileiro radicado nos EUA vê sistema nervoso como uma "democracia"

O DESENVOLVIMENTO da neurociência deverá libertar o cérebro do corpo e permitir, por exemplo, que seres humanos explorem o espaço usando máquinas capazes de transmitir movimentos e sensações. A previsão foi feita pelo do neurocientista paulistano Miguel Nicolelis, 48, em sabatina promovida pela Folha anteontem. "Em muito menos de 30 anos, você vai conseguir ter a sua presença à distância". Diretor do Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke (EUA) e do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra, Nicolelis disse também que está "à beira de demonstrar que é balela" a ideia de que o córtex cerebral se divide em áreas.

DA REPORTAGEM LOCAL

O pesquisador é pioneiro no estudo de interações entre cérebro e máquina, e já realizou proezas tecnológicas como fazer um robô no Japão andar impulsionado por ondas cerebrais de uma macaca nos EUA.
O objetivo do trabalho é desenvolver próteses neurais que permita a pessoas paralisadas andarem novamente.
Nicolelis foi entrevistado pelos jornalistas Gilberto Dimenstein, membro do Conselho Editorial da Folha e Hélio Schwartzman, articulista do jornal, e pela neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ. A mediação foi de Claudio Angelo, editor de Ciência.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif


IMAGEM DO BRASIL
Em 1991, cheguei um dia para dar uma palestra na Califórnia e falei que era da Universidade de São Paulo. Quando terminei de falar, um americano olhou para mim e disse: "Isso é perto de Santa Monica?"
O que vejo [agora] é o Brasil com algumas coisas no centro da agenda científica mundial. O Brasil, nas projeções que vi, vai se transformar no grande celeiro do mundo, tem a biodiversidade, a possibilidade de ser o primeiro país a se livrar do petróleo, a energia alternativa.

MILIONÁRIOS
Nos Estados Unidos, as pessoas que têm muito dinheiro pensam que é a chance de comprar a imortalidade.
A [Universidade] Duke teve várias doações de pessoas que queriam associar o nome delas a uma descoberta. E evidentemente que o governo americano foi muito esperto de criar uma legislação fiscal que ajuda.
Aqui no Brasil a relação com dinheiro é outra. As pessoas ainda têm a ilusão de que levam com elas o dinheiro. A elite americana valoriza mais uma educação de alto nível.

BUROCRACIA
É muito mais fácil eu doar dinheiro para a Duke do que para a USP. Se eu quiser hoje pôr o nome da minha avó no anfiteatro da Faculdade de Medicina, provavelmente morro antes de conseguir - e o nome dela nem é tão longo. Quando cheguei aqui no Brasil para criar nosso projeto [o Instituto Internacional de Neurociência de Natal], eu contei: foram 65 assinaturas para provar que eu existia.
Quando era aluno da USP, era impossível importar um anticorpo, um insumo. Melhorou muito, mas ainda não é o que um cientista num laboratório de ponta desejaria ter.

OURO DO PENTÁGONO
[Ao ser questionado sobre receber dinheiro do Departamento de Defesa americano.] O que eles me pediram foi para criarmos uma forma de, em 30 anos, fazer os veteranos de guerra paralisados voltarem a andar. E estamos chegando lá.
O Sidney Simon, que é meu grande amigo americano, falou: "Dinheiro é dinheiro". Não me meto. Dou uma palestra, mostro o que sei fazer, aí entram dez advogados e eles sentam com quem quer doar.

DEUS
Deus, na minha opinião de palmeirense -você acredita se quiser-, é uma necessidade que todos nós temos de explicar de onde viemos. Aparentemente existe uma necessidade do nosso cérebro de contar uma história. Acho que o cérebro é um grande simulador, ele simula a realidade completa, toda a história da nossa vida. E essa história tem que ter um começo, ela tem que ter uma explicação lógica de onde nós viemos. Nesse domínio vem a noção de Deus, a religião.

O CÉREBRO UNIFICADO
Nós vamos publicar daqui a poucas semanas registros do córtex visual em que 12% das células respondem à informação tátil e vice-versa.
Faz cem anos que essa ideia [de que o cérebro se divide em "casinhas", cada uma com uma função] se cristalizou. Nós estamos à beira de demonstrar que isso é balela. A função, no cérebro, não é determinada geograficamente. Ela é determinada de acordo com as demandas da tarefa que se impõe ao cérebro.
Então, se uma pessoa perde a visão e ela tem que navegar pelo mundo sem o sistema visual, ela remapeia o atributo táctil por todo o córtex, inclusive o visual. Nós estamos abandonando essa ideia de que o cérebro é um grande mosaico e partindo para noção de que o cérebro é uma grande democracia.

PARKINSON
[Sobre o tratamento contra Parkinson com estimulação elétrica desenvolvido por sua equipe na Duke.] Quando começamos a olhar para animais [camundongos] que desenvolviam um Parkinson muito violento e muito rápido, tudo levava a crer que a atividade do cérebro parecia uma crise epiléptica. Então falamos "isso é uma crise epiléptica, vamos tratá-la como se fosse uma". As vantagens de estimular atrás da medula espinhal são várias: é mais seguro, muito mais fácil, muito mais barato. Mas a grande vantagem, do ponto de vista teórico, é que muda a forma de olhar para o cérebro. Ao invés de tentar tratar um lugarzinho, que era o que a teoria anterior achava, você está tratando o circuito inteiro. Do ponto de vista filosófico, isso é uma mudança radical. Já temos os modelos para primatas prontos e nós vamos fazer boa parte desses estudos lá em Natal. Espero que, se os resultados em macacos forem tão bons quanto eles foram nos roedores, no ano que vem a gente começa a fazer esses estudos em humanos.

CORPO MECÂNICO
O pensamento nada mais é do que uma onda elétrica pequenininha, se espalhando pelo cérebro, numa escala de tempo de milissegundos. O que fizemos [com primatas] foi descobrir que é possível ler esses sinais e extrair deles comandos motores capazes de reproduzir num braço mecânico ou numa perna robótica a intenção motora daquele cérebro.

TELECINESIA
E nós fechamos o circuito: o macaco usou sinais do córtex motor para controlar a prótese e a prótese [usando sensores, quando o pé atinge o chão] mandou informação de volta sem usar o corpo para nada. O cérebro se libertou do corpo de vez. Isso quer dizer que, a longo prazo, nosso alcance como humanos vai mudar completamente. Você vai ter a chance de atuar voluntariamente em um ambiente a milhares de quilômetros da sua presença física.
No futuro, em muito menos de 30 anos, você vai conseguir ter a sua presença à distância. A Agência Espacial Europeia analisou nossos trabalhos e concluiu que não tem sentido mandar humanos para Marte. Nós vamos de qualquer jeito, manda algo que nos represente pelos nossos pensamentos.

UNIVERSIDADES
Se estivesse na situação de um jovem hoje, pensaria muito antes de ir para a universidade. Ela precisa mudar demais, se reestruturar tremendamente.
As divisões são do século 19, elas têm muito pouco a ver com a realidade. Precisamos criar mecanismos para acelerar e desburocratizar o processo de formação de cientistas. No mundo inteiro.

LULA E PT
Eu não me rotularia um petista, me rotularia um humanista [ao ser perguntado se seu petismo arrefeceu]. E eu e mais 80% da sociedade brasileira acreditamos que o atual governo teve avanços fundamentais.

CIÊNCIA "DO MAL"
A ciência transformou-se em uma coisa misteriosa. Sempre que fazia uma palestra, a primeira pergunta era: "E se isso for usado para o mal?". Vejo na imprensa no mundo inteiro esse afã de "e se fizer um gene desses errado, vai surgir um Frankenstein que vai destruir a raça humana". Pode? Pode.
Mas tudo pode. O Palmeiras pode ganhar o título neste ano.
Mas as chances são remotas.


NA INTERNET
VEJA A SABATINA COM MIGUEL NICOLELIS NA FOLHA ON-LINE
www.folha.com.br/091601

Na Folha de São Paulo, de 10 de junho de 2009.

Marcadores: , ,

segunda-feira, junho 22, 2009

Evolução humana "chegou ao fim", afirma biólogo darwinista

Evolução humana "chegou ao fim", afirma biólogo darwinista

John Cornwell

Quando "A Origem das Espécies" de Darwin foi publicado em 1859, não demorou para que teólogos sensíveis, como o cardeal John Henry Newman, aceitassem a evolução como parte da providência divina. Mas até hoje o mundo cristão continua dividido entre os criacionistas que leem o Gênesis literalmente, e os que o veem de forma não literal, como um mito ou um poema. Enquanto os criacionistas leem a Bíblia como um texto cosmológico, outros tratam a evolução como uma teoria para tudo.

O darwinista Steve Jones, eminente biólogo e escritor talentoso, é professor de genética e chefe do departamento de biologia do University College, em Londres. Conversei com ele recentemente em sua sala no Laboratório Galton, atrás da estação Euston, para falar sobre o darwinismo.

Para celebrar o bicentenário de Darwin, Jones publicou um novo livro, "Darwin's Island" ["A Ilha de Darwin"], que examina as pesquisas pouco conhecidas de Darwin sobre a flora e a fauna britânicas. Jones declarou recentemente, de forma provocativa, que a evolução humana "chegou ao fim". E agora, nessa entrevista, volta a afirmá-lo.

"É sério isso?", perguntei.

"Veja, no mundo desenvolvido, os homens em média têm filhos mais cedo do que antigamente. Isso significa que há menos chance de que o esperma sofra mutações que poderiam levar a uma mudança evolucionária".

Não me convenci. Afinal, há apenas 50 anos, a média de expectativa de vida era bem menor, então é claro que em média os homens tinham filhos mais cedo. Mas acho que o que John quer dizer é que o homem de hoje tem um período de procriação curto, que vai apenas do final dos 20 anos até antes dos 40. No passado, entretanto, a maioria dos homens (principalmente os mais bem sucedidos) teriam filhos ininterruptamente, desde a adolescência até os 50 ou 60 anos. Então, apesar de ter aumentado a média de idade com a qual o homem tem o seu primeiro filho, a média da faixa etária em que eles têm filhos é menor.

Ele acrescenta: "a evolução também requer que populações isoladas possam acumular adaptações, como nas ilhas Galápagos. O mundo moderno, com suas viagens de avião, remédios e proteção contra as intempéries, faz com que seja muito pouco provável encontrar mutações significativas prosperando num habitat isolado".

"A força motriz da evolução humana é o homem", continua Jones. "Os óvulos das mulheres são produzidos antes do nascimento, e na vida adulta o número de divisões celulares que podem desencadear uma mutação bem sucedida está em torno de 20, desde o óvulo que lhe deu origem até o óvulo que produzirá seus filhos. Mas o esperma de um pai de 28 anos de idade passa por 300 divisões celulares desde o esperma que lhe deu origem até o esperma que ele passa adiante. Em um homem de 50 anos, são 2 mil divisões celulares. Assim, são os pais mais velhos que levam a evolução humana adiante através das mutações genéticas. Mas nos países desenvolvidos, a maioria dos homens não se reproduz mais a partir dos trinta e poucos anos."

E quanto às mutações resultantes de testes nucleares e Chernobyl?

"Claro, o DNA pode ser afetado por influências do ambiente. Mas apenas 0,2% da exposição à radiação é produzida pelo homem; a maior parte vem do radônio no solo e nas rochas".

Jones, entretanto, concorda que ainda é possível uma espécie de microevolução - por exemplo, na disseminação de genes resistentes ao HIV/Aids. "Eventualmente os sobreviventes passarão seus genes resistentes para a próxima geração, criando uma população em geral resistente. Mas isso não assinala uma mudança significativa na espécie humana".

E quanto à ideia de que os humanos podem se tornar mais ou menos inteligentes?

"Foi Francis Galton, um dos primeiros geneticistas", disse Jones, "que veio com a ideia de que os seres humanos estavam destinados a emburrecer porque as pessoas inteligentes têm menos filhos, enquanto as burras e irresponsáveis se reproduzem com mais rapidez". Contra Galton, Jones cita o "efeito Flynn" - o aumento do QI médio no mundo desenvolvido durante os últimos 50 anos, que recebe esse nome por causa do cientista político James R. Flynn.

Flynn argumentou que esse "efeito" não demonstra um aumento genético na inteligência - mas que se deve a um desvio nos testes de QI, que privilegiam o um tipo de raciocínio abstrato que melhorou durante o século 20 por causa da educação e da tecnologia. Antigamente, as pessoas tinham o mesmo poder cerebral, mas menos experiência com o raciocínio abstrato.

Jones também não se impressiona com a possibilidade de a engenharia genética deixar uma marca na evolução humana. Ele admite que poderão haver algumas melhorias superficiais na capacidade humana, com drogas como a ritalina para a concentração, ou provigil para combater a fatiga. Mas segundo ele essas são mudanças superficiais e não-genéticas.

Jones também insiste que os habitats isolados não continuarão suficientemente isolados para permitir mutações. Ele chama isso de "a grande coalescência global", a forma pela qual os seres humanos escaparam das "leis impiedosas de vida e morte" da evolução. E continua: "diferenças herdadas na capacidade de superar resfriados, fome, deficiência de vitaminas ou doenças não movem mais a máquina da evolução. As pessoas morrem por causa disso, mas quando estão velhas e a evolução não as percebe mais".

Então essas melhoras não indicam um avanço evolucionário?

"Darwin argumentava que a evolução não tem uma tendência inerente para melhorar ou piorar as coisas. De fato, é mais provável ter alguma surpresa ruim virando a esquina. Um dia poderemos simplesmente falhar em nossa luta pela sobrevivência".

Jones explica que uma das grandes divisões na compreensão da evolução é entre as noções de propósito e não-propósito. Um exemplo do problema, continua, é encontrado na ideia de uma asa ou um olho pela metade - normalmente discutida pelos defensores do "desenho inteligente" [ou criacionistas]. Segundo eles, como alguma coisa pela metade não tem nenhuma vantagem evolutiva, ela deve de certa forma ter sua função final codificada dentro de si antes de começar sua jornada. A resposta de Jones para essas anomalias admite o mistério da falta de fósseis que evidenciem transições graduais, por exemplo, de uma situação sem asas, para meia asa (sem nenhuma vantagem evolucionária), para uma asa totalmente operacional.

Essa aparente falha na teoria evolucionária encorajou a hipótese do "desenho inteligente" de propensões inerentes para um desenho mais complexo. "Há muitas pessoas que estão felizes em acreditar em parte da história da evolução", diz Jones, "mas argumentam que Deus fornece um ímpeto de propósito por trás de tudo".

"Eu não consigo entender a ideia de que tudo tem um 'significado' na evolução", diz Jones. Ainda assim é difícil, senão impossível, acredito, até mesmo para os biólogos mais reducionistas escreverem de forma acessível sobre evolução sem usarem em certo grau o discurso do propósito antropomórfico - até mesmo em termos que parecem neutros como "vantagens", ou "sobrevivência do mais forte", "adaptação".

Enquanto cientista altamente literário, Jones se diz consciente, e talvez até culpado, da justaposição entre a metáfora e a ciência. O próprio Darwin, ele admite, era dado a metáforas imaginativas; seu companheiro constante no Beagle foi uma cópia de "Paraíso Perdido"
[obra poética do escritor John Milton], e um dos aspectos mais excepcionais de "A Origem das Espécies" é sua capacidade de misturar metáfora e ciência, criando um efeito belíssimo.

Além do simples deleite com a descrição natural, o entusiasmo de Jones com os estudos de Darwin sobre os crustáceos e outras minúcias britânicas parte de sua especialização acadêmica, a genética.

"O DNA, assim como os corpos que ele constrói", diz Jones, com os olhos iluminados, "é baseado numa série de variações numa estrutura. Conforme um óvulo amadurece, órgãos complexos - olhos, ouvidos, mãos e cérebros - são formados a partir de elementos que só poderão ser distinguidos no embrião". Em momentos como esse, trazendo a biologia do desenvolvimento para a vida, a conversa com Jones se parece mais com as passagens líricas de seus livros - hinos à beleza, sutileza, e o potencial das criações vivas em seu progresso "da fertilização ao túmulo".

A ligação entre a seleção natural e o DNA estava esperando para acontecer; nesse sentido Jones e seus colegas biólogos são os herdeiros diretos de Darwin. "A seleção natural", diz Jones, "deixa suas pegadas na dupla hélice de muitas formas. Grandes trechos de DNA homogêneo de ambos os lados dos genes europeus para cabelo loiro e digestão de leite mostram que as variações benéficas arrastaram junto suas vizinhas à medida que passaram pela população durante os últimos milhares de anos".

Darwin aparentemente queria acrescentar um capítulo sobre seres humanos em seu trabalho sobre a origem dos animais de fazenda. Esse capítulo está sendo escrito agora com a ajuda dos geneticistas modernos. Muitas das mudanças físicas na linha humana desde que ela surgiu lembram as que aconteceram nos animais domésticos, admite Jones.

E quanto à inteligência humana, que nos permite dar continuidade à visão de Darwin no campo da genética, Jones diz: "nossos cérebros, sozinhos, não diminuíram".

John Cornwell é diretor do Projeto de Ciência e Dimensão Humana no Jesus College, Cambridge

Tradução: Eloise De Vylder

Texto da Prospect Magazine, no UOL.


Marcadores: ,

terça-feira, outubro 07, 2008

Cientista desafia darwinistas com prêmio multimilionário

Um criacionista turco chamado Adnan Oktar lançou um desafio aos darwinistas ao oferecer um prêmio de 10 bilhões de liras turcas (7,3 bilhões de dólares) ao cientista que lhe apresentar um fóssil que comprove o processo evolutivo.

Oktar, de 52 anos, é um dos mais ferozes críticos da teoria da evolução de Charles Darwin, a qual ele qualifica como "ditadura darwinista", segundo o jornal The Independent.

Contra todas as evidências científicas, Oktar afirma que não existem fósseis que possam provar as teorias de Darwin.

O criacionista ficou famoso há 10 anos quando distribuiu gratuitamente no mundo inteiro o seu luxuoso livro 'Atlas da Criação', uma edição de 800 páginas no qual ele afirma que durante milhões de anos as formas dos seres vivos não evoluíram.

Segundo a agência EFE, o biólogo britânico Richard Darwins qualificou o livro como 'ridículo' e seu conteúdo como 'inane'. Em resposta, Oktar disse que o biólogo não havia lhe apresentado nenhum fóssil que apoiasse as teorias darwinistas.

Kevin Padian, da Universidade da Califórnia, disse que Oktar "não tem nem idéia de tudo o que já é conhecido sobre a evolução. Se ele visse um fóssil de um caranguejo, diria que é um normal. A extinção não parece preocupar-lhe."


Redação Terra

Texto visto no Terra.

Marcadores: , , , ,

terça-feira, março 25, 2008

Cosmólogo recebe prêmio defendendo existência de Deus

Cosmólogo recebe prêmio defendendo existência de Deus

Um padre e cosmólogo polonês que sustenta a possibilidade de comprovar matematicamente a existência de Deus é o vencedor do mais polpudo prêmio acadêmico do mundo.

O professor Michael Heller, 72, de formação religiosa, com estudos em filosofia e doutorado em cosmologia, receberá em maio, em Londres, o prêmio Templeton, outorgado pela fundação homônima de estudos religiosos sediada em Nova York. O valor da premiação é de 820 mil libras esterlinas (cerca de R$ 2,87 milhões).

Os trabalhos mais recentes de Heller abordam a questão da origem do universo debruçando-se sobre aspectos avançados da teoria geral da relatividade, de mecânica quântica e de geometria não-comutativa.

"Vários processos no universo podem ser caracterizados como uma sucessão de estados, de maneira que o estado anterior é a causa do estado que o sucede", explicou o próprio Heller em um comunicado divulgado por ocasião do anúncio do prêmio.

"Ao questionar (a causalidade primeira) não estamos apenas falando de uma causa como qualquer outra. Estamos nos perguntando sobre a raiz de todas as possíveis causas", disse.

Ele rejeitou a idéia de que religião e ciência são contraditórias. "A ciência nos dá o Conhecimento, e a religião nos dá o Sentido. Ambos são pré-requisitos para uma existência decente".

"Invariavelmente eu me pergunto como pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de explorar a criação de Deus."

Críticas

Alguns céticos atacam a Fundação Templeton por sua inclinação a favor de ideologias conservadoras da religião.

Um dos principais críticos à instituição é o biólogo evolucionista Richard Dawkings, que já descreveu o prêmio Templeton como "uma soma de dinheiro muito grande que se concede normalmente a um cientista disposto a falar coisas boas da religião".

Para os jurados, Heller mereceu o prêmio por desenvolver "conceitos precisos e notavelmente originais sobre a origem e as causas do universo, muitas vezes sob intensa repressão governamental".

A biografia do filósofo e cosmólogo polonês diz que ele foi perseguido sob a era soviética, cuja ideologia comunista abertamente atéia ia contra o perfil católico conservador dominante no país.

Heller conhecia o Papa João Paulo 2º, nascido polonês sob o nome de Karol Wojtyla, que personificou a reação da Igreja Católica contra o avanço do comunismo nos países do Leste Europeu.

"Apesar da opressão das autoridades comunistas polonesas a intelectuais e padres, a Igreja, impulsionada pelo Concílio Vaticano 2º, garantiu a Heller uma esfera de proteção que o permitiu alcançar grandes avanços em seus estudos", diz sua biografia.

Heller disse que usará o dinheiro do prêmio Templeton para financiar futuras pesquisas.



Texto da BBC Brasil.


Marcadores: , , ,

terça-feira, janeiro 22, 2008

Criacionismo Reloaded

Pobre ministra Marina Silva. Resolveu professar suas idéias sobre a Criação, e relacioná-las com a sua visão ecológica, bem como afirmar que a digamos, hipótese criacionista, também devesse ser ensinada aos alunos do ensino geral, para que vários adeptos da ortodoxia científica lhe caíssem sobre a cabeça.
Primeiramente eu vi o assunto no blog do jornalista Marcelo Leite, divulogador de ciências da Folha de São Paulo. Lá o jornalista basicamente diz que a ministra pode professar a sua fé, mas não expor como se verdade científica fosse, suas idéias sobre criação. Não sei se a ministra disse que a hipótese criacionista era uma verdade científica. Mas também nsão sei porque chamam verdade científica uma hipótese inventada para tornar o universo mais natural. Agora dizemos que Deus não age no universo, e divinizamos a natureza, por vezes dizendo que "ela é sábia", ou que "ela criou" tais e tais mecanismos nos seres vivos.
Devo ter visto o assunto em algum outro veículo que já não me lembro mais.
E agora, a Folha de São Paulo, em seu editorial deste domingo, 20 de janeiro de 2008 (para assinantes), censurando novamente a ministra por suas crenças e idéias.
Cuidado! A verdade precisa ser preservada!

Marcadores: , , , ,